O Gizmodo Brasil foi lançado há cinco anos, em setembro de 2008, e muitas coisas que eram populares e extremamente importantes naquela época já não estão entre nós para contar história. Ao olhar para trás e perceber tudo aquilo que já foi grande e em tão pouco tempo ficou para trás, fica mais claro o momento maluco que vivemos em tecnologia, e nosso esforço em traduzi-lo para vocês.

Veja abaixo a lista do que desapareceu diante de nossos olhos nos últimos cinco anos. Descansem em paz.

Ônibus espaciais

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O fim de uma era mais significativo nos último cinco anos é certamente o encerramento das missões de ônibus espaciais dos Estados Unidos. O projeto foi proposto no fim da década de 60 pelo então presidente Richard Nixon, no auge da Guerra Fria, e surgiu como sucessor dos foguetes Apollo. Ao contrário do projeto Apollo, os ônibus eram lançados como foguete, mas voltavam para a Terra como uma aeronave, podendo ser reaproveitados em novas missões.

O primeiro voo de um ônibus espacial aconteceu em 1981 e consolidou o domínio norte-americano da corrida espacial. Ao todo, cinco espaçonaves foram construídas pela NASA: Columbia, Challenger, Discovery, Atlantis e Endeavour. Entre as missões mais importantes dos ônibus espaciais estão as viagens para levar equipamento para a Estação Espacial Internacional e o lançamento em órbita do telescópio Hubble, em 1990, que segue em operação até hoje.

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Mas nem só de glórias é feita a história dos ônibus espaciais. O primeiro acidente aconteceu em 1986, quando o Challenger explodiu no ar 73 segundos após sua 25ª decolagem. Os sete tripulantes morreram. Em 2003, o Columbia se desintegrou durante a entrada na atmosfera terrestre na fase final de sua 28ª missão espacial. Todos os sete tripulantes também morreram no acidente. As duas tragédias foram transmitidas ao vivo pela TV.

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A falta de recursos da Nasa e a obsolescência dos ônibus espaciais colocaram um fim ao programa em 2011. Em 8 de julho daquele ano, apenas quatro astronautas deixaram a órbita terrestre no Atlantis para levar peças para a Estação Espacial Internacional. A última missão do ônibus espacial pousou no dia 21 de julho de 2011, encerrando um período de 30 anos e 135 viagens espaciais patrocinadas pelo governo dos Estados Unidos. Agora, as viagens espaciais são privadas e já estão em andamento, mas falamos disso na lista de novidades dos últimos cinco anos.

Kodak e Polaroid

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A fotografia digital já é mainstream há mais de uma década, mas não deixa de ser chocante ver duas das marcas mais emblemáticas de filmes encerrando suas operações. A Polaroid sucumbiu primeiro, ao fabricar o último filme original em dezembro de 2008. Seis meses depois, em junho de 2009, a Kodak anunciou o fim da produção do filme Kodachrome, após 74 anos, para focar na fotografia digital. A estratégia não deu certo e, em janeiro de 2012, a Kodak se declarou incapaz de pagar suas dívidas e está em processo de recuperação judicial.

Mas a história da fotografia analógica não termina tão triste. Logo após a Polaroid anunciar que não iria mais produzir seus filmes, um grupo de investidores comprou a última fábrica da empresa em Enschede, na Holanda, e continua exportando os filmes instantâneos sob o condinome de Impossible. A Kodak mantém sua luta na Justiça para não fechar as portas de vez.

Palm

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Se tem uma coisa que podemos falar sobre a Palm, empresa de hardware e software no mercado mobile, é que estava no lugar certo, mas na hora errada. Fundada em 1992, a Palm lançou quatro anos depois o PalmPilot, aparelho que ajudou a popularizar o restrito mercado de Personal Digital Assistants (PDA). A ideia de um gadget que concentrava todas as informações do usuário, uma espécie de “assistente” pessoal para as tarefas do dia a dia, acabou evoluindo e se transformou no onipresente smartphone dos dias de hoje.

