É impossível saber quantos novos smartphones com Android estão sendo lançados aqui em Barcelona. E se formos incluir todas as fabricantes chinesas com robozinhos nos estandes pequenos, passamos de 100. A briga para se “diferenciar” é grande: uns colocam mais megapixels na câmera, outros mais polegadas na tela, mais núcleos no processador ou enxertam um projetor. Isso chama a atenção por um tempinho. Mas a HTC, com seu bonito slogan “Quitely brilliant” prefere outro caminho: melhorar a experiência, aparar as arestas do sistema e caprichar nos materiais. O esmero e atenção aos detalhes faz a linha HTC One se destacar no mar de robôs com uma linha de apenas 3 aparelhos (é possível, viu, Samsung?). Veja se algum deles será seu próximo Android.

O HTC One X, One S e One V chegam ao mercado no “segundo trimestre”. A ideia é fazer um lançamento global, e na coletiva havia as logos das operadoras brasileiras. Entramos em contato com a assessoria da HTC (que tem “planos grandes” para o Brasil em 2012) e eles disseram “não haver informação” sobre datas e preços. Mas a chance de ao menos uma parte da família vir pra cá é bem grande. Vamos conhecê-los.

HTC One X
O irmão mais velho da família, tem tudo que a HTC julgou como “de ponta”. O corpo é de policarbonato emborrachado, parecido com o material do N9/Lumia 800, mas com mais curvas. Mesmo assim ele é bem leve (130 g) e não muito grosso (9,3 mm). A tela de 4,7” é uma Super IPS LCD 2, e não AMOLED, como da concorrente Samsung em uma bem incrível resolução de 1280×720. Mas francamente achei as cores e o brilho igualmente incríveis. Debaixo do capô haverá duas versões: uma com o quad-core Tegra 3 e seus quatro núcleos a 1,5 GHz (mais um “núcleo-fantasma” para controlar a economia de energia) e outra com o Snapdragon S4 nos mercados com LTE. A câmera tem 8 MP, flash de LED com detector de distância e um chip dedicado para processamento de imagens que a HTC promete melhorar bastante a experiência de fotos (mais aqui). São 32 GB de espaço . A preocupação aqui é a bateria: 1800 mAh (nade espetacular). Há ainda algumas limitações que antes eram específicas do iPhone, mas começam a virar padrão: não há entrada para microSD, o cartão é microSIM e a bateria não é removível. Além, é claro, do tamanho: ele é grande na mão (ainda acho grande demais para mim), mas ele é 3 mm menor que o Galaxy Nexus, por exemplo e parece ser bem menor que o Note.

O som é “reimaginado” depois da compra da Beats, e é possível ligar um “Beats enhancement” na hora de ouvir música ou até assistir a um vídeo no Youtube. O resultado, como você poderia imaginar, é um som mais “quente” e grave. Em fones razoáveis, é muito bem-vinda. No meu fone de referência, achei melhor desligado.

HTC One S
O One S é o que eu mais gostei dos 3. Em termos de performance, não parece haver muita diferença entre o grandalhão X, a não ser nos jogos mais exigentes criados pela própria nVidia. Ele tem um processador dual-core da Qualcomm S4 a 1,5 GHz, 16 GB, uma tela de 4,3”(infelizmente com resolução apenas qHD), a nova versão do Gorilla Glass, câmera de 8 MP. O grande diferencial dele é o design. Finíssimo com 7,9mm e leve, ele tem uma pegada boa. O material usado é tão complexo que me explicaram 3 vezes até eu entender mais ou menos. Mas basicamente envolve um processo de micro-oxidação em cerâmica usado em satélites, que faz com que o corpo de alumínio (unibody) seja bastante durável. Em resumo: ele é lindo e parece que vai durar muito. Há uma opção também em cinza, que é até mais bonita, mas tem uma explicação menos complexa. E o tamanho? Vejamos o HTC One X e o S junto do meu iPhone 4S:

HTCOnexiPhone

HTC One V

O V é praticamente uma reedição do Legend, o Android mais bonito e único que eu vi, nessa mesma feira em 2010. Ele tem esse queixo e uma construção em alumínio que o faz parecer caro. Mas na verdade ele é o mais econômico da família. Com uma tela de 3,7” e resolução de 480×800 — exatamente como o Milestone, no longínquo 2009. O processador também não é grande coisa: 1 GHz, que é bastante aparente depois de usar os outros dois. A câmera, apesar de não ser tão poderosa quanto dos outros (tem 5 MP), mantém o processador dedicado e as melhorias de software. Ele será a opção “barata” da família. Se o “barato” for em conta também no Brasil, a junção de um excelente design com Android 4.0 e o Sense 4 de fábrica podem criar um pacote matador.

