Parece que a Foxconn brasileira, que antes recebia elogios até do sindicato, se descuidou: funcionários denunciaram problemas como falta d’água, alimentação ruim e transporte precário. Por isso, o sindicato diz que cerca de 2.500 trabalhadores ameaçam greve a partir da semana que vem.

O Jornal de Jundiaí informa que os funcionários de uma das fábricas da Foxconn podem entrar em greve a partir de 3 de maio, caso a empresa não resolva os problemas denunciados ao sindicato.

O estopim foi a falta d’água na unidade da rodovia Anhanghuera, onde a Foxconn concentra a fabricação de produtos da Apple. “Não havia água sequer para fazer comida”, diz Evandro Santos, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí. Depois que o sindicato reclamou, a Foxconn contratou caminhões-pipa e trouxe comida de outra fábrica da empresa – mas era tarde para conter a insatisfação.

Um problema puxou outro: os funcionários apontaram que “a qualidade da refeição é muito ruim e o tempo de espera nas filas para alimentação é enorme”, segundo Evandro. Além disso, o número de funcionários cresceu, mas a frota de ônibus para levá-los às fábricas continua a mesma: “muitos trabalhadores são obrigados a viajar em pé” no ônibus, diz Evandro.

Luis Carlos de Oliveira, vice-presidente do sindicato, foi aos EUA para mostrar como a Foxconn brasileira segue à risca a lei trabalhista no país e, mesmo assim, é mais produtiva que as fábricas chinesas. E disse o velho ditado: “trabalhador satisfeito produz mais e melhor” – mas agora, ao que parece, eles estão insatisfeitos. Tome providências rápido, Foxconn: todos estão de olho. [Jornal de Jundiaí via MacMagazine via The Next Web]

Foto por Nadkachna/Wikimedia