Os esforços do Brasil para estabelecer um programa espacial relevante continuam falhando. Ontem, às 13:26 do horário de Brasília, o satélite sino-brasileiro CBERS-3 foi lançado pelo foguete chinês Longa Marcha 4B do Centro de Lançamentos de Satélites de Taiyuan, China, mas a propulsão do lançador falhou nos onze segundos finais e o CBERS-3 acabou caindo, provavelmente no mar da Antártida.

A propulsão do foguete deveria durar 16 minutos para que o CBERS-3 chegasse à órbita e à velocidade certas, mas foi interrompida aos 15 minutos e 49 segundos, momento em que satélite e foguete se separam.

O CBERS-3, que carregava duas câmeras brasileiras e duas chinesas, havia custado cerca de $250 milhões e poderia funcionar por até três anos. O satélite levou oito anos para ficar pronto e seu projeto, no qual foram investidos R$289 milhões, sofreu vários atrasos. O objetivo do satélite para o Brasil era analisar e monitorar o desmatamento da floresta Amazônica, além de auxiliar algumas nações africanas no monitoramento de suas matas. As causas da falha ainda não foram descobertas e a apuração dos motivos que levaram o foguete a parar de funcionar pode levar pelo menos um mês.

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Oswaldo Duarte Miranda, vice-diretor do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), declarou que “Não houve fracasso. Depois do lançamento, o satélite foi liberado, fez os procedimentos que se esperava dele. Liberou o painel solar, abriu de forma completa, testou o computador de bordo. Os testes indicaram que energia, telemetria e telecomunicações, tudo estava funcionando.”

O programa espacial brasileiro trabalha junto com a China desde 1988, quando foi criado um acordo de cooperação. Desde então, a pesquisa e construção de satélites em parceria tem sido a prioridade do INPE, o que gerou críticas pelo fato de outros programas espaciais exclusivamente brasileiros terem sido deixados de lado em favor das pesquisas feitas em conjunto com os chineses.

Com a queda do CBERS-3, o novo desafio do INPE passa a ser o  CBERS-4, satélite igual ao que caiu.  Embora o satélite já esteja pronto, ainda é necessária uma integração com os equipamentos chineses, processo que pode levar até 14 meses e está previsto para ficar pronto em 2015.

Como a parte do lançamento do satélite era responsabilidade da China, segundo Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, é possível que o Brasil não tenha que arcar com os custos do lançamento do CBERS-4.

[Via Folha de São Paulo e INPE / Imagens: INPE]