A Foxconn, fabricante chinesa de produtos para gigantes como HP, Sony e Apple – e lar de funcionários exauridos – se comprometeu a substituir funcionários por um milhão de robôs. Em vez de chineses fazendo iPads, robôs fazendo iPads. Peraí, teremos mais robôs na Foxconn do Brasil também?

A imagem da Foxconn já sofreu bastante nos últimos anos, com explosões em fábricas, suicídios constantes e constante atenção da mídia. Então parece natural que eles queiram divulgar uma notícia boa, uma novidade para proteger seus funcionários. Assim, Terry Gou disse na sexta-feira que a empresa quer aumentar aos poucos a presença robótica nas fábricas nos próximos três anos. Hoje, há 10.000 robôs fazendo tarefas simples e repetitivas. Ano que vem, o número deve crescer para 300.000, e deve chegar a um milhão em 2014.

Mas qual o real motivo para a Foxconn usar robôs? Segundo dois analistas consultados pela Reuters, o motivo é um só: os salários dos funcionários na China estão aumentando demais. Substituindo-os por robôs, a empresa consegue segurar os custos. Mas se isso é verdade, por que a Foxconn quer expandir suas operações no Brasil, onde os funcionários custam mais caro?

A Foxconn não mencionou o Brasil quando divulgou a decisão da empresa de aumentar a automação usando mais robôs. A empresa disse, no entanto, que quer “levar os funcionários de tarefas mais rotineiras para posições com maior valor agregado na fabricação, como pesquisa e desenvolvimento, inovação e outras áreas”. Ou seja, eles querem mais funcionários qualificados – e, como sempre, quem não tiver qualificação e experiência deve pagar o preço da automação.

A Foxconn emprega hoje 1,2 milhão de funcionários, dos quais cerca de 1 milhão estão na China. [Xinhua News via AllThingsD; Reuters]

Foto por Bert van Dijk/Flickr