Já é um fato amplamente aceito que estamos ferrados. Meio que em um sentido geral. Você, leitor, certamente não passará do ano 2100. E a civilização? Talvez conheça pessoalmente seu criador, por causa de bactérias resistentes a antibióticos ou uma guerra nuclear em 50 anos, ou pelo aumento do nível do mar em alguns séculos. Talvez seja um asteroide em alguns milhares de anos, ou o Sol engolindo o planeta em alguns bilhões de anos. Ou, talvez, um novo evento de extinção em massa resulte em um mundo apocalíptico de lagartos, o que é basicamente o que aconteceu na Austrália 35 milhões de anos atrás.

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Uma dupla de cientistas observou uma espécie (particularmente, de lagartos) vivendo e morrendo entre o Eoceno e o Oligoceno, uma época em que a Terra resfriou rapidamente e muitas espécies foram extintas. Mas o inferno de uma espécie é o habitat de outra, e a sobrevivência do mais apto significou que várias espécies de lagarto que acabaram prosperando no deserto se saíram muito bem no clima mais seco.

Pessoas que estudam nosso redondo planeta aceitam o fato de que houve cinco grandes extinções em massa. Talvez você tenha ouvido sobre aquela que, há 65 milhões de anos, levou os dinossauros. O evento de extinção entre o Eoceno e o Oligoceno não foi tão ruim, mas ainda assim acabou com várias árvores genealógicas, especialmente no oceano. 90% das espécies de moluscos morreram na Costa do Golfo dos Estados Unidos, de acordo com um estudo da Nature. As pessoas geralmente consideram o evento um resultado de um resfriamento global acelerado, de aproximadamente 5º C em menos de uma centena de milhares de anos, por causa de vulcanismo ou um meteoro.

Os pesquisadores usaram um enorme conjunto de dados, representando 90% dos chamados lagartos pygopodidae, incluindo fósseis e mudanças em moléculas biológicas como DNA, RNA e proteínas, para construir modelos computacionais que pudessem analisar a diversidade de espécies de lagarto australianas de dezenas de milhões de anos atrás. Eles notaram um declínio na diversidade de espécies em torno do evento entre o Eoceno e o Oligoceno, que presumiram ter sido decorrente da incapacidade dos lagartos de acompanhar o resfriamento e o ambiente em mudanças, além de outros fatores geológicos. Porém, novas espécies de lagartos começaram a nascer como resultado do ambiente seco (especialmente entre 20 milhões e dez milhões de anos atrás), populando o continente. Os pesquisadores publicaram sua análise no periódico Evolution, há duas semanas.

Porém, existe uma série de ressalvas a qualquer estudo que tente analisar comunidades de espécies de tanto tempo atrás. O estudo envolveu muita modelagem matemática, já que os pesquisadores não têm um fóssil para cada ponto de ramificação na árvore evolucionária em que acham que uma nova espécie surgiu, contou Richard Hulbert, gerente de coleções de paleontologia de vertebrados do Museu de História Natural da Flórida, em entrevista ao Gizmodo. “É uma grande suposição de todo este estudo que eles possam tomar esses pontos de ramificação e precisamente colocá-los em tempo geológico em uma escala numérica”, afirmou.

Além disso, tudo isso está acontecendo em escalas de tempo de milhões de anos. Se você lembrar o que eu disse anteriormente, você estará morto até 2100 e não notará esse nível de mudança de espécies durante sua vida. E os cientistas estão estudando apenas a história das espécies de lagarto na Austrália, então não podemos nos extrapolar tanto assim sobre, digamos, o que acontecerá com as girafas na África (embora tenhamos outros indícios de que as girafas, como vários outros animais, estejam caminhando rumo à extinção graças a atividades humanas).

Ainda assim, o estudo mostra que, embora muitas espécies tenham sido extintas, outras prosperaram no passado graças a mudanças climáticas rápidas.

“Estudos como esse, assim como estudos usando fósseis de verdade, nos permitem fazer tais previsões sobre o que potencialmente pode acontecer durante intervalos de mudança climática”, disse Hulbert.

Então, quem sabe, talvez o futuro será cheio de lagartos. Mas como eu sempre digo, tanto faz. Nada importa. O caos reina.

[Evolution]

Imagem do topo: Jessi Swick/Flickr