Liderada por um ex-executiva da SpaceX, uma equipe formada por um cientista de foguetes, um engenheiro, um astronauta, uma especialista em moda e um cirurgião ortopédico tem um único objetivo: construir um salto alto tão confortável quanto um tênis de corrida, eliminando os perigosos danos que este tipo de sapato traz às mulheres.

Dolly Singh, a ex-executiva da SpaceX responsável pelo projeto, adora sapatos de salto alto, pois eles a fazem se sentir como uma modelo, e ela explica que teve a ideia de projetar o salto alto confortável quando começou a sentir dores, depois de anos andando pelos 51.000 m² dos escritórios da SpaceX. “Eu tinha duas escolhas: ou usava sapatos mais feios ou acabava com pés feios”, diz. A solução? Criar a própria companhia, a Thesis Couture, e projetar o sapato de salto alto ideal — um misto de Nike e Jimmy Choo, como descreve a criadora.

Singh conta ao The Independent que montar a equipe já foi um desafio por si só. “A solução foi transformar a ideia em problema interessante na língua deles”, diz. “Pedir que eles projetassem um salto alto não é interessante, mas pedir que eles projetem uma estrutura que suporta uma segunda estrutura, que é dinâmica e possui um alcance de mobilidade de cerca de 180° e que por acaso é o corpo humano? Isso é interessante”. Singh explica que precisou convencer a equipe de que não se tratava de um problema fútil, mas sim um sério problema de engenharia.

E no fim das contas, o astronauta Garret Riesman, o cientista de foguetes Hans Koenigsmann, a designer de moda Amanda Parkes, o cirurgião ortopédico Andy Goldberg e Matt Thomas, diretor de engenharia mecânica do Oculus VR, aceitaram projetar o salto alto confortável.

O design conta com uma peça de plástico única que serve como a “espinha” do sapato, que é normalmente feita de aço. Mas ao usar um material forte, mas flexível e leve, o sapato não só oferece melhor suporte, mas absorve mais força do impacto de andar. E com solas de espuma aeroespacial, o peso é distribuído igualmente do salto à ponta do sapato. Singh, entretanto, admite que dificilmente conseguirá produzir um sapato de salto alto tão confortável quanto um tênis de corrida, mas promete que os scarpins serão pelo menos tão confortáveis quanto sandálias de salto anabela.

O esqueleto do sapato será produzido em Cingapura, enquanto a cobertura será produzida na Itália e aqui no Brasil. Os primeiros modelos devem chegar ao mercado dentro de três meses com valores nada convidativos — uma edição limitada com apenas 1.500 unidades será vendida por US$ 925 o par, todos numerados e assinados por um designer de moda.

Mas depois disso Singh quer mesmo é vender pares de salto alto seguros e confortáveis por valores a partir de US$ 300, além de licenciar a tecnologia para outras marcas. “Daqui a cinco anos, quero que todos os sapatos de salto alto do mundo sejam desenvolvidos da forma como os estamos fazendo”, diz. [The Independent]

Foto de capa: Maegan Tintari/Flickr