O Facebook deu início à F8, sua conferência de desenvolvedores, nesta terça-feira, em grande estilo, com Mark Zuckerberg anunciando uma nova e ambiciosa plataforma de realidade aumentada que permitirá às pessoas sobrepor imagens digitais em fotos e vídeos no Facebook.

• A nova experiência de realidade virtual do Facebook é socializada (e solitária)
• A nova realidade aumentada do Snapchat é meio boba, mas parece mágica

“Faremos da câmera a primeira plataforma mainstream de realidade aumentada”, disse Zuckerberg. Ele explicou que a plataforma em si começou nesta terça, em beta fechado, e irá ajudar milhares de desenvolvedores de todo o mundo a construir filtros únicos para a câmera. Esses filtros eventualmente estarão em todas as diferentes propriedades comandadas pelo Facebook, incluindo Instagram, Messenger e Whatsapp, disponível para download de graça.

“Você conseguirá ligar sua câmera e passar pelos efeitos: máscaras, molduras de arte, transferência de estilos”, contou. “Mas em vez de ter apenas algumas opções a partir das quais escolher, você terá milhares.” Atrás de Zuckerberg, uma imagem de uma opção de filtro expandido mostrou a metade de baixo da tela de câmera de um celular. Parecia similar a uma App Store, mas, em vez de aplicativos, havia milhares de diferentes filtros de câmera.

A atualização poderia ser uma mudança enorme para o Facebook, que até agora dependeu enormemente de texto e fotos para a produção de conteúdo original. O lançamento dessas capacidades de realidade aumentada poderia encorajar mais pessoas a compartilharem, em uma época em que as pessoas estão começando a compartilhar menos no Facebook. Então, com tudo isso em mente, aqui estão cinco coisas que você deveria saber sobre o novo esforço do Facebook em realidade aumentada.

1) O Facebook sabe exatamente onde você está

jhhazb6js2kj8jrgsjrw

Os novos efeitos de câmera do Facebook estão fazendo muito mais do que analisar informações coletadas a partir de sua câmera. A nova plataforma de realidade aumentada irá permitir aos desenvolvedores também utilizarem dados de localização precisa para determinar como as imagens digitais são exibidas.

Um exemplo de como isso pode funcionar é em um restaurante. Seu amigo conseguirá deixar um bilhete de realidade aumentada no cardápio, te avisando que item é o melhor ou qual o pior quando você aponta sua câmera para ele.

Outro exemplo é se você está em uma celebração, como a véspera de ano novo ou uma festa de aniversário. O Facebook poderia usar um filtro de realidade aumentada para preencher a cena com confetes ou transformar o bar em um aquário ou em qualquer outra decoração, correspondente com a situação. Os exemplos básicos são parecidos com os geo-filters do Snapchat, mas com usos mais sofisticados, porque irá permitir que você deixe objetos digitais para trás, para que seus amigos descubram.

2) O Facebook sabe exatamente o que você está vendo

rpowlb7i2uas87ox1bxm

É aqui que as coisas começam a ficar um pouco malucas, e potencialmente assustadoras, para pessoas sensíveis. O Facebook já é dono e usuário de maioria dos softwares de reconhecimento avançado de objetos no mundo; agora, está abrindo algumas dessas capacidades para desenvolvedores.

Isso significa que, se você está tirando uma foto de uma caneca de café, o Facebook conseguirá detectar esse objeto específico e servir diferentes imagens ou efeitos digitais baseados nisso. Ele poderia, por exemplo, mostrar uma explosão de confetes para encorajá-lo a começar seu dia ou criar uma réplica digital de objetos. As opções são basicamente ilimitadas.

A razão pela qual isso é assustador é porque essa é apenas mais uma via para o Facebook engolir informações sobre sua vida pessoal. Ele já sabe muitos dos lugares que você visita, notícias que você lê e coisas que você curte. Agora, por meio do uso da câmera, ele conseguirá ver a sala em que você está e detectar coisas como uma lata de Coca-Cola ou um enfeite de mesa. No fim das contas, essa informação será usada para enviar mais anúncios direcionados para você.

3) Desenvolvedores podem adicionar anotações a basicamente qualquer coisa

gexeinwrpzs4jxx1d4yd

Uma das principais utilidades da nova plataforma de realidade aumentada do Facebook irá permitir aos desenvolvedores dispor camadas de cartões de informações digitalmente ao mundo real. Zuckerberg usou o exemplo de visitar o Coliseu e segurar um telefone para saber mais sobre a história e a estrutura da construção.

Esse tipo de cartão de informação poderia se provar muito útil, e é difícil até mesmo imaginar todos os diferentes casos de uso para algo assim. Basicamente, imagine conseguir acrescentar uma anotação a quase qualquer objeto do mundo real para que seus amigos (ou outros) possam vê-la depois. As novas ferramentas de realidade aumentada que o Facebook está oferecendo aos desenvolvedores vão possibilitar isso.

4) Desenvolvedores podem acrescentar objetos digitais a qualquer ambiente

jdzbclzsvejddritvxlx[1]

Um dos elementos mais malucos da plataforma irá permitir aos desenvolvedores acrescentar objetos digitais ao mundo real. Zuckerberg usou Pokémon Go como um exemplo ao falar disso no palco, mas mencionou que em breve se tornará algo muito mais sofisticado.

Em vez de conseguir ver um pequeno Pikachu a uma quadra da sua casa, o Facebook irá possibilitar aos desenvolvedores acrescentar quase tudo ao mundo real. Isso significa que você poderá descobrir os mais diversos tipos de coisas malucas enquanto checa os novos filtros de câmera conforme eles são desenvolvidos. Imaginamos que isso possa funcionar mais ou menos como o World Lenses do Snapchat, mas oferecendo uma variedade muito maior de objetos que podem ser colocados em seu ambiente no mundo real.

5) Tornar a realidade aumentada algo mainstream é uma enorme batalha

rwowcj5whpwaguvjd7uv

O próprio Zuckerberg admite que isso levaria um tempo para decolar. “Levará um tempo para se desenvolver. Sua experiência não irá mudar dramaticamente da noite para o dia”, disse, durante seu discurso. “Ao longo do tempo, acho que será uma tecnologia muito importante, que realmente muda como usamos nossos telefones e, eventualmente, toda a tecnologia.”

Mas o Facebook não é a primeira empresa a reconhecer essa tendência inevitável e tentar capitalizar sobre ela. O esforço inicial do Google para popularizar o Google Glass é um dos fracassos de produtos mais notórios da última década, e o Facebook provavelmente enfrentará o mesmo tipo de desafio enquanto tenta popularizar seus efeitos de câmera. Vale também mencionar que o Snapchat desempenhou um papel importante ao popularizar essa tendência, e o Facebook tem sido amplamente ridicularizado por copiar o Snapchat.

Zuckerberg também admite que ele demorou para embarcar nessa ideia e quase acabou dando crédito ao Snapchat por identificar a tendência. “Mesmo que tenhamos sido meio lentos para acrescentar câmeras a todos os nossos aplicativos”, disse Zuckerberg, “agora estou confiante de que vamos impulsionar essa tecnologia.”