A Amazon é americana, mas antes mesmo de estrear sua operação no Brasil ela já demonstra que compartilha uma característica bem própria do nosso povo: a insistência. O movimento agora é para a aquisição de alguma grande empresa brasileira — visando, muito provavelmente, a importante parte logística. E temos informações exclusivas sobre o assunto.

Já relatamos as várias dificuldades que a Amazon vem tendo para desembarcar no Brasil, de problemas nas negociações junto às editoras e a interferência de futuras concorrentes à falta de um local físico para armazenar os produtos que ela venderá inicialmente. Tudo isso acabou atrasando a estreia da Amazon por aqui — inicialmente prevista para setembro/outubro, agora só em meados de 2013.

Qual a solução, então? Comprar uma concorrente, talvez. Mas uma fonte anônima nos revelou que os planos da Amazon para entrar com força e sem obstáculos burocráticos no país podem ser bem mais ambiciosos. Em vez de comprar a (ou somente a) Saraiva, a empresa de Jeff Bezos está de olho em várias lojas nacionais.

A fonte só revelou uma delas, e das grandes: o Submarino, do grupo B2W. A informação, segundo ela, vem de “um grande banco que cuida do capital aberto da B2W”. Sobre as outras lojas do grupo, Americanas e ShopTime, ela não soube especificar se entrarão no negócio. Ela ainda disse que “outras marcas bem famosas” e que “para o grande público não têm relação com o Submarino” estão na jogada e seriam também adquiridas pela Amazon.

A opção pelo Submarino ou alguma parte da B2W faz bastante sentido. Pense comigo: a B2W anda mal das pernas e não é de agora — a Época Negócios classificou o 2011 do grupo como “muito ruim” e nos dois primeiros trimestres de 2012 ele teve prejuízos de R$ 42,8 milhões e R$ 38,9 milhões, respectivamente. Essa situação pode facilitar uma venda, e por um preço menor do que o esperado. Sem falar na ausência de lojas físicas do Submarino, um “extra” que a Saraiva tem e que não bate com o sistema da Amazon, totalmente focado no online. O que poderia ser algo positivo seria, no fim, um elefante branco com o qual a empresa teria que lidar.

Essa não seria a primeira vez que a Amazon compraria empresas com esse intuito: em 1998, a empresa comprou o BookPages, uma das maiores lojas virtuais de livros do Reino Unido à época, para poder chegar à terra da Rainha com estrutura e logística suficiente para manter sua fama vinda dos EUA. Hoje, você pode dar uma olhada no gigantesco armazém da Amazon no Reino Unido nestas fotos do Daily Mail.

Parece certo ser essa a forma definitiva que a Amazon encontrou para fincar sua bandeira no Brasil, mas se por um lado isso é bom (afinal é a Amazon no Brasil, certo?), por outro diminui a concorrência — mesmo mantidas as marcas/sites como eles se encontram hoje, o controle por um único grupo meio que padroniza os preços e práticas — algo que, pelo menos na parte dos livros, a Amazon se orgulha de ter. Por menos que você goste do Submarino ou por mais transtornos que ele já tenha lhe causado, será uma opção a menos. Ou, pela aparente voracidade que a Amazon demonstra segundo a nossa fonte, algumas opções a menos.

Estamos no aguardo de um posicionamento da B2W sobre o assunto e, assim que as tivermos mais informações, contaremos mais. Mas algo está bem claro: a Amazon quer chegar com força por aqui. [Foto: Zero2Cool_DE/FlickrObrigado, Fonte!]