Existem alguns lados negativos em novas observações, e confusão pode ser um deles. Novas imagens estelares trazem mistérios que vão exigir mais tempo e esforço para serem compreendidos. Isso é compensado pelo quão detalhadas podem ser essas imagens produzidas pelos cientistas. E, é claro, cientistas gostam de ouvir que têm mais trabalho a fazer.

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Uma equipe usando o Very Large Telescope Interferometer (VLTI), no Observatório Paranal, no Chile, capturou essa imagem incrivelmente detalhada da superfície da brilhante estrela Antares. Essa é provavelmente a imagem mais detalhada de uma estrela já registrada (até mais do que isso aqui). Ainda assim, as novas observações trouxeram incerteza na forma de aglomerados de gás se movendo rapidamente na atmosfera de Antares.

“A convecção por si só não explica os movimentos turbulentos e a extensão atmosférica observados”, escrevem os autores no artigo, publicado na semana passada no periódico Nature, “sugerindo a operação de um processo ainda a ser identificado na atmosfera estendida”.

Esta imagem mostra o mapa de velocidade de gás na superfície de Antares, onde vermelho são as coisas se distanciando de nós e azul, se aproximando de nós. O anel preto é um local para o qual não havia dados disponíveis. Imagem: ESO/K. Ohnaka

Antares é a estrela mais brilhante da constelação Scorpius, uma supergigante vermelha a apenas cerca de 555 anos-luz de distância da Terra. Ela tem raio cerca de 883 vezes maior que o do Sol. Se Antares fosse a estrela central em nosso próprio Sistema Solar, ela engoliria a órbita de Marte. Os pesquisadores observaram a luz infravermelha da estrela em cinco dias em 2014, usando quatro telescópios por meio de um processo chamado interferometria, tirando dados de vários telescópios sincronizados e combinando as observações posteriormente, transformando-as em um enorme telescópio. Então, reconstruíram a imagem com um algoritmo de análise especial.

Versão de um artista para a estrela supergigante vermelha Antares. (Imagem: ESO/M. Kornmesser)

Além do detalhe, os pesquisadores descobriram gases se movendo rapidamente — a cerca de 20 quilômetros por segundo — para longe, dentro da atmosfera da estrela. Mas a equipe percebeu que a convecção, processo pelo qual a matéria circula ao aquecer e resfriar como se estivesse em uma panela fervendo, não poderia ser responsável pelo quão longe o gás viajou — cerca de 1,7 vez o raio da estrela. Eles notaram que a Betelgeuse, estrela de quem esses astrônomos roubaram o título de imagem mais detalhada já feita, tem um movimento parecido, mas o gás só se move com um quarto da velocidade do observado agora.

“O próximo desafio segue sendo identificar o mecanismo de condução responsável pelos movimentos turbulentos observados”, escrevem os autores.

Como sempre, com novos dados vêm novos mistérios. Tem uma série de coisas que simplesmente não sabemos sobre o universo em que vivemos.

[Nature]

Imagem do topo: ESO/K. Ohnaka