Depois de mais de 24 horas com o iPhone X, passei maior parte do tempo tentando “quebrar” o Face ID, tecnologia de reconhecimento facial do celular. Em grande parte, o Face ID funcionou como descrito: desbloqueando meu celular quando estou sentada no escuro ou usando uma variedade de óculos. Ele funciona independentemente de meu cabelo estar para cima, para baixo ou sobre meu rosto. Mas nesta terça-feira, enquanto gravava uma live para o Facebook, mostrando a tecnologia, consegui meio que “quebrar” o Face ID.

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Primeiro de tudo, eu queria saber se o Face ID funcionaria quando meus olhos estivessem fechados. Em teoria, ele não deveria, já que rastreia o movimento dos seus olhos usando a combinação de luz infravermelha e câmeras para se certificar de que você está de fato lá, prestando atenção. Porém, eu não tive nenhum problema em desbloquear o celular enquanto meus olhos estavam fechados. Um colega até conseguiu desbloqueá-lo usando o meu rosto enquanto eu fingia dormir (veja no vídeo abaixo, a partir da marca de 16 minutos, mais ou menos).

Quanto ao que pode ter acontecido para que o Face ID não me reconhecesse em várias situações, tenho uma teoria que tem a ver com a combinação específica de fatores que usei na minha tentativa de quebrar a tecnologia.

O primeiro componente da minha teoria é a genética. Eu tenho olhos “encapuzados” que podem parecer fechados quando eu sorrio, então o Face ID pode ter dificuldades de entender o que é um sorriso e o que é sono.

O segundo está ligado aos meus óculos. Como você pode ver assistindo a qualquer vídeo de animoji que eu fiz, o Face ID teve dificuldades de rastrear meus olhos através dos meus óculos, que têm uma camada de proteção contra raios ultravioleta. A Apple disse que algumas formas de proteção contra UV em óculos poderiam afetar o Face ID. Então, usar esses óculos pode ter contribuído com a dificuldade do Face ID de ler meu rosto.

E o componente final foi a maquiagem que eu usei durante a transmissão no Facebook. Ela era muito forte, “alisando” meu rosto na câmera, além de ter dióxido de titânio entre seus ingredientes. O dióxido de titânio é um ingrediente conhecido em muitos tipos de protetores solares e, na verdade, reflete luz infravermelha. O que significa que a maquiagem exerce influência dupla, prevenindo os lasers infravermelhos de medir com precisão a profundidade dos marcadores em meu rosto e fazendo com que a câmera não pudesse usar seus algoritmos para fazer um mapa de profundidade aproximada do meu rosto, já que a maquiagem alisa bastante as coisas.

O Face ID reconheceu, sim, meu rosto com maquiagem depois de algumas tentativas. Ainda assim, quando a maquiagem foi combinada com meus óculos e meus olhos naturalmente “encapuzados”, isso tudo pareceu a receita pronta para o fracasso da tecnologia.

Entramos em contato com a Apple sobre nossa experiência, e nos disseram que estão investigando os pontos apresentados.

Imagem do topo: Alex Cranz/Gizmodo