O Nvidia Project Shield é um é um aparelho curioso, já que ele tenta matar uns cinquenta coelhos com uma cajadada só. Ele junta jogos portáteis, de console, tablets e smartphones.

Nós testamos o aparelho e, para a maioria dessas coisas, ele segura bem a onda – mas é difícil imaginar que alguém prefira o Shield a alguma das coisas que ele tenta substituir. Ele é aceitável e frequentemente bom para emular jogos de PC e consoles, mas está tentando demais ser uma cópia perfeita de tudo isso.

A Nvidia Brasil diz que ele deve chegar ao país até o Natal, quem sabe a tempo das festas de fim de ano, por preço ainda não definido.

O controle é um pouco leve e, mesmo não parecendo barato, não tem a mesma solidez que você espera de um controle de console. Mesmo assim, ele se ajusta bem às mãos. Para algo que tem tantas bordas, ele não é tão desconfortável. Não é tão esquisito segurá-lo como você pode pensar num primeiro momento, o que é um grande mérito, considerando a carinha desse brinquedo.

Como dissemos, ele tem a marca da esquisitice. O formato do controle, que lembra vagamente um disco, torna a localização dos botões – tanto os de cima quanto os de trás – meio esquisita. Sério, toda vez que eu tentava alternar de um botão frontal para um traseiro, eu errava na primeira tentativa. Da mesma forma, o formato côncavo — feito para acomodar a tela, que dobra por cima do controle — faz com que fique fácil de se perder na hora de trocar do direcional para um botão. E ainda há os botões físicos de volume, assim como os botões Voltar e Home do Android – é botão demais para pouco espaço.

É muito uma questão de preferência pessoal, mas eu tive dificuldade para me acostumar com os direcionais analógicos centrais, diferentes dos encontrados no Xbox 360. A natureza “afundada” do controle também os deixa num ângulo ruim, e eles já ficam bem baixos. É quase impossível dizer quando você os está apertando ou não. Como já disse, é uma questão pessoal: um gamer provavelmente se acostumaria ao controle depois de passar um tempinho com ele, mesmo que a transição entre o Shield e os controles tradicionais possa ser meio estranha.

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Já com relação ao desempenho, o Shield vai muito bem, obrigado. Os jogos de Android nativos, otimizados para a Tegra 4, rodaram bem e ficaram ótimos tanto na TV quanto na tela (pequena) do controle. A interface do Jelly Bean sem customizações torna a navegação fácil, como em qualquer outro aparelho com Android, e a escolha de jogos da Nvidia consistem em pouco mais de que uma listinha rolante, tornando o processo bem simples.

Para jogar games do seu PC no Shield, você precisa de uma placa de vídeo Nvidia (infelizmente/obviamente). A função roda sem problemas, apesar de que, como a demo era um jogo de corrida, o lag seria bem menor que num jogo de tiro, por exemplo. A Nvidia diz que o lag do streaming do PC não deve ser pior que o existente entre um controle wireless e um console, o que não deve ser nada mau.

No fim das contas, o Project Shield é meio esquisitinho, mas considerando o tanto de coisas que ele tenta fazer, isto não chega a ser uma surpresa. A esquisitice não chega a ser insuperável, ou ao menos não deve ser: isto ainda depende do preço de lançamento. No nosso teste, ele realmente parece um produto que tenta fazer tudo de uma só vez – mas não sucumbe com o peso de todas elas.

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