Bem que a Palm tentou surfar no mercado dos smartphones com o lançamento da linha Treo, em 2003. Os aparelhos usavam o sistema operacional Palm OS, desenvolvido inicialmente para os PDAs, e apesar de ter sido uma das precursoras do mercado mobile, a Palm não conseguiu competir com os smartphones mais modernos.

A empresa foi comprada em 2010 pela HP, que encerrou a fabricação de hardwares da Palm e passou a usar o sistema operacional Palm OS, agora batizado de WebOS, em seus produtos, como o HP TouchPad. Mas isso é uma outra história.

Symbian

Em um passado não muito remoto, quando o maravilhoso mundo dos celulares ainda não era disputado por fanboys do iPhone e do Android, um sistema operacional mobile dominava praticamente todo o mercado. O Symbian OS, lançado no fim da década de 90, esteve presente em quase todos os aparelhos Nokia no começo dos anos 2000, além de também ser encontrado em telefones da Samsung e da LG.

Com a introdução dos smartphones, especialmente o iPhone, o Symbian OS perdeu mercado e, entre 2010 e 2011, os principais fabricantes mobile que ainda usavam o sistema – Nokia, Samsung, LG, e Sony Ericsson – migraram para plataformas mais modernas, como Windows Phone e Android. O Symbian OS, que chegou a ter mais de dois terços do mercado mobile em 2006, registrou no segundo trimestre de 2013 apenas 0,3% do market share global de unidades vendidas, segundo relatório da Gartner.

Second Life

Quando foi lançado, em junho de 2003, os profetas digitais decretaram que a realidade virtual do Second Life seria a revolução da internet. E empresas reais, como a agência de notícias Reuters e a construtora brasileira Tecnisa, compraram terrenos virtuais e investiram em operações na realidade paralela. A Tecnisa chegou a anunciar a venda de um apartamento após negociações feitas entre um “corretor-avatar” e um “comprador-avatar” no mundo virtual.

O auge do mundo criado pela Linden Lab aconteceu no começo de 2009, quando cerca de 90 mil pessoas estavam conectadas ao mesmo tempo. Mas depois do auge vem a queda, e a importância do Second Life na internet se desfez na mesma velocidade em que surgiu. Apesar de ainda existir em algum canto sombrio da internet, ninguém mais fala em Second Life e quem apostava nessa tecnologia como o futuro da web acabou escondendo essa previsão do currículo.

Zune

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Em novembro de 2006, a Microsoft lançou o Zune para buscar seu espaço no mercado de MP3 players, que já era dominado pelo iPod desde 2001. Apesar de ter sido recebido com desconfiança pelos usuários, o Zune não era de todo ruim e apresentava algumas features interessantes, como a possibilidade de trocar músicas com outros Zunes via WiFi e fazer uma assinatura mensal do Zune Marketplace para baixar e fazer streaming ilimitado de músicas. Ah, e o Zune tinha rádio FM!

A última versão do Zune foi lançada em 2009 e não virou um grande sucesso de vendas, uma vez que concorria com as várias versões do iPod, com o iPhone e todos os outros smartphones com MP3 player que já inundavam o mercado. Em outubro de 2011 a Microsoft resolveu encerrar a produção do Zune alegando que a estratégia para música e vídeo mobile da empresa seria focada no Windows Phone.

Google Reader

A ideia Google Reader surgiu no fim de 2004, quando os desenvolvedores Chris Wetherell e Jason Shellen usaram seu tempo livre na empresa para criar um rascunho de agregador de feeds RSS, batizado inicialmente de Fusion Project. A primeira versão oficial do GReader, já com o novo nome, foi lançada em outubro de 2005.

Como descreve Shellen, “a visão era criar o mais colaborativo e inteligente sistema de entrega [de conteúdo] na web”. A visão dos desenvolvedores não se concretizou por completo, mas o Google Reader arrebanhou uma legião de fãs, que encontrou no produto uma maneira simples de acompanhar centenas ou milhares sites e ainda ver o que os amigos estavam compartilhando.

