A chinesa Huawei surpreendeu todo mundo e lançou um incrível (ao menos no papel) smartphone com Android 4.0 no início dos trabalhos do Mobile World Congress aqui em Barcelona. De cara, o Ascend D Quad é relativamente pequeno para a sua tela de 4,5” e tem uma tela bem bonita com resolução de 720p. Mas o grande trunfo está embaixo do capô: os engenheiros chineses ajudaram a desenvolver a própria CPU, com quatro núcleos e um processador gráfico que pode ser até 3x mais rápido que o Tegra 3, o mais poderoso que conhecíamos até ontem. Tudo isso com uma performance de bateria “30% mais eficiente”. Bom demais pra ser verdade? Vejamos os outros detalhes.

Nós acabamos de sair da coletiva, que teve todo tipo de número e comparação (favorável, é claro) com Galaxy Nexus, iPhone 4S e até mesmo o Transformer Prime, o tablet quad-core da Asus. Segundo a Huawei, o Ascend D é 49% mais rápido que o Galaxy Nexus em operações normais, como tirar fotos, abrir sites ou galeria. Em jogos e outros benchmarks com bastante 3D, o Ascend D Quad chegou a 35 frames por segundo, enquanto o Exynos dual-core, a solução mais rápida da Samsung, chegou a 8,46FPS, segundo a Huawei.

Os chineses dizem que o Ascend D (de “diamante”) tem uma solução gráfica de “16 núcleos” e processa cores em 32-bit, ao contrário dos atuais 16-bit de todos os outros smartphones. Tudo fica mais bonito na tela de 4,5” (material não-especificado) que de fato é menos monstruosa que o Galaxy Nexus. “Nós queremos telas grandes, mas sua mão não é tão grande”, disse o presidente da divisão de celulares da Huawei, Richard Yu, assegurando que o seu smartphone era 5 mm menor que a concorrência de mesmo tamanho de tela.

O outro grande trunfo do Ascend D é a bateria, que tem 1800 mAh e um sistema de gerenciamento (mais ou menos como o “núcleo fantasma” do Tegra 3) que diminui ou aumenta o clock dependendo da aplicação, mantendo a baixa temperatura. Isso daria ao smartphone da Huawei a autonomia de até 2 dias de uso intenso. Para ajudar na tarefa, a tecnologia de busca de rede (que consome um bocado de bateria) é otimizada com a expertise da Huawei — que fabrica quase todas as antenas das operadoras brasileiras — no assunto. Quem quiser ainda mais bateria terá a opção de comprar um modelo com 2500 mAh, do Ascend D “XL”.

Há um selo Dolby D 5.1 (que deve significar um áudio melhor) e uma tecnologia de eliminação de ruído externo nas ligações parecida com a que a Motorola inventou alguns anos atrás que, na demo da coletiva, pareceu sensacional demais para ser verdade (sério, era qualquer coisa mágica). Mesma coisa para a câmera de 8MP com os melhores “sensores e algoritmos” do mercado e fotos incríveis projetadas. Em resumo, tudo demonstrado em vídeo e gráficos de powerpoint pareceu bom demais para ser verdade. Não duvidamos da capacidade dos chineses, mas prefiro gastar mais um pouquinho de tempo com esta criança para conferir tudo que a Huawei promete. Passei bem pouquinho tempo com ele na mão — espere um vídeo nos próximos dias. Mas no papel e na coletiva ele deixou muita gente de queixo caído aqui.

Não há data definida para o seu lançamento, mas ele deve chegar aos principais mercados entre maio e junho a um preço “entre 15% e 20% mais competitivo que a concorrência”, seungod Yu. Estamos buscando informações sobre um possível lançamento no Brasil, mas sabemos que o Ascend D é um smartphone “global”, petaband, então ele funcionará aqui sem problemas caso você compre um nas férias de julho na China. A Huawei tem planos ousados este ano: depois de vender 20 milhões de celulares em 2011, ela pretende vender outros 60 milhões em 2012. E a família Ascend (que ainda terá um modelo mais econômico, dual-core, e outro com LTE) terá um papel importante nos planos de dominação global dos chineses. Fiquemos de olho.