Todo grande fabricante de dispositivos de realidade virtual fez a mesma promessa algum dia. Um headset VR que seria completamente sem fio. Um que permitiria que você fosse a qualquer lugar sem tropeçar em fios ou estar preso a um computador/smartphone/PS4. O Google, que passou mais de um ano melhorando, em silêncio, sua plataforma de realidade virtual, o Daydream, agora é a primeira empresa a cruzar a linha de chegada do headset independente. E, olha, o  Lenovo Mirage Solo, equipado com a tecnologia do Google, é uma beleza.

• CES 2018: Laptop 2-em-1 da Lenovo com Snapdragon promete 20 horas de bateria
• CES 2018: Nova bandana da Philips promete melhorar seu sono sussurrando no seu ouvido

Este é o primeiro dispositivo Daydream a ter seis graus de liberdade (DOF), o que significa que você pode se agachar, pular, além de se mexer de um lado para o outro, para frente e para trás. O Daydream encontrado nos celulares com Android permite apenas 3 DOF. Entretanto, assim como com outros dispositivos Daydream, o Mirage Solo usa rastreamento de dentro para fora, então você não precisa de sensores espalhados pela sala para acompanhar o movimento do headset.

O Mirage Solo tem microfones duplos para capturar sua voz e fornece áudio por meio de uma entrada padrão de 3,5mm. Ele tem 64GB de armazenamento embutido, mas pode ser expandido por meio de um slot de cartão micro SD se você precisar de muitas “experiências” VR.

Ele também tem 4GB de RAM e é equipado com o mesmo processador Qualcomm Snapdragon encontrado no Samsung Galaxy S8 e no Lenovo Miix 630 que será lançado neste ano. E se no caso do seu 2-em-1 a Lenovo afirma que o dispositivo tem 20 horas de duração de bateria, no Mirage Solo VR ele tem, em média, sete horas de duração. Isso provavelmente por estar abastecendo uma tela de 2560 x 1440 de resolução.

Então, como é que ele é? Em uma demonstração, eu o achei bastante libertador. Não ter que se preocupar com fios enquanto me movimentava pela sala apaga pelo menos um obstáculo — infelizmente, ainda tenho que me preocupar com os móveis e as pessoas ao redor. Aliás, isso pode ser uma preocupação até maior agora já que não existem amarras.

A qualidade da experiência em realidade virtual está a par com a do VR de smartphone. Portanto, tem um pouco mais de borrão do que eu gostaria quando giro em círculos, e os gráficos não vão ganhar nenhum prêmio por fotorrealismo.

Lenovo Mirage Camera

Mas se você quer fotorrealismo, a Lenovo, em conjunto com o Google, também tem a Lenovo Mirage Camera, que permite que você grave vídeos em realidade virtual bem legais com uma câmera do tamanho de uma carteira.

A Mirage Camera usa câmeras duplas de 13MP para capturar imagens estáticas ou vídeos em 4K, 1440p, ou em 1080p a 30 quadros por segundo. E é tudo automaticamente registrado em estereoscópio VR, sem necessidade de pós-processamento. Mas não é uma câmera 360º. Ela tem uma campo de visão de 180º, então você não está capturando absolutamente tudo, apenas o que está na frente da câmera.

Eu esperava que o resultado fosse profundamente perturbador, mas, na verdade, foi bem agradável. As lentes duplas capturam em ângulos levemente diferentes, então tem um belo efeito 3D que você não consegue com vídeos em 360º. Eu podia me inclinar em direção a um bolo de aniversário e, até certo ponto, sentir como se de fato estivesse me aproximando dele.

As lentes fisheye duplas de 13MP da Lenovo Mirage Camera

O que eu especialmente gostei foi de como eu nunca senti como se estivesse perdendo algo acontecendo diretamente atrás de mim. Ao assistir ao vídeo e ver as imagens por meio da realidade virtual, dá para você ver tudo diretamente na sua frente e então se virar e ver um pouco do mundo à sua esquerda e à direita, assim como diretamente acima de você ou abaixo. O vídeo, que usa o novo tipo de vídeo VR180, do Google, parece imersivo o bastante para uma visualização passiva casual.

E se você decidir olhar ao seu redor, não existe nenhum ponto de corte abrupto onde você esperaria um. Em vez disso, ele se desvanece em um céu noturno. Na imagem abaixo, você pode ver a divisão e o belo desvanecer entre os dois mundos.

A Lenovo Mirage Camera faz todo seu processamento com um processador Qualcomm Snapdragon 626. Ela tem 2GB de RAM, 16GB de armazenamento embutido e microfones duplos para capturar áudio. Ela também se conecta ao seu celular por meio do app Google VR180. Isso permite que você reveja todas as coisas que registrou, além de permitir usar seu smartphone como campo de visão da câmera. Embora você provavelmente não vá precisar deste último item muitas vezes, já que está capturando tudo na frente da câmera.

Então, quanto é que esse próximo passo do Google no mundo do VR vai te custar? A Lenovo não deu preços oficiais, mas diz que seu headset Mirage Solo pode sair por menos de US$ 400 (R$ 1.300 em conversão direta), enquanto a Mirage Camera deve custar menos de US$ 300 (R$ 975).

Devemos ter mais informações sobre os preços em breve, já que tanto o headset quanto a câmera devem chegar a partir do fim de março. Não sei se esse dispositivo será o divisor de águas de que o VR precisa, mas novas ferramentas e abordagens na criação de conteúdo em realidade virtual são bastante necessárias neste momento. Essa tecnologia, e especialmente seu conteúdo, ainda está engatinhando. Talvez uma câmera VR de 180º seja exatamente aquilo de que o mundo da realidade virtual precisa. Um headset independente definitivamente é.

Todas as imagens: Alex Cranz/Gizmodo