A primeira dica de que o Google Reader não teria vida longa surgiu em 2011, quando a função de compartilhamento foi desativada para incentivar o uso do Google+, a tentativa do Google de competir com o Facebook. Dois anos depois, em março de 2013, o Google anunciou que seu agregador de feeds seria desativado. Segundo a empresa, a queda contínua no uso do serviço e a estratégia de se concentrar em outros produtos, especialmente o Google+, foram os motivos da decisão.

Os órfãos do Google Reader migraram em massa para outros serviços, como o Feedly, que afirma ter recebido três milhões de novos usuários nas duas semanas seguintes ao encerramento do GReader. Outras alternativas ao agregador do Google estão aqui.

Windows Live Messenger (ou MSN Messenger)

O MSN Messenger, que depois virou Windows Live Messenger, ficou conhecido no Brasil apenas como “MSN”. O comunicador instantâneo da Microsoft foi lançado em 1999, mas ele se popularizou com a chegada da versão 6.0, em 2003, que trazia avatares personalizados, emoticons animados, winks, estrelinhas, brilhos e muito mais.

A saga do Windows Live Messenger, que passou a ter esse nome a partir de 2005, começou a se desintegrar em novembro de 2012, quando a Microsoft anunciou que todos os usuários do Messenger seriam migrados para o Skype, adquirido pela MS em 2011. A migração final aconteceu no primeiro semestre deste ano, encerrando mais de década de mensagens e emoticons trocados no saudoso MSN.

Enquanto no exterior o MSN Messenger dividia o mercado com os usuários do Yahoo! Messenger e do AOL Instant Messeger (AIM), aqui no Brasil ele enterrou o finado ICQ e foi soberano no começo dos anos 2000. Nos últimos anos de sua vida, no entanto, o comunicador instantâneo disputava espaço com o Google Talk, que foi definitivamente integrado ao Gmail em 2006, e também com o Facebook Chat, lançado em 2008.

…E aqueles que ainda estão no limbo.

Olhando a lista acima, talvez você deva ter sentido falta de alguns nomes importantes, como o Orkut e o MySpace. Eles estão no que chamamos do “limbo tecnlógico”. Ainda não desapareceram completamente, mas já deixaram a posição de destaque que uma vez ocuparam.

Relembre algumas tecnologias e sites que estão fazendo hora extra por aí.

Orkut

O Orkut, projeto paralelo de um engenheiro turco do Google, foi por sete anos a rede social mais importante do Brasil. Lançado em janeiro de 2004, apenas um mês antes do Facebook, o Orkut ganhou uma versão em português em abril do mesmo ano e se popularizou rapidamente entre os usuários brasileiros, que disputavam convites para entrar na rede social. Não demorou muito para o Brasil ultrapassar os Estados Unidos em número de usuários na rede social e, em outubro de 2012, 60% do tráfego do Orkut era proveniente do Brasil.

Além das comunidades de assuntos variados, que iam das discussões sobre literatura russa ao pedido de Oscar para o Seu Madruga, o Orkut se manteve intocado apostando na interação entre os usuários com scraps e testimonials (lembra deles?) e uma maneira fácil de armazenar e compartilhar fotos.

A hegemonia do Orkut no Brasil só acabou em agosto de 2011 com o crescimento meteórico que o Facebook apresentou naquele ano. De acordo com dados do Ibope, o Facebook atingiu 30,9 milhões de usuários únicos, enquanto o Orkut teve 29 milhões.

Mas o Orkut ainda não acabou! Ele está aí, cada vez mais minguado, mas existem dezenas de comunidades ativas e milhares de sobreviventes que ainda não se renderam ao Facebook. Duvida? Dá uma olhada aqui e aqui!

MySpace

Precursor do Facebook (foi lançado seis meses antes), o MySpace surgiu em 2003 e por alguns anos foi a principal rede social dos Estados Unidos. Aqui no Brasil, o MySpace não chegou a abalar a hegemonia do Orkut, mas teve papel importante entre 2005 e 2008 na divulgação de novos artistas, como Mallu Magalhães e Cansei de Ser Sexy.

