A Microsoft desenvolveu e lançou recentemente um novo app do YouTube para Windows Phone muito bom. Ao contrário da versão antiga, que era apenas um link para o site mobile, ele é um aplicativo completo com muitas funções legais. No entanto, ele provavelmente está com os dias contados: o Google enviou uma notificação à Microsoft pedindo que ela retire o app de sua loja imediatamente.

Logo no primeiro parágrafo da carta, publicada pelo The Verge, o diretor de parcerias globais do YouTube, Francisco Varela, expõe os motivos:

Aparentemente, o aplicativo: (1) permite que usuários façam download de vídeos do YouTube; (2) impede a exibição de propagandas em vídeos do YouTube; e (3) reproduz vídeos cuja exibição em certas plataformas (por exemplo, dispositivos móveis com características limitadas) foi restringida por nossos parceiros. Estas funções prejudicam diretamente nossos criadores de conteúdo e violam claramente nossos Termos de Serviço.

ATUALIZAÇÃO: Eis a resposta da Microsoft.

Estaríamos mais do que contentes em incluir propaganda, mas precisamos que o Google nos forneça acesso às APIs necessárias. À luz dos comentários feitos hoje por Larry Page, pedindo mais interoperabilidade e menos negatividade, estamos ansiosos para resolver essa questão junto aos nossos clientes mútuos.

De fato, como diz a própria carta do Google, os anúncios são uma grande fonte de dinheiro para o ecossistema do YouTube, que inclui as pessoas que colocam vídeos na rede. Mas, se essa questão é realmente importante para o Google, por que ele ainda permite extensões para o Chrome que desabilitam estas propagandas?

O ponto parece ser outro: a tensão entre Google e Microsoft já vem de algum tempo. Hoje, no Google I/O, Larry Page deu uma alfinetada na Microsoft por sugar “inovações sem dar nada em tronca” — uma crítica ao suporte ao Google Talk no Outlook?

A empresa responsável pelo Windows Phone já tinha reclamado que o gigante das buscas estava a impedindo de acessar os metadados do YouTube para desenvolver o tal aplicativo. Ela também fez uma campanha — arriscada e sem grandes resultados — contra o Gmail, chamada Scroogled, que acusava o Google de não respeitar a privacidade de seus usuários.

Outro momento da briga ocorreu no começo do ano, quando os serviços do Google deixariam de dar suporte ao Exchange ActiveSync, migrando para os protocolos abertos CardDAV e CalDAV. O problema? Eles não eram suportados pelo Windows Phone, o que poderia deixar os usuários do sistema sem acesso a contatos e agenda. No fim das contas, o Google decidiu que estenderá o suporte por mais seis meses — e nada mais.

Antes disso, o Google já tinha declarado explicitamente que não tinha interesse em desenvolver apps para os sistemas da Microsoft. Ou seja, este é só mais um capítulo em uma nova guerra entre duas gigantes da tecnologia.

Enquanto Google e Microsoft não se entendem, quem está no meio do fogo cruzado é quem usa serviços das duas empresas e tem que dar um jeito de fazer tudo funcionar, recorrendo a apps de terceiros ou a versões mobile. Uma pena. [The Verge]