Luis Carlos de Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, está nos Estados Unidos para participar de um painel sobre condições de trabalho. O sindicato em questão representa os funcionários da Foxconn do Brasil. Luis viajou até os EUA para explicar como a subsidiária brasileira da Foxconn segue à risca a lei trabalhista daqui e, mesmo assim, tem índices de produtividade maiores que os da China. IMPOSSIBRU!? Parece que não.

À parte as lendas e mentiras sobre as condições de trabalho na Foxconn chinesa, é fato que o trabalho é extenuante e que a empresa não respeita integralmente os direitos dos trabalhadores por lá, como demonstrou o detalhado relatório da Fair Labor Association. Não só a Apple, praticamente toda a indústria de eletrônicos tem um pé na China e comunga dessa estratégia suspeita. Justificam a opção pela mão de obra barata e em abundância, itens que se traduziriam em maior produtividade a custos bem menores.

Mesmo com 30 dias de férias remuneradas contra 5 da China, máximo de 5 dias de trabalho seguidos contra até 11 de lá e jornada de 44h semanais contra as de até 60h do outro lado do mundo, os números da Foxconn de Jundiaí são superiores, comparativamente, aos da China. A reportagem da CNet credita à participação ativa do sindicato nas negociações com a empresa o sucesso na garantia dos direitos trabalhistas dos funcionários daqui. Na China, isso é um problema sério, com sindicatos corruptos e representantes escolhidos pelos empregadores.

Apesar da boa notícia de que dá para ser competitivo sem sacrificar vidas a troco disso, é importante colocar na conta as diferenças gritantes entre Brasil e China no que diz respeito à Foxconn. Enquanto lá as fábricas são a moradia e o local de trabalho de centenas de milhares de pessoas, por aqui são apenas 8 mil funcionários — e desses, apenas 1200 estão envolvidos com a produção de iDevices; o resto trabalha na montagem de notebooks, impressoras e monitores para empresas como HP e Dell. Com menos gente para coordenar, é mais fácil fazer um trabalho melhor. As tradições e a cultura/mentalidade trabalhista também são diferentes, o que talvez ajude a justificar o desequilíbrio entre produtividade e garantias observado. E para quem está procurando um trampo na Foxconn, boa notícia: até o meio do ano, espera-se que o número de funcionários salte de 1200 para 6 mil.

Luis diz o velho (e verdadeiro) mantra: “trabalhador satisfeito produz mais e melhor.” Seria a Foxconn do Brasil uma espécie de modelo para a produção em larga escala de equipamentos eletrônicos em harmonia com direitos trabalhistas dignos? [CNet]