Você não lê por aí muitas notícias sobre vírus para Mac. Mas eles existem, e no último ano, com o enorme crescimento de vendas das máquinas com a plataforma OS X e mais e mais pessoas usando o sistema, encontramos mais notícias do que nunca sobre o assunto. É claro que a Apple não gosta disso. E o Gatekeeper, uma das novas funções do OS X 10.8, o Mountain Lion, é a controversa e provavelmente polêmica solução para isso.

Para explicar o que é o Mountain Lion, John Gruber, do Daring Fireball, que está testando o sistema há uma semana:

No entanto, minha novidade favorita do Mountain Lion é algo quase invisível na interface. A Apple o chama de “Gatekeeper”. É um sistema onde os desenvolvedores podem se cadastrar de graça com seus Apple IDs e enviar dados criptografados de seus aplicativos. Se alguém descobrir que um aplicativo é um malware, a Apple pode retirar o certificado do desenvolvedor, eliminar o aplicativo (além de outros aplicativos do mesmo desenvolvedor), e removê-lo de todos os Macs em que ele tenha sido instalado. Em tese, ele oferece os benefícios de segurança da App Store, mas elimina o processo de aprovação de apps da Apple.

Ou seja, caso a Apple descubra que um aplicativo é malicioso, ela não irá apenas atrás de seu desenvolvedor e do software, ela irá desligar o app em qualquer computador que tenha baixado-o. O usuário, claro, pode optar por não aceitar apenas apps certificados — há, nas configurações, três opções no Gatekeeper:

• Instalar apenas aplicativos da App Store
• Instalar apenas aplicativos da App Store ou aqueles que tenham sido cadastrado por um desenvolvedor
• Instalar qualquer aplicativo, cadastrado ou não

Por padrão, o Mountain Lion virá com a segunda opção marcada. Para John Gruber, a opção parece natural: “essa opção padrão beneficia o usuário ao aumentar a segurança, e também beneficia os desenvolvedores, impedindo que qualquer um crie o software malicioso que quiser para Mac, sem processo de aprovação”. No entanto, como lembra Nilay Patel, do The Verge, a Apple dependerá da confiança dos desenvolvedores no sistema — eles precisarão aderir ao formato de envio de software.

Segundo Patel, a Apple faz questão de frisar que o Gatekeeper surge não para controlar ou fazer uma curadoria no desenvolvimento de apps, mas sim para deixar os apps mais confiáveis e seguros. Sem dúvida é mais um passo no objetivo da Apple de aumentar a relevância de sua App Store — que já contabiliza mais de 100 milhões de downloads até dezembro e que é fonte de vários dos apps que mais gostamos da plataforma.

Como já vimos no iOS, a Apple gosta de exercer um rígido controle de qualidade sobre o que é vendido em suas lojinhas. O Gatekeeper surge para aumentar essa segurança no desktop, como um homenzarrão que confere o RG dos desenvolvedores diariamente. Resta saber: ele fará o tipo segurança truculento ou nós sequer repararemos em sua existência? E qual das três opções oferecidas pelo Gatekeeper será mais utilizada pelos usuários? [Daring Fireball e The Verge]