O Google apresentou hoje uma enxurrada de novidades feitas para tornar as buscas mais fáceis, velozes e ainda mais intuitivas. Mas qual o real objetivo? Basicamente, entrar na sua cabeça e mudar a forma como você pensa.

Os pesquisadores do Google perceberam que as pessoas estão sempre procurando algo. Sempre. Quando as buscas em desktops caem (durante feriados, fins de semanas ou de noite), mas buscas móveis aumentam consideravelmente. Como disse Amit Singhal, do Google, “a busca por conhecimento não para por que você não está mais na frente do computador”.

E de forma direta, o Google quer ser parte integral de nossa busca por conhecimento. Em outras palavras, o Google quer ser parte de seu processo de pensamento. Para isso, a empresa anunciou novas ferramentas criadas para encorajar os usuários a usá-las em seus cérebros — ou mais ou menos isso.

O mundo móvel do Google teve as maiores mudanças de interface, toda redesenhada para que o usuário use a busca cada vez mais no smartphone. Uma nova ferramenta de consulta ajuda com a função de autocompletar buscas móveis. Na demonstração, eles mostraram como era possível chegar 27 caracteres em apenas 8 toques. Na interface, novos ícones para o Google Places ajudam a encontrar resultados locais, e um novo sistema com visualização de mapa abre em nova janela (mostrando, digamos, bares, restaurantes ou caixas eletrônicos no topo de suas buscas), que se atualiza automaticamente quando você muda de lugar. A experiência inteira é guiada com pequenos widgets criados para ajudá-lo a encontrar o que você quiser sem ter de sair do Google — em uma das demonstrações, as movimentações de ações da bolsa eram exibidas em tempo real.

Mas o filé mignon ficou para o desktop.

O Google adicionou busca por voz para desktop. E, curiosamente, uma das razões para o lançamento, segundo a gerente de buscas do Google, Johanna Wright, é mostrar para as pessoas que elas podem fazer isso também no smartphone, de qualquer lugar, algo que elas normalmente não lembram. Assim, o novo Google terá um pequeno ícone de microfone do lado da barra de busca, para você soltar a voz.

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Ele também estará lá para criar o hábito de busca por voz. Porque se o usuário se acostumar a procurar por voz no desktop, ele será algo cotidiano. E isso eleverá o número de buscas por voz no mundo móvel. Mais buscas por todos os lados. Novamente, trata-se do Google querendo entrar em sua cabeça, tornando-se uma ferramenta natural.

E ainda surgiu hoje a busca por imagem. Digamos que você já cansou de ver a mesma imagem na web, como o meme “Y U NO”, usado na demosntração. Agora, será possível buscar informações sobre ela no Google Images e descobrir suas origens. Basicamente, ele irá te dizer para o quê você está olhando. Isso pode significar a identificação de um logo, de um prédio, de uma praia, ou apenas de um meme bobo. Em termos gerais, ele irá responder à questões que surgem na sua cabeça quando você vê algo novo: “o que é isso?”. O Google quer ser parte do seu cérebro e te dar essa resposta também.

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E por último, mas não menos importante, há as Instant Pages. Existem três componentes que consomem tempo em uma busca: o primeiro é o usuário digitando a busca, processo que o Google pretende acelerar com o Google Instant. O segundo é selecionar o resultado, que é a proposta intrínseca do Google, mostrar os resultados mais relevantes no topo, sempre. O terceiro é mais chato: o tempo de carregamento da página.

O Google diz que uma página média da internet leva 5 segundos para ser carregada. (Pense em quanto tempo da sua vida é gasto esperando enquanto uma página abre!) O Instant Pages foi criado para entregá-las instantaneamente. Basicamente, ele usa o que a empresa aprendeu com o Google Instant para prever em quais páginas você irá clicar após você fazer a busca,e então carregá-las previamente, antes de seu clique. É  um formato diferente da solução de pré-busca do Firefox, que diminui a complexidade do arquivo html. Na versão do Google, imagens, vídeos embedados, javascript e tudo mais é aberto previamente para você não esperar cinco segundos após o clique.

http://www.youtube.com/watch?v=_Jn93FDx9oI&feature=player_embedded

Novamente, ao acelerar os processos de buscas, o Google busca se engendrar ainda mais em seu pensamento, para que você o use como um reflexo comum, como se fosse uma forma de falar. Pensamentos não esperam. Nem a busca deveria esperar. E como o Google sabe o que provavelmente será relevante para você, ele pode saber um pouquinho como funciona seu jeito de pensar.

E se o Google souber como você pensa, bem, trata-se de algo bem grande, não? Pense bem em como será a publicidade do futuro.