Com um visual bagunçado (cada usuário poderia personalizar sua página com cores, GIFs e até sons) e foco no mercado do entretenimento, o MySpace começou a perder usuários para o Facebook e foi ultrapassado em audiência nos EUA em 2009, mesmo ano em que a empresa fechou seu escritório no Brasil.

Apesar de nunca ter deixado de existir, o MySpace caiu na irrelevância e ainda teve uma tentativa de sobrevida em 2011, pelas mãos do cantor/ator/empresário Justin Timberlake. Ele comprou a rede social por US$ 35 milhões, apenas quatro anos após o MySpace ter sido avaliado em US$ 12 bilhões.

BlackBerry

BlackBerry A10

A empresa canadense BlackBerry, que já chegou a dominar o mercado de smartphones para uso corporativo, está com os dias contados. Em agosto deste ano, a empresa anunciou a formação de um comitê para estudar como tirar a empresa do buraco, e as opções de venda da companhia não está descartada – uma delas já foi recusada, o CEO da empresa já foi trocado, mas o cenário continua sombrio.

Como foco em um sistema de e-mails e mensagens “push”, a BlackBerry teve seus dias de glória ao atrair o mercado corporativo em peso após o lançamento da primeira versão de seu telefone, em 2003. Naquela época, ter um BlackBerry era símbolo de status entre executivos e profissionais liberais.

Desde a consolidação do iPhone e dos smartphones com Android, no entanto, o market share do BlackBerry segue em queda, e atualmente não passa dos 2,9% de todo o mercado, segundo dados do IDC Worldwide Mobile Phone Tracker divulgado no começo de agosto deste ano.

TV 3D

A TV 3D pode ser colocada ao lado de novidades como o MiniDisc e o LaserDisc. A teoria é boa, mas a prática deixa a desejar. Prometida como uma grande revolução na maneira como consumimos conteúdo audiovisual em casa, a TV 3D acabou sendo um fiasco de vendas e já pode entrar na lista de tecnologias zumbis.

Dois fatores contribuem para colocar a TV 3D nesta lista: o alto preço dos aparelhos (eles chegaram a custar US$ 25 mil!) e a falta de conteúdo produzido no formato. Os preços caíram bastante, mas as emissoras que apostaram na tecnologia, como a BBC, na Inglaterra, e a ESPN, nos Estados Unidos, já anunciaram que não vão mais produzir conteúdo neste formato por conta da falta de interesse da audiência. Ou seja, uma TV 3D sem programação tridimensional nada mais é do que uma televisão normal, mas bem mais cara.

Compras coletivas

Se você não é um ermitão, já deve ter usado um cupom de compra coletiva em algum momento dos últimos cinco anos. Se não usou, tem algum amigo que fazia coleção de cupons de descontos para usar no momento oportuno (ou no momento que as regras da oferta permitiam). O fenômeno das compras coletivas surgiu no fim de 2008 nos Estados Unidos, e a premissa era bem simples: se um número ‘x’ de pessoas comprasse um produto, a empresa que vendia aquele produto se comprometia a dar um belo desconto. O consumidor levava um produto mais barato e a empresa vendia em grandes quantidades. Todos ficavam felizes.

As compras coletivas viraram tendência de consumo e centenas de sites que divulgavam as ofertas foram lançados em pouco tempo. Aqui no Brasil, a versão importada do Groupon e o site nacional Peixe Urbano dominavam o mercado, mas o país chegou a ter quase 2 mil sites semelhantes em 2011. A maioria já encerrou as operações. Entre os motivos que derrubaram o mercado das compras coletivas estão a falta de boas ofertas, os problemas enfrentados pelos consumidores para usufruir das ofertas e a queda na margem de lucro das empresas que oferecem os produtos.

Atualmente, as poucas empresas que ainda estão no mercado enfrentam dificuldades para retomar o crescimento dos tempos áureos. A ação do Groupon na Nasdaq está cotada em cerca de US$ 9,95 atualmente, três vezes menos do que os US$ 29,94 registrados no dia em que a empresa estreou na Bolsa de Valores de Nova York.

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