Quando a Sony anunciou suas intenções de criar sua versão do Oculus Rift, nós nos empolgamos. O Rift recebe toda a atenção por suas proezas de realidade virtual (e com razão), mas um pouco de competição seria muito bom para a tecnologia emergente. Durante a E3, em Los Angeles, finalmente pudemos testar o Project Morpheus. E rapaz, ele é bem impressionante.

Sendo bem sincero, tive apenas 5 minutos para usá-lo, mas o hardware do Morpheus – que lembra óculos de ski futuristas – é surpreendentemente leve e bem balanceado. Posso imaginar como é jogar por horas com ele sem dores no pescoço. Dito isso, a Sony deixou bem claro que é apenas um protótipo, e isso era bem aparente, já que algumas unidades ainda tinham fita adesiva.

Ao colocar o visor, você precisa pressionar a fita plástica traseira, apertando-a para obter o ajuste ideal na sua cabeça. Você também pode usar uma pequena roda para ajustar com ainda mais precisão. Aperte um botão separado para deslizar a tela para mais perto ou longe dos seus olhos, conecte um par de fones de ouvido no aparelho, e você está pronto para se divertir.

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Durante a demonstração, pude testar três diferentes jogos. E por mais que o Morpheus não deva ser lançado neste ano – talvez nem no próximo – ele foi capaz de mostrar umas coisas bem bacanas. Não pudemos capturar vídeos de como é ver por dentro dos óculos, mas dá para entender um pouco a partir das telas que mostravam meu ponto de vista.

Castle

O primeiro jogo que testei era chamado simplesmente de Castle (castelo em inglês), e por mais que seja improvável que um dia seja lançado, serviu como uma ótima introdução ao mundo do Morpheus. O Castle usa um monte de acessórios disponíveis da Sony para tornar a experiência mais imersiva. Ele usa a PS4 Camera (a resposta da Sony ao Kinect) para detectar sua posição na sala, e ajusta a sua visualização de acordo com ela. Também usa os controles de movimento PlayStation Move (a resposta da Sony ao Wii Remote) para saber com precisão onde estão suas mãos. Também é possível usar os gatilhos para manipular objetos virtuais.

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Você começa a aventura em Castle com as mãos vazias, de frente para um manequim de cavaleiro. Use os gatilhos do Move para transformar suas mãos em punhos e soque o sujeito. Ou segure as mãos e dance com ele, se desejar. A demo foi extremamente responsiva, e eu não notei nenhum lag. No nível seguinte, você ganha uma espada, e pode cortar os membros do cavaleiro bobo. Você pode segurar a mão dele, cortar o braço, e aí bater nele com o braço cortado até que sua cabeça caia. Como não amar?

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Em níveis mais avançados, você ganha um mangual medieval para espancar o manequim, ou até mesmo um arco para praticar sua mira. O Morpheus ainda leva em conta a força da gravidade em tiros mais longos.

A demo rodou com suavidade até eu tentar pegar uma espada que deixei cair e aí levantei todo o chão que estava abaixo de mim. Esse foi o primeiro momento atordoante no qual de repente eu pensei que poderia tropeçar por toda a sala.

Street Luge

E o que vem em seguida? Street Luge, que era simplesmente fantástico. A Sony me deu um pufe predominantemente plano, de modo que a posição do meu corpo ficou semelhante a um trenó real. Coloquei os óculos e fones de ouvido e logo estava descendo uma colina tentando desviar do tráfego e de outros obstáculos.

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Os controles eram incrivelmente simples: fique deitado e se incline para alguma direção. Não há nenhuma curva de aprendizado. O sistema era super responsivo e não detectei nenhum momento de lag, o que pode ser bem ruim em um mundo virtual. Viajando a 40m/s virtuais, consegui deslizar por baixo de uma plataforma que se aproximava e olhar para seus eixos conforme a atravessei. Foi bem divertido, de verdade. Só seria melhor se tivesse um ventilador de alta velocidade soprando no meu rosto para adicionar um pouco de realismo físico.

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EVE Valkyrie

Por fim, joguei uma versão modificada de EVE Valkyrie, um jogo preparado pela Sony para apresentar o Morpheus em março passado. Nos disseram que é provável que ele seja um dos jogos completos disponíveis quando o Morpheus se tornar um produto real. E, diferentemente da primeira vez que EVE Valkyrie foi mostrado, agora ele é feito no motor Unreal 4, o que adicionou fidelidade gráfica e rapaz ele ficou bonito.

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Basicamente, é um jogo de combate aéreo no espaço sideral. Você usa o DualShock 4 padrão do PS4 para voar na sua nave espacial, adicionar impulso, atirar e tudo mais. Mas você também usa o capacete do Morpheus para olhar ao seu redor, e para controlar o bloqueio de mísseis. Mantenha o inimigo na sua mira por alguns segundos, e o alvo é travado, e aí você pode explodi-lo em pedacinhos.

É uma forma simplesmente fantástica de jogar. Não apenas você se sente imerso no mundo, mas é capaz de olhar ao seu redor e travar a mira enquanto voa em outra direção (ou enquanto atira em outro alvo), e isso literalmente adiciona uma nova dimensão. Basicamente permite que você jogue de uma maneira que até hoje era impossível, o que significa que seu cérebro precisa aprender novos truques para você ficar realmente bom nisso.

Um dos recursos mais sutis, mas também melhores do Morpheus é que ele incorpora som 3D. Esse é um chavão que ouvimos aplicados a tablets e outras coisas, mas aqui ele funciona, e é ótimo. Em EVE, por exemplo, quando você está disparando sua metralhadora, se virar sua cabeça para olhar para a esquerda, o áudio muda em direção à sua orelha direita. Ele acrescenta profundidade de realidade à sua experiência enquanto você joga.

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Qual é o efeito cumulativo? Jogar esses jogos aumenta a sua pulsação de uma maneira que jogar em uma TV de tela plana (mesmo que seja imensa) não consegue. Ao alterar seu senso de realidade, o Morpheus consegue ativar alguns dos seus reflexos de luta e voo. O Street Luge me deu uma dose extra de adrenalina, e EVE Valkyre me deu pânico, “estou sendo caçado!”. Naturalmente, você sabe que é apenas um jogo, então não fica completamente maluco. Mas como parece bem mais real, você acaba dando risada das respostas involuntárias do seu corpo.

Mas está bem claro que ele não está perto da perfeição. Atualmente, a tela é 1080p, mas dividida para seus dois olhos, o que causa um pouco de granulado nas imagens. Adicione isso ao fato de que seus olhos estão praticamente grudados na tela, e estamos bem distantes de uma “tela Retina”. Os pixels são bem visíveis. E há um pouco do efeito “olhar através de uma porta de rede” que vimos também no Oculus Rift.

Isso não é algo ruim. Na verdade, é até bom, mas a tecnologia de realidade virtual implora por 4K. Ainda temos ao menos um ano antes de ver isso nas prateleiras, então quem sabe? Talvez a nova resolução seja incorporada antes do produto chegar às lojas.

Jeff Stafford, da Sony, me disse que o Morpheus, mais do que qualquer outro produto de linha PlayStation, vai ser guiado por desenvolvedores. Ele não quer simplesmente adaptar jogos populares da Sony para o Morpheus (mas pode apostar que eles farão isso). Ele quer ver pessoas criando mundos especiais para aproveitar ao máximo o potencial da realidade virtual.

Ainda estamos no começo dessa história, mas mesmo essas primeiras impressões dão uma boa ideia do que pode vir no futuro.