Sense e Android

Se em termos de hardware há diferenças importantes entre os 3, a usabilidade é bem parecida, graças ao combo Android 4.0 + Sense 4. Como o Ice Cream Sandwich melhorou e unificou a experiência visual do Android, sobra pouco espaço para a skin da HTC, e ela o cobre de uma maneira não intrusiva. Dê uma olhada neste vídeo que eu fiz lá:

Os destaques:
* O menu de multitarefa é ainda mais bonito (com o gesto “jogue pra cima pra fechar”).
* há uma interface específica e com botões grandes para o modo “carro”, muito, muito esperta.
* O ícone música virou um hub a là Windows Phone, concentrando arquivos. E ainda é possível fazer a sincronização sem-fio com a sua coleção no computador.
* A câmera tem inicialização de 0,7s (é tão ou mais rápida que o Galaxy Nexus) e autofoco de 0,2 s (definitivamente melhor que qualquer outro que vi). Dentro dela, ícones separados de captura de vídeo e foto, além da possibilidade de fotos contínuas ou fotos dentro do vídeo. Tudo muito, muito rápido.
* O dropbox é integrado em todos os programas principais, e donos de HTC One têm 25 GB por 2 anos de graça.
* As animações e widgets diversos pularam fora dessa versão do Sense e ele parece mais leve e rápido, mas ainda bonitinho.

Acessórios

A HTC disse que investiria mais em acessórios este ano e a expectativa é grande. Em primeiro lugar, é justo crer que os próximos smartphones da empresa virão com fones de ouvido decentes. Aqui no MWC, todos tinham um daqueles Beats vermelhos conectados. Os representantes disseram que fones bons “dependerão do pacote contratado pela operadora” e os pacotes seriam diferentes em regiões diferentes, mas não tenham dúvida de que eles irão agarrar essa oportunidade de se diferenciar — basta pegar o que eles têm no armazém e colocar na caixa. Os últimos fones de ouvido acima da média em um telefone que vi foram em algum Sony Ericsson “Walkman” anos atrás.

A segunda é em “docks”, e elas virão em dois sabores. Há a para carros, que casa bem com a interface Sense para acompanhar o volante (veja lá no vídeo, é bem legal) e a comum, com saída para carregador e HDMI, tem um conector externo, não o micro-USB de sempre. Ela estava atrás de um vidro e não pudemos ver direito, mas o conceito de algo mais discreto é uma boa. O Verge tem fotos melhores aqui.

E por último mas não menos importante, há o “Wireless Media Link HD”, uma evolução do seu link de DLNA anterior. Ela é uma caixinha que você pluga pelo HDMI na TV e, via uma conexão Wi-Fi, pode mandar conteúdos do celular. Nos meus testes aqui, ela pareceu funcionar muito bem. Arraste 3 dedos pra cima e a imagem do celular pode ser jogada para a tela. Ou por um espelhamento perfeito (tudo que você vê no celular aparece na telona) ou uma aplicação específica: você pode deixar um filme rodando enquanto faz outra coisa no aparelho, mais ou menos como o AirPlay com uma Apple TV. A vantagem aqui é que o negócio é ainda mais discreto e custará menos — a caixinha anterior saía por 60 Euros, esta deve ficar na mesma faixa.

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Como dissemos, não há previsão de disponibilidade ou preço dessas belezinhas no Brasil. Mas por essa página aqui, sabemos que os HTC One devem chegar com exclusividade pela Vivo. Estamos bastante ansiosos por passar mais tempo com os aparelhos, e assim que tivermos mais tempo com eles avisamos aqui se a nossa empolgação se mantém. Eu odeio o clichê de jornalismo de tecnologia de “espere pelo próximo lançamento”, mas com HTC Ones e Galaxy S III prestes a desembarcarem aqui, se você estiver atrás de um Android top de linha, acho que vale segurar a carteira só mais um pouquinho.