Você já pensou em realizar algum trabalho voluntário? Eu sempre pensei. Mas nunca tinha dado nenhum passo em direção a isso. Minto. Já tinha uma vez comprado meio contêiner de fraldas descartáveis num atacadão e tentado entregar um uma instituição de caridade. Dirigi até o fim do mundo, fui mal recebido e saí de lá com a sensação de que aquele gesto não tinha dado certo, de que talvez aqueles fraldas não chegassem a ser usadas do modo certo, de que aquele não era o melhor jeito de ingressar no mundo da filantropia e da responsabilidade social.

Bom. Quando você está à beira de fazer 40, como eu, algumas coisas começam a ganhar nova perspectiva. Retornar aos outros, à sociedade, ao país, um pouco daquilo que você conquistou, aprendeu, acumulou, é uma ideia bacana demais para ser mantida no acostamento. O mundo fica melhor quando você faz um gesto bacana a alguém – especialmente quando é alguém que realmente precisa e quando você não tem nenhuma expectativa de ganhar nada com aquilo além da certeza íntima de que fez a coisa certa. Você sai engrandecido.

A aventura humana na Terra fica um pouquinho mais decente – por obra sua. Então não estou nessa porque esse tipo de engajamento é uma prática comum nos países civilizados e eu gosto de me sentir civilizado. Não estou nessa porque estou com o burro na sombra, com tempo de sobra, sem nada para fazer – muito longe disso, diga-se… E nem estou nessa para posar de super herói em quadrinhos para os outros e para mim mesmo. Estou nessa pelo simples motivo de que é bom ser bom. Essa é uma descoberta interessante da maturidade. Fazer coisas legais compensa – e muito. E quem mais ganha com esse tipo de generosidade (o que você faz sempre volta para você, não esqueça disso) sou eu mesmo.

Quando abri essa porta em meu coração e em minha vida, recebi dias depois um telefonema a respeito. Não sou esotérico, mas sincronicidade é uma coisa que existe. Você só enxerga aquilo que se permite ver. Era o meu amigo Luiz Lara, dono da agência Lew, Lara, uma das maiores do país. Ao invés de comprar espaço de mídia no Gizmodo ou no Jalopnik, ele me pedia para conversar com o pessoal da Childhood International, a ONG fundada pela Rainha Sílvia da Suécia, que se dedica ao combate da violência e da exploração sexual de crianças e adolescentes. Luiz faz um trabalho voluntário, junto com suas empresas, para a Childhood, da qual também é Conselheiro. Fui lá conversar com eles e enxerguei ali a minha chance de fazer algo de bom pelos outros, de dar a minha parcela de contribuição por um mundo melhor.

Eles queriam reformular o site da Childhood e estavam nesse processo há mais de um ano, sem saber muito para onde ir. Ao invés de passar um orçamento, decidi doar algumas horas por semana para ajudá-los a repensar e a redesenhar a presença digital da Childhood. Dois meses depois – precisamente hoje – o novo site da Childhood foi ao ar. Estou feliz. Resolvi publicar isso aqui no Giz porque o bom combate da Chilhood tem na internet um ponto crítico. Então você pode e deve contribuir. Primeiro, não contribuindo de modo algum com o Lado Negro da Força. Depois, denunciando, se engajando, ajudando a cuidar desse nosso ambiente virtual sem dono. E publico aqui também para que você visite o novo site da Childhood. Entre lá e sugira, opine, ajude a completar a obra e a aparar as eventuais arestas. Entre lá e se inspire a doar também. Inspire-se a dar de si, a se tornar um ser humano melhor. Dinheiro e outros itens materiais são importantes para um monte de gente em necessidade. Mas seu tempo e seu talento também podem ser ainda muito mais úteis para um número ainda muito maior de pessoas. 



www.Childhood.org.br