Qual é a maior maldição na vida dos fotógrafos? As câmeras de telefone? Os auto-retratos estilo Fotolog? Nada disso chega perto de uma ameaça presente em toda câmera minimamente decente: o flash. Hoje vamos ensinar quando você deve usar o seu — e, muito mais importante, quando não deve usá-lo.

Fotógrafos velhos de guerra, vocês (teoricamente) já manjam do riscado. Este guia não é para vocês. Este guia também não é para o carinha aí do fundo que acabou de comprar uma 5D Mk II novinha com flash externo, nem para o estrobista de fim de semana. Este é um texto de referência para ser passado adiante como serviço de utilidade pública. Um guia rápido para os amigos e familiares que todos conhecemos e amamos, aqueles que passam suas existências fotografando caras lavadas, prejudicando os globos oculares de bebês e assustando peixes em aquários com suas incontroláveis e inconvenientes luzes.

Quando não usar

Em grandes eventos
Toda santa vez que eu vou a um show ou evento esportivo noturno, vejo centenas de luzinhas piscando nas arquibancadas. Cada uma delas me mata um pouquinho por dentro. O alcance efetivo do flash de uma point-and-shoot mediana atual é de menos de 5m. Cinco metros. Dá para esticar um pouco isso se você configurar o ISO para 800 (ou, Deus tenha piedade, 1600), mas sob nenhuma circustância o seu flash vai alcançar o gramado ou o palco.

Cada flash que você vê na imagem acima representa uma foto que saiu errado, a não ser que a intenção era mesmo capturar uma imagem bem iluminada e totalmente desfocada do cara sentando duas cadeiras à frente. Fotografar eventos com iluminação artificial é mesmo difícil, mas deixar o serviço para o flash automático da sua câmera não vai ajudar em nada. Desligue-o.

Atrás de vidro
Bastaria entrar num aquário para o hipotético policial fotográfico encontrar uma série de transgressões a uma das mais básicas leis da fotografia com flash: nunca o use para fotografar coisas atrás de vidros. O povo coloca a câmera contra os peixes e todo mundo fica cego logo depois. Isso quase nunca funciona. Já reparou na enorme explosão branca que fica no lugar aproximado onde o flash deveria estar? Nós não temos um aquário aqui no escritório, então colocamos o nosso estagiário dentro de uma sala de reuniões com paredes de vidro. Tiramos uma foto e agora ele tem uma bola brilhante no lugar do olho. Valeu aê, flash.

Fotografando gadgets ou qualquer coisa com uma tela
Este item pode ser um pouco de implicância de blogueiro de tecnologia, mas, fazendo o favor, desligue o flash antes de fotografar equipamentos eletrônicos em geral, especialmente os com telas. Mesmo a melhor das telas atua como um espelho de flash, assim como qualquer acabamento plástico ou metalizado. É quase impossível tirar uma boa foto de um eletrônico com flash, e há uma boa razão para isso: geralmente os seus gadgets não se mexem a não ser que você queira, então encontre uma maneira de estabilizar a sua câmera e tire uma foto calma, de looooonga exposição. Em câmeras point-and-shoot isso normalmente se resume a nada mais do que desligar o flash e se manter no modo automático. A câmera vai sacar o resto.

Fotografando qualquer coisa imóvel
Sabe o que eu acabei de dizer sobre eletrônicos? Na verdade aquilo se aplica a qualquer coisa que não se mova, e até a coisas que se movem, caso você consiga fazer a coisa em questão parar quieta por alguns segundos. Coloque a câmera na mesa, improvise algo parecido com um tripé com o que estiver à mão, apoie-se numa árvore, se vire… se o seu alvo estiver parado, a culpa por não desligar o flash é somente sua.

Em humanos
Não é uma regra imutável, mas é uma boa orientação: unidades de flash embutidas emitem luz xênon, que geralmente fazem com que seus fotografados pareçam com aldeões subnutridos da Europa medieval, muitas vezes com horríveis pupilas vermelhas. Se você puder evitar o flash, evite. (Se você não puder, temos algumas dicas abaixo para te ajudar.)

No rosto de bebês
Porque mesmo que este bebê superdramático pareça uma fofura, piscar uma luz insanamente brilhante nas pupilas em desenvolvimento do seu recém nascido não é ser um bom pai ou mãe. E bebês geralmente não se movem muito rápido, então vale a regra dos eletrônicos.

Quando usar numa boa

Na luz do sol
Por incrível que pareça, um dos únicos momentos em que o seu flash será verdadeiramente útil é quando o dia está claro e ensolarado lá fora, criando um problema com sombras. Idealmente você deve tentar iluminar o seu alvo com luz natural sempre que possível, mas no caso da sua foto estar recebendo luz de trás ou de cima, como o gatinho acima, matar algumas sombras é uma desculpa suficientemente boa para usar o flash. Por quê? Porque o mix de luz ambiente e luz do flash é muito menos horroroso do que uma foto iluminada basicamente apenas pelo flash.

Quando está totalmente escuro
Porque nesse caso você não tem escolha

Como evitar ter que usar

Estabilize a sua câmera
Manter a sua câmera fixa não é sempre fácil. Se você não tem a opção de carregar um tripé ou algo parecido, você sempre pode dar um jeitinho. Na internet há vários vídeos e tutoriais sobre como improvisar tripés e outras formas de apoio, ou mesmo estabilizadores mais "chiques" que evitam ou suavizam a tremedeira normal das suas mãos. Você não tem desculpa.

Se você absolutamente precisar usar

Reduza a intensidade do Flash
Muitas câmeras têm uma opção para regular a intensidade do flash. Encontre essa opção. Isso vai essencialmente diminuir o brilho do seu flash, o que irá evitar a superexposição dos rostos fotografados, às custas de um pouco de alcance.

Improvise um difusor
Unidades de flash externas geralmente dão melhor resultado não apenas porque têm lampadas maiores e melhores, mas também porque vêm equipadas com um difusor. Estes acessórios suavizam a forte luz emitida pelo flash, mas eles são caros e impossíveis de usar com a sua câmera super compacta.

Por sorte, você pode improvisá-los facilmente com diferentes tipos de materiais. Tente segurar um filtro de café, papel de docinho ou mesmo uma folha de ofício na frente do flash, de modo a enfraquecer e "espalhar" a luz.

Você pode experimentar com diversos materiais (desde que sejam brancos e semitransparentes); geralmente este processo envolve bastante tentativa e erro até você achar algo que funcione, mas o resultado vale a pena.