Como você já viu por aqui, desde o lançamento do Gizmodo Brasil, em setembro de 2008, várias tecnologias sumiram ou foram parar no limbo da História. No lugar delas, novas tendências e tecnologias surgiram nos últimos anos, com várias pequenas revoluções e caminhos que ainda serão trilhados. Separamos alguns destaques para comemorar a data.

Os bilhões das redes sociais

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Se tem uma coisa que podemos dizer sobre a internet nos últimos cinco anos é que ela ficou ainda mais social e com números mais hiperbólicos.

O Facebook atingiu a marca de 1 bilhão de usuários ativos no mês no fim de 2012. O Instagram, que foi lançado em outubro de 2010, foi vendido em 2012 para o Facebook por cerca de US$ 1 bilhão. O clipe de Gangnam Style, do sul-coreano Psy, foi o primeiro vídeo a atingir a marca de 1 bilhão de visualizações no YouTube, em dezembro de 2012.

Para manter a história na casa dos bilhões, o Facebook fez em 2012 sua oferta pública de ações (IPO) e arrecadou US$ 16 bilhões, o maior valor já atingido por uma empresa de internet na história. Para efeito de comparação, o IPO do Google, em 2004, rendeu “apenas” US$ 1,67 bilhão à companhia.

Os games sociais também tiveram um boom nos últimos cinco anos. Candy Crush, Farmville, SongPop, DrawSomething, Mafia Wars e muitos outros conquistaram o tempo livre de milhares de pessoas. A Zynga, maior empresa de social games e responsável por hits como FarmVille e CityVille, arrecadou US$ 1 bilhão na sua oferta pública de ações, em 2011, e teve valor de mercado avaliado em US$ 6,1 bilhões naquele ano.

Apesar de não ter estourado uma bolha da internet como em 2000, tanto as ações da Zynga como as do Facebook (e do Groupon) perderam valor desde o lançamento na Bolsa e nunca mais voltaram ao patamar inicial.

Revolução dos tablets

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A introdução dos tablets no mercado alterou completamente o panorama da computação pessoal. O iPad, lançado em 2010, não foi o primeiro produto da categoria, mas certamente pode ser considerado o gadget que popularizou os tablets ao redor do mundo. Depois do iPad vieram concorrentes semelhantes, como o Samsung Galaxy Tab, e também produtos mais baratos, com menos funcionalidades.

Visto com desconfiança no início (“é um iPod gigante!”), o iPad ainda é o líder do mercado de tablets, mas os aparelhos mais baratos, com Android como sistema operacional, seguem crescendo em número de vendas.

Apesar de serem muito úteis e servirem para uma infinidade de coisas, desde leitura de e-mails até o uso pelo Exército dos EUA, os tablets ainda não substituem os desktops, mas certamente extinguiram os netbooks e derrubaram as vendas de novos notebooks e PCs, segundo pesquisa da Gartner.

Alta definição para todos

2008 foi um marco para a produção de vídeos. Naquele ano, a Canon lançou a câmera digital 5D Mark II e a Nikon lançou a D90. Pela primeira vez na história, as câmeras fotográficas DSLR ganhavam a capacidade de gravar vídeos em alta definição. Pouco tempo depois, telefones celulares começaram a ser fabricados com câmeras HD.

Outro lançamento importante para o mercado de vídeos foi o da câmera RED, com qualidade semelhante às câmeras de 35mm* usadas no cinema, mas por um preço muito mais baixo. A RED, que já grava no formato digital, custa cerca de US$ 18 mil, enquanto o aluguel mensal de uma câmera Panavision, por exemplo, sai por cerca de US$ 25 mil. Isso sem contar os custos de digitalização de um filme em película.

A partir daí, as câmeras portáteis e baratas se comparadas às câmeras profissionais passaram a ser usadas para gravar curtas, séries, propagandas e até filmes! O episódio final da série House, por exemplo, foi filmado inteiramente com uma Canon 5D Mark II, que custa cerca de US$ 2.500.

