O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaz Sharif, irá deixar o cargo imediatamente, seguindo uma decisão história da Suprema Corte do país. Sharif tem enfrentado acusações desde o ano passado, quando documentos vazados aparentemente mostravam que sua família tinha riquezas escondidas em empresas fantasmas no exterior. No começo desse mês, investigadores revelaram que documentos financeiros cruciais fornecidas pela família Sharif utilizava da fonte Calibri da Microsoft, mas tinham datas de antes da liberação da fonte para o público.

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Os cinco membros da Suprema Corte decidiram de forma unânime nesta sexta-feira que Sharif será desqualificado de ocupar um cargo público, alegando que ele foi “desonesto com o Parlamento e com o sistema judicial”, de acordo com a CNN. Um porta-voz do partido de Sharif, o PMLN, depois deu uma declaração que dizia: “Nawaz Sharif deixará de ser o primeiro-ministro do Paquistão apesar de ressalvas a respeito do veredito”. O gabinete do primeiro-ministro também será dissolvido.

As finanças da família de Sharif começara a ser apuradas depois do vazamento de 11,5 milhões de documentos conhecido como Panama Papers. Os documentos supostamente hackeados identificaram muitas pessoas poderosas as redor do mundo e destacou como eles escondiam o dinheiro por meio de empresas fantasmas. O nome de Sharif estava no vazamento e uma investigação sobre as finanças de vários de seus familiares começou imediatamente depois.

A investigação foi concluída no começo desse mês e o relatório final identificou diversas instâncias de irregularidades. Mas foi o uso de uma fonte de Microsoft em um documento que deveria existir antes da existência da Calibri que serviu como ponto principal, mobilizando o público para condenar Sharif. Sua filha, Maryam Sharif, tweetou uma imagem de um documento de informação em novembro, que era datado de 2006. Quando os investigadores o examinaram, perceberam que o papel não poderia ser legítimo porque a Calibri foi lançada para o público em 2007. Usuários das redes sociais começaram a utilizar a hashtag #Fontgate como uma referência a todas as coisas relacionadas com a corrupção da família.

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Entre as descobertas, os investigadores disseram que os filhos de Sharif não declararam a propriedade de três empresas offshore que fecharam negócios avaliados em pelo menos US$ 25 milhões. Eles também afirmam que Sharif foi o presidente do conselho de uma empresa chamada Capital FZE, registrada nos Emirados Árabes Unidos. Essas coisas não necessariamente seriam ilegais no Paquistão, mas a família precisa declarar formalmente o envolvimento.

Para o Paquistão, essa história não é nada nova. Nenhum primeiro ministro civil terminou seu primeiro mandato completamente durante os 69 anos de história do país. Essa também não é a primeira vez que Sharif é forçado a deixar seu cargo. Ele foi deposto por Pervez Musharraf em 1999 por meio de um golpe militar e ficou preso sob acusações de apropriação e corrupção. Um acordo foi negociado para libertá-lo seis meses depois. Após passar algum tempo em exílio, Sharif conseguiu ser reeleito em 2013. A decisão da Suprema Corte nesta sexta deve impossibilitá-lo de ser eleito novamente no futuro, mas nunca se sabe. Musharraf comemorou a decisão da justiça pouco depois que ela foi determinada, dizendo à CNN que “ela deveria ter sido finalizada muito antes, mas de qualquer maneira, antes tarde do que nunca”.

No momento da revelação de que a fonte não poderia ter sido usada no documento de divulgação da filha de Sharif, houve uma disputa sobre a data atual da disponibilidade pública da Calibri. Isso não parece importar muito agora.

[Bloomberg]

Imagem do topo: Getty