Há tempos não se vê um êxodo rural tão grande. Na última semana, 600 mil usuários ativos de Farmville abandonaram suas fazendas do Facebook. O mesmo aconteceu em outros jogos da produtora Zynga (como Mafia Wars), que perdeu 4,2 milhões de usuários ativos em uma semana. Aumento no preço dos fertilizantes? Não. Consequência de uma nova política do Facebook que limpou minha timeline.

A rede social limitou no último mês as mensagens automáticas dos jogos sociais, por considerá-las publicidade gratuita. Então, aquela coisa chata de "fulano plantou 3 pés de pé-no-saco" não se mistura mais às atualizações relevantes dos seus amigos. Antes aliados sem reservas, Facebook e Zynga travam hoje uma guerra fria. A produtora está faturando alto com jogos "gratuitos", já que as pessoas parecem não conseguirem parar de comprar sementes especiais: a Zynga foi a segunda maior cliente do PayPal. Isso, às custas do ambiente do Facebook, que reúne os viciados consumidores em potencial.

Como o Facebook vai faturar com isso? A rede social testa agora "créditos de jogo" que poderiam ser usados em qualquer joguinho. O Facebook ficaria com 30% do dinheiro arrecadado com o dinheiro de mentira e seria o Banco Central da coisa – até porque teria, de certa forma, de regular preços para a moeda única fazer sentido. A Zynga não curte a ideia. Mas o que fazer? Se mudar pro Orkut, onde já existe o pirata Colheita Feliz?

É claro que ainda há uma enormidade de gente usando o Farmville (mais de 100 milhões de fazendeiros), e as recentes perdas, apesar de serem números grandes, representam menos de 2% dos usuários ativos. Mas vai ser interessante ver como o Facebook vai lidar com esses "jogos gratuitos". Eu acho que o Ministério de Saúde e do Trabalho deveriam intervir. O tanto de gente que gasta muito tempo nisso é questão nacional (ou internacional). [Businesweek via Kotaku].