* Os cinéfilos puristas vão falar que nada se compara à qualidade dos filmes gravados em 35mm. Ok, existem filmes que não teriam o mesmo impacto se fossem feitos com câmeras digitais, mas a lista de produções realizadas com a RED impressiona. O Hobbit, do Peter Jackson, Prometheus, de Ridley Scott, e A Rede Social, de David Fincher, estão entre os longas feitos com a câmera.

A nova televisão

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Se as câmeras evoluem, a tendência é que as TVs acompanhem. E foi o que aconteceu em 2011 com o lançamento da 4K TV, a televisão com ultradefinição. As telas gigantes (e preços idem) das 4K TVs levam a tecnologia do cinema para dentro de casa, com uma resolução quatro vezes maior que as televisões HD mais populares.

O novo tipo de televisão surgido nos últimos cinco anos não se restringe apenas à tecnologia da imagem. O fornecimento de conteúdo também evoluiu de várias maneiras, especialmente com a chegada ao Brasil de serviços de TV por streaming on demand, como Netflix, Net Now e HBO Go. As TVs conectadas, cada vez mais comuns por aqui, também deram um novo passo para disponibilizar conteúdos sob demanda e aplicativos da internet, como o YouTube.

Nada como pagar caro em uma TV para ficar assistindo aos vídeos engraçadinhos do YouTube, não?

Sistemas operacionais: quando o software venceu o hardware

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Ao longo dos cinco anos de Gizmodo Brasil, presenciamos o lançamento do HTC Dream, primeiro telefone com Android, em outubro de 2008. Também acompanhamos as várias novas versões do sistema operacional mobile do Google. Vimos a evolução do iOS, sistema operacional mobile da Apple, e sua adaptação ao iPad. Também observamos o nascimento do Windows Phone e as mortes do Symbian e do WebOS. Mais do que isso, tudo isso nos levou a um ponto importantíssimo na tecnologia móvel: quanto o software passou a ser mais importante do que o hardware.

De todos esses sistemas operacionais mobile, o Android foi o grande responsável pelas mudanças mais significativas no market share de smartphones. Partindo do zero em 2008, o sistema operacional do Google atualmente está presente nos aparelhos da Samsung, LG e das chinesas Lenovo, Huawei e ZTE, dominando 79,3% do mercado global, segundo pesquisa do IDC. Nesse meio tempo, a Nokia, que apostou muito mais em hardware do que no sistema operacional, viu a participação do Symbian despencar, e sua relevância foi colocada à prova – até que a empresa foi vendida para a Microsoft.

No mercado de desktop, a Microsoft foi a única a realmente mostrar algo grande nesse meio tempo, com o lançamento do Windows 8, em outubro de 2012. Com uma interface visual bem diferente do que estávamos acostumados a ver, o novo sistema não tem barra de tarefas e botão Iniciar. O desktop virou uma página inicial com identidade visual semelhante à do Windows Phone e aparentemente adaptada para tablets, com muitas cores e grandes blocos de conteúdo. Já a Apple fez, recentemente, um movimento importante: fez com que a última atualização do OS X, Mavericks, fosse gratuita – agora, o preço do hardware paga pelo software.

Tudo está na nuvem

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Qual foi a última vez que você gravou um CD-R? Pois é, você nem deve ter percebido, mas os seus arquivos mais importantes passaram a ser armazenados na famosa “nuvem”, também conhecida como “server farms construídos em algum lugar do deserto dos Estados Unidos”.

Além de servir para fazer backup de arquivos, toda essa ideia de “nuvem” revoluciona a indústria do entretenimento. Agora, a música é descoberta por streaming em rádios online, como o Spotify ou Rdio. Os filmes e séries não são mais baixados, eles são vistos via streaming na Netflix ou na HBO Go.

Assim, o conteúdo que você quer acessar não precisa mais estar necessariamente no seu computador ou tablet ou telefone. O conteúdo vira onipresente na “nuvem” e pode ser acessado de qualquer aparelho, a qualquer momento, basta ter uma boa conexão com a internet.

