O site oficial do Ig Nobel diz que o prêmio é dado a “conquistas que primeiro fazem você RIR, depois fazem PENSAR”. Em 2008, Dorian M. Raymer e Douglas E. Smith ganharam este prêmio por explicarem o motivo de fios – como fones de ouvido – formarem nós espontaneamente. É hora de relembrar (ou descobrir!) a explicação científica por trás disso.

O Business Insider resgatou o estudo “Amarração espontânea de um fio agitado”, publicado em 2007, que ainda hoje é o trabalho mais citado para explicar por que fones de ouvido viram um emaranhado quando estão na bolsa ou mochila.

Os físicos fizeram um experimento: jogaram um fio em uma caixa e a giraram por dez segundos. Isso foi repetido 3.415 vezes, variando o comprimento e grossura do fio, o tamanho da caixa e sua velocidade de rotação.

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Depois, os cientistas fotografaram os fios (as linhas finas acima) e deixaram que um computador analisasse cada tipo de nó, criando uma representação matemática de cada fio – são as linhas grossas acima. Isso permitiu analisar cada nó com maior precisão. Do BI:

[O estudo] revelou que um fio com menos de 46 cm de comprimento quase nunca vai se emaranhar em si mesmo quando selado dentro de uma caixa em rotação… Mas entre 46 cm e 150 cm, a probabilidade de um nó se formar aumenta drasticamente. Com um fio mais longo que isso, a probabilidade de um nó se formar atinge um patamar próximo a 50%.

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A maioria dos fones de ouvido tem comprimento próximo a 1,5 m, dando uma chance maior que 40% de formar nós. Mas, como lembra o BI, isso pode na verdade ser maior, já que o fone de ouvido não é um fio contínuo, e sim em formato de Y.

O estudo também mostra que, mesmo se você enrolar o fio em um círculo – a forma mais comum – ele pode formar nós dentro do seu bolso:

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Então por que seus fones de ouvido viram um emaranhado? É uma combinação de pelo menos três fatores:

  • comprimento do cabo: fones de ouvido têm o comprimento ideal para formarem nós espontaneamente;
  • espessura do cabo: quanto mais fino o fio, maior a chance de formar nós, e fones de ouvido raramente usam cabos grossos;
  • espaço que o cabo pode ocupar: na bolsa ou mochila, aumenta a probabilidade de formação de nós.

O que fazer para evitar isso? Douglas E. Smith, um dos autores do estudo, diz à Wired:

Smith sugere uma abordagem que ele aprendeu de equipes de resgate que pendem de penhascos e helicópteros, onde uma corda emaranhada pode ser fatal. “Eles colocam uma extremidade da corda em um saco, e em seguida deslizam o restante para fora…”, diz Smith. Isto mantém as extremidades distantes umas das outras, evitando a formação de nós.

Ou seja, para reduzir a chance de emaranhados, mantenha uma das pontas longe da outra quando você guardar o fone na bolsa ou mochila. E caso você tenha tempo de enrolá-los, faça isso do jeito certo seguindo este guia do Lifehacker.

O estudo completo está aqui: [PNAS via Business Insider via Science Alert]

Imagens por Robert S. Donovan/Flickr e Raymer & Smith