Em uma coletiva de imprensa por telefone hoje, o CEO do Google Eric Schmidt e Ivan Seidenberg, CEO da Verizon, deixaram uma coisa bem clara: que as reportagens relatando uma relação de negócios entre as duas companhias eram “falsas, enganosas e errôneas”. Mas as empresas tiveram longas discussões sobre como manter a internet nos EUA forte e aberta, e criaram alguns princípios para a FCC levar em consideração.

As sugestões, que foram ditas na ligação e publicadas no blog Google Public Policy em um post com o título “A proposta de política para uma internet aberta”, são basicamente esses:

• O Google acredita piamente que a internet como conhecemos hoje, entregue por serviços de banda larga, deve continua neutro em termos de conteúdo, e o tráfego não deve ser discriminado nem bloqueado. Resumindo: a neutralidade da web deve continuar existindo nas redes cabeadas que usamos.

• As operadoras de internet móvel não deveriam se encaixar nessas leis de neutralidade, uma vez que elas precisam ser mais flexíveis na gestão de suas redes. Mesmo assim, a Verizon diz que a transparência é fundamental e que a FCC teria autoridade para multar “péssimos atores” nesse caso.

• A Verizon concorda com esses princípios, mas avisa que defenderá seus direitos em exceções para serviços futuros que não serão transmitidos pela “internet aberta”. Por exemplo, Seidenberg imaginou uma situação em que a Metropolitan Opera poderia pagar para entregar seus arquivos em 3D por meio da FiOS TV, serviço da Verizon nos EUA. Acabando com o cenário criado na semana passada, Schmidt deixou claro que o Google não tem interesse em colocar o YouTube, ou qualquer outro serviço, em nenhuma rede que não seja a “internet aberta”.

Ao longo da chamada, o Google e a Verizon reafirmaram o comprometimento com uma “internet aberta”, e ficou claro que o tipo de produto que as companhias falaram sobre não era nada perto do cenário apocalíptico que se desenhou na semana passada. Mesmo assim, a insistência da Verizon em deixar claro a possibilidade de criar serviços no futuro com abertura prioritária para alguns pode ser motivo de preocupação.

Como notou Peter Kafka, os jornalistas rapidamente batizaram esses novos serviços como a “internet privada”. Enquanto o exemplo da ópera pode parecer inofensivo o bastante, e mesmo que o YouTube não tenha planos de transmitir conteúdo dentro da “internet privada”, se outros serviços da “web aberta” (como o Hulu, nos EUA) tiverem a permissão de pagar para ter prioridades, as coisas podem ficar complicadas rapidamente. 

Para mais detalhes sobre a cobertura da ligação, dê uma lida no NYT. [Google Public Policy Blog]