Os rumores eram verdadeiros: a Nokia agora tem uma gama de smartphones baratos com Android. O Nokia X, X+ e XL são destinados a mercados emergentes, e parecem bem diferentes de quaisquer outros aparelhos Android no mercado.

Que fique claro: estes não são aparelhos high-end de forma alguma. Afinal, eles custarão entre US$ 125 e US$ 150 quando forem lançados. Quem procura uma câmera PureView ou processadores velozes tem que recorrer ao Lumia.

Nokia X/X+

Eu testei o Nokia X+, que é praticamente idêntico ao Nokia X. Há apenas duas diferenças: ele acompanha um cartão SD de 4GB (mais os 4GB de espaço interno); e ele tem 768MB de RAM, contra 512 MB no modelo mais simples.

Ambos possuem tela LCD IPS de 4 polegadas, resolução 800×480 e diversas capas multicoloridas de policarbonato, assim como a linha Lumia – isso lhes dá algo único entre Androids baratos. Mas são aparelhos gordinhos, com 115,5 x 63 x 10,4 mm e pesando 129g.

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Há apenas três botões físicos: liga/desliga, volume e voltar (sensível ao toque); segure-o e ele age como o botão Home, levando você à tela inicial. Cada um também oferece capacidades dual-SIM.

A diferença mais notável em relação a outros dispositivos Android, no entanto, é o sistema operacional. A Nokia optou por usar o AOSP, Android Open Source Project, modificando-o consideravelmente para incluir uma interface semelhante ao Lumia e os serviços da Nokia e da Microsoft. Por exemplo, Outlook e Bing substituem padrões como Gmail e Google Search.

A interface de usuário será bastante familiar para quem usou um Lumia. Ele tem blocos quadrados, que podem ser dispostos e redimensionados como você quiser. Alguns desses blocos agem como live tiles: o ícone da câmera, por exemplo, exibe as fotos que você tirou com ela. A tela de bloqueio é simples, exibindo hora e data, notificações de mensagens e redes sociais, e uma visão detalhada da bateria restante. Basta tocar duas vezes na tela desligada para ativá-la.

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Deslizar da borda superior oferece acesso a configurações rápidas, com opções de conectividade (Wi-Fi, Bluetooth etc.) e a possibilidade de alternar entre os dois chips. No entanto, todas as notificações, histórico de app e favoritos ficam em uma tela chamada “Fastlane”, acessada deslizando para a direita na tela inicial. Aqui você tem acesso rápido às notificações, aos apps usados ​​recentemente, calendário, alarme, entre outros. O Fastlane é bastante fácil de navegar e bem organizado; infelizmente, ele não pode ser acessado deslizando a partir da borda superior – como o Android faz há anos.

No Nokia X e X+, temos um processador Snapdragon S4 dual-core de 1 GHz. É um modelo antigo, por isso não é tão rápido: notei uma demora considerável ao tentar reorganizar apps na tela inicial. Não é um bom sinal para apps que exigem muito do hardware.

Sem acesso ao Google Play, a linha X conta com o portal da Nokia Store. Ele já conta com centenas de milhares de apps, incluindo todas as principais redes sociais, teclados personalizados como SwitKey, e jogos importantes como Jetpack Joyride. A loja é simples de se navegar, com uma barra de busca na parte superior, e apps recomendados abaixo dela.

Os desenvolvedores poderão oferecer apps que você experimenta antes de pagar, e apps que você paga através da operadora (em vez de cartão de crédito), o que dá maior flexibilidade para usuários de baixa renda aos quais os aparelhos se destinam. A Nokia também permite o acesso a lojas de terceiros, bem como deixa instalar APKs. Então, por mais que a Nokia Store não se equipare ao Google Play em número de apps, você terá opções o bastante para obter os apps que quiser.

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Fãs da câmera PureView vão se decepcionar com o sensor traseiro de 3 megapixels. Ele é meramente funcional, tirando fotos com cores desbotadas, e sem muitos detalhes. Há apenas equilíbrio de branco e zoom digital na câmera.

Mas pelo preço, esta é uma entrada muito promissora no mundo dos smartphones para quem está em mercados emergentes. Ele definitivamente não vai ameaçar os smartphones premium com Android. O Nokia X deve chegar às lojas ainda hoje por cerca de US$ 125, e o Nokia X+ fica para o início do segundo trimestre, por US$ 135.

Nokia XL

A Nokia também testa as águas do Android com um phablet de entrada, o Nokia XL. Será este o primeiro smartphone grandão verdadeiramente acessível para os mercados emergentes? Parece que sim!

Ele possui uma tela LCD IPS de 5 polegadas com resolução 800×480: isso é pouco para uma tela deste tamanho; mas o brilho é bom e as cores são vivas.

Do lado de fora, ele parece um Lumia, graças a várias opções de cases de policarbonato. Ele mede 141,3 x 77,7 x 10,8 mm e pesa 190g. Apesar de grande, ele não é muito pesado, e cabe confortavelmente na mão.

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Rodando a versão adaptada pela Nokia do Android Open Source Project, este é um Lumia em tudo menos no nome. Temos blocos dinâmicos na tela inicial, atualizando-se em tempo real. Notificações e histórico recente ficam no “Fastlane”, à direita da tela inicial. Deslizando para baixo, você encontra opções de conectividade, e pode alternar entre os dois chips.

Com um processador Snapdragon S4 dual-core de 1 GHz, este celular só poderia ser barato. Até mesmo tarefas simples, como reorganizar os blocos da tela inicial, pareciam lentas. A Nokia não colocou nenhum app exigente, como jogos 3D, nos aparelhos de demonstração que eu pude testar.

Há 4 GB de armazenamento interno, mais suporte a cartão microSD. Na parte traseira, temos uma câmera de 5MP, uma ligeira melhoria ao sensor de 3MP no Nokia X, mas ele também sofre com imagens desbotadas e falta de opções de filtros e efeitos.

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O mercado de phablets geralmente consiste em aparelhos mais caros. No mínimo, a Nokia está deixando claro suas intenções ao usar o Android: pode não usar as melhores especificações, mas quer atender a todo tipo de cliente – quer eles queiram um aparelho normal ou grandão.

O Nokia XL deve custar cerca de US$ 150 quando for lançado no início do segundo trimestre.