Isto não é história de filme, nem de um livro de ficção científica: esta é a história real de um cientista que criou um vírus com o poder de matar bilhões de pessoas ao redor da Terra.

OK, calma, respire. Ou melhor, não respire: o vírus é transmitido pelo ar.

Em seu laboratório na Holanda, o virologista Ron Fouchier fez experimentos com o vírus da gripe aviária, o H5N1, para ver como ele poderia ficar ainda mais virulento. (Começou mal.) A pesquisa dele envolvia espalhar o vírus em uma população de furões, e ele percebeu que à medida que o vírus se replicava, ele se adaptava para se espalhar ainda mais rápido. (Piorou.) Mas você não se preocupa com gripe em furões, certo? Só que pesquisas anteriores mostram que quaisquer variações de influenza que se espalham entre furões podem se espalhar entre humanos. (Isso não melhora, não?) Dez gerações depois, os esforços do pesquisador criaram um vírus que se espalha pelo ar e que poderia matar metade da população mundial. (AI MEU DEUS!)

Fouchier, que conduziu a pesquisa no Erasmus Medical Centre, confessou que o novo vírus é “provavelmente um dos vírus mais perigosos que se pode fazer”. Ele apresentou o trabalho dele em setembro, em conferência sobre a influenza em Malta. Agora ele quer publicar seu estudo em um periódico científico, para que os responsáveis em controlar bioterrorismo estejam preparados para o pior. Parece o correto a se fazer, não? Mas a pesquisa assustou diversos colegas de Fouchier, que pedem que ele não publique a pesquisa, com medo que a receita caia em mãos erradas. E alguns questionam se a pesquisa deveria ter mesmo sido feita. (Verdade.)

Em geral, o vírus H5N1 afeta aves, mas há cerca de 10 anos ele surgiu em humanos, primeiro na Ásia, depois ao redor do mundo. Casos humanos são raros – cerca de 600 no total – mas eles são mortais: cerca de metade dos infectados morrem por causa da gripe.

A gripe aviária não é mais comum porque o vírus não se transmite pelo ar – pelo menos, não até agora. Na versão comum, você precisa tocar em algo contaminado para ficar doente. Mas a versão de Fouchier se transmite pelo ar, então estar próximo da doença e respirar seria o bastante para ficar doente. Ela é tão infecciosa quanto a gripe humana, porém bem mais mortal. E agora Fouchier que publicar como ele a criou.

Os especialistas em bioterrorismo acreditam que esta não seja exatamente a melhor ideia, porque qualquer um que coloque as mãos no artigo de Fouchier poderia reproduzir os resultados. O geneticista de micróbios Paul Keim é especialista em antraz e chefe da NSABB (National Science Advisory Board for Biosecurity), órgão americano que vai decidir se o estudo será publicado. Keim diz à Science Insider:

Eu não consigo pensar em outro organismo patogênico que seja tão assustador quanto este. Eu não acho que o antraz seja nem um pouco assustador comparado a este.

Mas Fouchier e outros cientistas que realizaram experimentos semelhantes acreditam que publicar isto ajudaria a comunidade científica a se preparar para uma pandemia de H5N1. Não publicar, segundo eles, deixaria pesquisadores sem meios para responder a um surto da doença. Mas uma pandemia criada pela publicação desse artigo também seria um problema – por isso a NSABB tem uma decisão difícil a tomar. [Science Insider via GeekosystemRT.com]