O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, tem um orçamento para segurança pessoal e voos privados que provavelmente ofusca a grana gasta por qualquer grande celebridade ou autoridades de governo.

Desde 2015, Zuckerberg gastou cerca de US$ 20 milhões (cerca de R$ 68 milhões, em conversão direta) em segurança e viagens. A companhia arcou com US$ 5,8 milhões em 2016 e quase US$ 9 milhões no ano passado, de acordo com registros públicos.

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Conforme a reportagem da CNN, a empresa diz que o gasto é necessário para abordar “ameaças à sua segurança decorrentes diretamente de sua posição como nosso fundador, presidente e CEO” e que “exigem essas medidas de segurança para o benefício da empresa devido à importância do senhor Zuckerberg para o Facebook”.

A maior parte do custo aparentemente vai para a proteção pessoal de Zuckerberg. Dos US$ 8,9 milhões gastos com Zuckerberg em 2017, US$ 7,3 milhões foram para arranjos de segurança em sua casa e em viagens, o que inclui o custo com guarda-costas. Sheryl Sandberg, chefe de operações da empresa, recebeu US$ 2,3 milhões em “outras compensações” para seu programa de segurança pessoal, que ela mesma autorizou.

Embora não seja incomum que executivos tenham gastos cobertos por suas empresas, a escala dos gastos pode ser atípica, conforme reportagem da CNN:

Suas despesas [de Zuckerberg] com avião particular incluem taxas, combustível, tripulação e custos de serviço de buffet. E o Facebook paga pelo pessoal de segurança e sistemas de segurança em suas residências, de acordo com os documentos.

Não é incomum as empresas cubram esses tipos de despesas para CEOs e executivos de alto escalão. A Apple recentemente exigiu que seu chefe, Tim Cook, viajasse em avião particular para “todas as viagens pessoais e de negócios”, de acordo com documentos protocolados.

A Apple gastou cerca de US$ 317 mil em segurança e viagens de Cook no ano passado.

Dos US$ 317 mil gastos com Cook, aponta o Quartz, os vôos custaram cerca de US$ 93 mil e a segurança chegou a US$ 224 mil. (É claro, Cook provavelmente não é considerado tão culpado quanto o chefe da maior rede social do mundo.)

Só para efeito de comparação, em 2007 a Forbes noticiou que documentos da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos indicavam o CEO da Oracle, Larry Ellison, como o executivo de tecnologia com maior gasto em segurança – as despesas chegaram a US$ 1,8 milhão.

Um fator importante para se levar em consideração sobre os enormes custos de segurança e viagens de Zuckerberg em 2017 é a sua bizarra turnê pelo país, que envolveu sessões de fotos com pessoas aleatórias de todo os Estados Unidos.

Essa turnê geralmente envolviaa o CEO do Facebook e um bando de assessores, colegas executivos e, presumivelmente, pessoal de segurança. Zuckerberg geralmente se metia em situações que pareciam com a de campanhas políticas.

Embora sua empresa esteja sob o fogo cruzado por ter vazado quantidades enormes de dados pessoais de seus usuários, Zuckerberg parece preferir discrição quando se trata de sua vida pessoal. De acordo com o Guardian, o Facebook tem um time de segurança interna que às vezes é chamada de “polícia secreta de Mark Zuckerberg”.

Rumores na Page Six, uma seção do tabloide New York Post, sugere que são até 16 guardas trabalhando em turnos, o que provavelmente significa que ele tem vários guarda-costas em todos os momentos – e isso foi no início de 2016, quando os documentos do Facebook mostravam que os gastos com a segurança eram menores.

[CNN]

Imagem do topo: AP