Contemplem o C/2017 K2 (PANSTARRS)ou “K2”, só para abreviar. A uma distância impressionante de 2,4 bilhões de quilômetros do Sol, ele é o cometa ativo mais distante já documentado por astrônomos.

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O K2 foi descoberto em maio de 2017 pelo Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System (Pan-STARRS), no Havaí, mas essa é a nossa primeira oportunidade de ver o cometa com qualquer tipo de detalhe significativo, e tudo graças ao telescópio Hubble.

Para a surpresa dos astrônomos, o cometa entrou em seu modo ativo, embora esteja localizado atualmente em algum lugar entre as órbitas de Urano e Saturno. A essa distância, a temperatura ambiente é de congelantes -240ºC, e a intensidade do Sol nele é de meros um 225 avos do que é na Terra. Ainda assim, o cometa já está começando a derramar seu revestimento gelado. De acordo com um comunicado de imprensa, as observações do Hubble “representam os primeiros sinais de atividade já vistos de um cometa entrando na zona planetária do Sistema Solar pela primeira vez”.

Imagem: NASA, ESA, and A. Feild (STScI)

O K2 está atualmente viajando em direção ao Sol e está agora perto o bastante para ter desenvolvido uma nuvem de poeira e gás em torno de si, uma característica conhecida como “coma”, que atualmente mede cerca de 128 mil quilômetros de largura.

“O K2 está tão distante do Sol e é tão gelado que sabemos com certeza que a atividade — tudo que está o fazendo se parecer com um cometa — não é produzida, como em outros cometas, pela evaporação de gelo de água”, explicou em um comunicado de imprensa David Jewitt, pesquisador da Universidade da Califórnia em Los Angeles e que está estudando o cometa. “Em vez disso, achamos que a atividade acontece devido à sublimação [um sólido mudando diretamente para um gás] de super-voláteis conforme o K2 faz sua primeira entrada na zona planetária do Sistema Solar. É por isso que ele é especial. Esse cometa está tão distante e é tão incrivelmente gelado que o gelo de água de lá está congelado como uma rocha.”

Jewitt disse que a mistura particular de gases voláteis observada, incluindo oxigênio, nitrogênio, dióxido de carbono e monóxido de carbono, torna o K2 o “cometa mais primitivo que já vimos”.

A jornada do K2 tem sido longa, originando de dentro da nuvem de Oort, uma concha esférica de quase um ano-luz de diâmetro e que contém bilhões de cometas. Essas bolas rochosas de gelo, poeira e gás datam da formação do Sistema Solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos.

O cometa não desenvolveu uma cauda, pelo menos não ainda. A maior aproximação do K2 acontecerá em 14 de julho de 2022, quando estará pertinho da órbita de Marte, a uma distância de 402 milhões de quilômetros do Sol. Ainda não se sabe se ele será visível a olho nu quando passar por perto daqui a cinco anos.

[Hubble]

Imagem do topo: NASA, ESA, and D. Jewitt (UCLA)