Imagine quão legal seria se seus pais soubessem que precisavam trocar sua fralda antes mesmo de você chorar e incomodar pessoas que estão a um raio de 30 km. Uma equipe de pesquisadores japoneses da Universidade Ritsumeikan pensou nisso e agora eles estão trabalhando em uma fralda com um sensor de urina que diz exatamente quando é tempo de trocá-la.

O Japão está usando adesivos de QR code para identificar idosos

A equipe tem trabalhado neste dispositivo há alguns anos, porém a motivação não foram bebês, mas pacientes idosos que sofrem de incontinência urinária.

Porém, roduzir um sensor para fralda tem sido um desafio. Eles primeiro desenvolveram um sensor de urina, no entanto, ele era tão rígido que não podia ser colocado na fralda. Avançando nos estudos, eles criaram uma bateria flexível embutida e um novo sensor, porém a bateria continha elementos químicos potencialmente perigosos e o tempo de carga dela variava.

O sensor mais recente criado por eles, que foi publicado no ano passado no periódico IEEE Sensor Journal, supera todos estes problemas.

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A parte mais importante do sensor é que a bateria é ativada pela urina. As baterias operam baseadas no funcionamento de dois eletrodos separados por um eletrólito. Apesar de o estudo não dizer explicitamente, parece que a urina atua como um eletrólito permitindo que haja fluxo de energia entre os dois eletrodos.

Os cientistas embutiram dois eletrodos flexíveis em uma fralda descartável para testes. A bateria foi anexada a um pequeno capacitor para armazenar a eletricidade gerada e um transmissor que pode ser usado para transmitir o sinal para um receptor a uma distância de até 5 metros.

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A equipe testou a bateria e deu certo. O próximo passo deles é fazer testes de campo com pessoas reais. Importante notar que a tal bateria gera uma energia de menos de 100 microwatts, então não há chances do usuário ser eletrocutado.

Já existem outras fraldas tecnológicas interessantes. Uma outra equipe de pesquisadores japoneses criou um sensor descartável em 2014, e o Gizmodo já falou de um sistema descartável baseado em QR code que pode verificar infecções urinárias. No entanto, esta super fralda não transforma a parte inferior do usuário em uma grande bateria.

As fraldas ainda não estão disponíveis no mercado, mas vou deixar vocês com este trecho (em inglês) de uma reportagem feita com Tanaka Ami, da Universidade Ritsumeikan e uma dos desenvolvedoras dessas fraldas, que fala sobre a motivação e viabilidade comercial do projeto:

Quase todo mundo se distancia ao dizer que elas vão ter de trabalhar com urina, mas a curiosidade dela não permitiria isso. O fato é que há eletrólitos em nossa urina. Perceber isso, fez com que ela criasse um modelo de fralda que envia um sinal quando alguém faz xixi. Contudo, mesmo que a energia seja gerada, ela não era nem um centésimo do que era necessário. Sem nenhum exemplo prévio para trabalhar, ela teve falhas. No entanto, após centenas de testes, a eletricidade ficou armazenada em um condensador, e assim foi criado um novo sistema para gerar energia.

Pela primeira vez, foi desenvolvido um sistema sem bateria e sem fio que pode ajudar a notificar cuidadores sobre fraldas molhadas. E embora tenha levado cinco anos para ser feito, deve ler um pouco menos para se transformar em um produto comercial. “Ao resolver estes pequenos problemas diários, sinto que o mundo vai ficar um pouco melhor”, disse ela. Até 2050, um terço dos japoneses deve ter idade acima dos 65 anos. A curiosidade dela ajudou a iluminar o futuro de nossa sociedade quem tem envelhecido rapidamente.

[Nikkei Technology]

Foto do topo por SellersPatton/Flickr