A economia do compartilhamento

Uma tendência que acompanha a explosão das redes sociais é a economia do compartilhamento. Se a internet está mais social, a economia segue o mesmo caminho. E vários sites lançados nos últimos cinco anos apontam para o futuro das relações econômicas de maneira completamente diferente.

Sites como o AirBnb, que conecta turistas com pessoas que querem alugar suas casas por temporadas ou apenas alguns dias, acabam com a necessidade de hoteis ou agente de viagens. São pessoas físicas compartilhando seus bens com outras pessoas.

Os projetos de crowdfunding, outro tipo de economia social, estão reduzindo a distância entre produtor e consumidor e acabando com intermediários. Em alguns casos, como o Pebble, produtos inteiramente novos são desenvolvidos com a ajuda financeira dos futuros consumidores. Na área cultural, shows são agendados após campanha de arrecadação entre fãs, sem a necessidade de patrocinadores ou empresários.

A economia do compartilhamento também é vista nas grandes metrópoles do mundo com a popularização dos sistemas de bike e car sharing. Agora, não é mais necessário possuir uma bicicleta ou um carro, uma vez que é possível usar esses meios de transporte de forma compartilhada, geralmente preenchendo um cadastro e pagando uma mensalidade.

E tem também o Bondsy, aplicativo criado por um brasileiro para permitir a venda de objetos usados, como roupas, instrumentos musicais e tudo mais o que vier na cabeça. O diferencial do Bondsy é que o anúncio é exibido apenas para seus amigos nas redes sociais, facilitando o contato e a interação com um possível comprador.

Futuro dos Jetsons

Você certamente já assistiu aos Jetsons e ficou maravilhado com todas as tecnologias mostradas no desenho da Hanna-Barbera. Aquele futuro jetsoniano ainda não chegou, mas várias tecnologias desenvolvidas nos últimos cinco anos nos dão a impressão de que estamos cada vez mais perto.

O Google é, em boa parte, grande responsável por estarmos nesse estágio por conta do lançamento do Google Glass (veja nosso teste!) e das pesquisas com carros autônomos, que já estão “se dirigindo” por algumas ruas dos Estados Unidos. Isso sem contar a popularização das impressoras 3D, que permitem produzir desde rins vivos e próteses ortopédicas a chaveiros e capinhas de celular.

Também é possível ver sinais do futuro dos Jetsons na SpaceX, uma empresa privada fundada por Elon Musk para promover viagens espaciais, inclusive com turistas dispostos a gastar milhões por uma visita ao espaço.

Gadgets para vestir e monitorar

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A tecnologia nos cerca cada vez mais, e agora ela está literalmente com a gente 24 horas por dia, sete dias por semana. Uma tendência que surgiu nos últimos anos é a de monitorar o que estamos fazendo, e para isso é necessário gadgets como o Nike+ FuelBand, uma pulseira que registra ao longo do dia quanto passos você deu e quantas calorias queimou. Essas informações são enviadas para o site da Nike+ e podem ser analisadas e comparadas com amigos em uma espécie de rede social fitness.

Outra pulseira que monitora seus passos é a UP, da Jawbone. Mas ela vai além e registra informações sobre seu padrão de sono e, aliada a um aplicativo de iOS, cataloga dados sobre suas refeições e até sobre seu humor. A ideia da UP é monitorar as principais atividades do usuário para identificar padrões positivos e negativos no cotidiano.

Na mesma linha de pensamento está o Pebble, lançado neste ano, um relógio desenvolvido após uma campanha de crowdfunding que tem tela de e-paper e se conecta a smartphones para receber notificações de e-mail e redes sociais, mostrar informações de GPS ou registrar a velocidade de uma corrida pelo parque. A Samsung tentou entrar neste mercado recentemente, com o Galaxy Gear, mas o resultado não foi muito bom.

O Google Glass também poderia estar neste item, mas ele ainda não se popularizou (e nem sabemos se irá se popularizar) a ponto de vermos pessoas por aí usando o gadget normalmente. Talvez no Vale do Silício…