Fones vagabundos estão matando a música. É verdade. O problema é que bons fones de ouvido, assim como alto-falantes, não são baratos.

Falaremos de fones que entram no ouvido – fones de canal, de fato – já que toda a belezinha entra fundo nos seus preciosos canais auditivos. Não falaremos de headphones porque bons headphones não são as coisas mais discretas do mundo – não dá pra derrotar a Física, criançada. A menos que você tenha algum tesão doentio em correr com um par de latas gigantescas presas à sua cabeça, fones de ouvido são a opção a se usar.

Tudo se resume aos condutores
Seja a respeito de headphones ou de fones de ouvido, eles funcionam de maneira bastante semelhante a alto-falantes, só que miniaturizados. O elemento chave em ambos os casos são os condutores, apesar dos condutores de fones de ouvido serem bem menores e se esforçarem bem menos para gerar a mesma música.

Existem dois tipos de condutores: o condutor dinâmico funciona como um tradicional não grande e velho alto-falante. O benefício de um condutor dinâmico é que ele produz uma boa resposta de baixo, apesar de ser difícil de se miniaturizar.

Um condutor induzido equilibrado é bastante comum em bons fones de canal, já que é fácil de se encolher. Originalmente encontrado em aparelhos para deficientes auditivos, ele comporta um indutor magnético que se move quando uma corrente elétrica passa pela bobina, pressionando o diafragma e gerando o som. Ele pode ser – e muitas vezes é – emparelhado a um condutor dinâmico.

A maior parte dos fones de ouvido possui apenas um condutor, apesar de aparecerem cada vez mais fones com múltiplos condutores. Isto custa mais porque é mais difícil enfiar mais de um deles em um invólucro minúsculo projetado para ficar solto dentro da sua orelha. Com múltiplos condutores vem também uma “rede cruzada”, circuitos projetados para dividir a música em diferentes freqüências e jogá-las para os condutores apropriados, mais uma carga a abarrotar aquele espaço minúsculo. No entanto, quando tudo já estiver apertadinho lá dentro, fones de ouvido com múltiplos condutores geralmente soam melhor que os com um único condutor, já que o woofer (baixa frequência), tweeter (alta frequência) e os alto-falantes de média frequência são equipados de forma inadequada para lidar com as suas próprias faixas de som – do baixo ribombante ao agudo mais chiado.

Entre os fones de ouvido de múltiplos condutores menos caros estão (pasmem!) os fones de canal extravagantes da Apple de 80 dólares, que usam dois condutores, um tweeter para altos e outro para todo o resto. Começa a ficar mais caro conforme você complica mais. O SE530 da Shure de três condutores tem preço sugerido de 500 dólares (mas pode ser encontrado por bem menos). O UE-11 Pro da Ultimate Ears lhe custarão ridículos 1150 dólares e vem com correspondentemente ridículos quatro condutores. Um para médias frequências, um para altas e dois para baixo.

Algumas empresas optam por um único condutor porque eles acham que é melhor, já que não envolve complicações com redes cruzadas, tentando fazer todos os condutores funcionarem juntos de forma a produzir um som sem cortes. Por outro lado, com um único condutor, você está pedindo para que ele sozinho faça de tudo: baixas, altas e médias frequências, diz Michael Fremer, editor sênior da Stereophile (sim, aquele Michael Fremer). É por isso que a FutureSonics, por exemplo, fabricantes de equipamentos profissionais, cobra tanto por seus fones de ouvido de condutor único. “Um fone de condutor único realmente bom pode soar incrivelmente bem”, diz Fremer.

Do que é feito e como é feito
Além de mais condutores, o que você leva quando compra um fone de ouvido mais caro é (surpresa!) materiais melhores, com qualidade melhor de fabricação e um design mais focado. Michael Johns, gerente de headphones da Shure – conhecida por fones de ouvido com preço sugerido que vão de 100 a 500 dólares e raramente abaixo desta faixa – me contou que a maior parte dos headphones realmente baratos (20 dólares) no mercado é basicamente um cocôzinho de marca alterada por fábricas sem nome e que, quando você compra aqueles com preço de loja entre 50 e 100 dólares, na maior parte das vezes você está pagando pelo estilo, não pelo som. As marcas de mais alto nível, entre as quais há muitas, tendem a projetar e fabricar os seus próprios headphones. O custo disto, infelizmente, é repassado para você.

O custo dos ingredientes em si também é repassado para você – o material do cabo, o ímã por trás do diafragma, o material do próprio diafragma, a qualidade geral do condutor e o invólucro (novamente, tudo aquilo que também eleva o preço de alto-falantes de melhor qualidade). Nada disso, quando é bem feito, sai barato. Fremer diz, por exemplo, que headphones melhores na verdade usam ímãs mais fortes que os headphones baratos. Como você facilmente adivinharia, quanto mais potente o ímã, maior o seu custo.

O encaixe

Com bons fones de canal, o encaixe importa bastante, já que a vedação é crucial. Não só uma boa vedação significa menor ruído ambiente infiltrando seus ouvidos – permitindo que você mantenha o volume baixo e ainda assim captando toda a faixa dinâmica do som – como uma vedação hermética é a maneira de se ouvir uma resposta decente do baixo. Ademais, você vai querer que algo enfiado lá no fundo do seu ouvido seja confortável além de simplesmente encaixar, então há diversos tipos diferentes de extremidades que os fabricantes de encaixes de fones bolaram. Além do bulbo padrão de borracha, tem a espuma macia e a manga de flange tripla que se parece com uma árvore de Natal. O que funciona melhor depende mais é da sua orelha e da sua preferência pessoal, o motivo pelo qual os bons fones vêm com uma pancada de extremidades.

O que comprar?
Então, errr….qual é o preço ideal para bons headphones? Se dependesse da Shure e do Fremer, todo mundo gastaria mais de 200 obamas nos seus fones de ouvido, mas se você torcer o braço deles, eles concordarão que a partir de 100 dólares os fones começam a ficar decentes. O verdadeiro truque, de acordo com Fremer, é fazer com que as pessoas “gastem os seus primeiros 100 dólares”.

A lei de retorno decrescente tende a se aplicar fortemente a partir deste ponto. A diferença entre um par de fones de 300 dólares e outro de 400 não é nem remotamente próxima do salto de um de 20 para outro de 100 dólares. Ainda menor é a diferença entre os modelos de diferentes gerações. O melhor custo-benefício no mercado atual talvez seja uma versão de geração anterior dos fones da Série 500 da Shure a um custo de 290 dólares, mas se você conseguir encontrar fones de ouvido de 100 dólares por 70 dólares, é ainda melhor.

Interessantemente, Fremer diz que o que você deve buscar em um bom fone de ouvido é “uma resposta relativamente constante de forma que nenhuma frequência seja mais acentuada que outra”, assim “o produto que tiver melhor som geralmente será o que menos o impressionará à primeira vista”. Fones com baixo muito intenso, por exemplo, não necessariamente possuem um baixo melhor, apenas mais do som (você sempre pode ajustar o Equalizador do seu som caso você queira mais baixo).

Seja lá o que você for fazer, pelo amor de tudo o que você considera mais sagrado, jogue fora os fones de ouvido do iPod.