O conceito da App Store da Apple essencialmente colonizou a ideia de distribuição de aplicativos para aparelhos móveis, com praticamente toda plataforma de smartphones correndo para abrir a sua própria loja online. A loja da RIM, a BlackBerry App World, foi lançada na quarta-feira (mas ninguém acreditou). E aí, como ela está?

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O Escopo
Em uma única metáfora, se a App Store do iPhone é a feira de rua, a App World da RIM é como a seção de alimentos das Lojas Americanas – até tem algumas coisas que a App Store tem de forma suficientemente decente, mas não se emparelha quanto à diversidade e profundidade ou mesmo o polimento que faz você se sentir bem ao gastar 20 reais em uma sacola de verduras e legumes crescidos organicamente em alguma lavoura local.

A metáfora dos produtos agrícolas na verdade se estende um pouco mais: enquanto a feira de rua pode vir a ser o único lugar onde você compra alimentos, a seção de comida das Lojas Americanas provavelmente não será o único lugar onde você fará suas compras (a menos que você se alimente exclusivamente de barras de cereais, chocolates e balas). Semelhantemente, a App Store é o local (legal) exclusivo para você arranjar os seus aplicativos de iPhone, ao passo que você sempre pôde pegar os seus aplicativos de BlackBerry de onde quisesse. Ou seja, a App World é mais sobre criar um ponto centralizado e conveniente para afunilar os softwares e a já vasta comunidade de desenvolvedores da plataforma do BlackBerry – não para criar um novíssimo ecossistema, como o fez a App Store. Ainda assim, o desenvolvimento e o interesse cada vez maior é o que provavelmente teremos como resultado disto. Eles já têm algumas centenas de aplicativos logo de cara na loja, o que não é nada mau.

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A Experiência de Compra
Pegaram a App Store de iPhone e a transformaram em uma experiência bem típica de BlackBerry mesmo – várias listas com texto em barra de rolagem, clica-se no botão de menu BlackBerry para acessar atalhos e funções secundárias (como reviews) ou para ir para o menu principal da App World. Funciona bem com a trackball, apesar de não ser tão divertida de se navegar como na App Store do iPhone (eu não testei a App World com um Storm, mas se for exatamente a mesma coisa, a interface com o usuário seria um lixo em um telefone de toque). Por mais que você cruze com toneladas de barras de progresso conforme você perambula pela loja, as coisas se carregam relativamente rápido, mesmo usando EDGE (nos EUA, diga-se de passagem).

Eu queria evitar comparações com a App Store do iPhone, mas a RIM modelou a loja deles tão claramente na da Apple que chega a doer. Você basicamente tem até o mesmo conjunto de ícones na parte de baixo da App Store: Search, Top Downloads, Categories e My World (que lista os seus próprios aplicativos). Em vez de um botão “destaque”, os aplicativos em destaque tomam a maior parte da tela, com um aplicativo exibido por vez, dominado por um ícone de aplicativo estilo Apple (especialmente o Bloomberg). É legal, mas não muito intuitivo se você quiser rapidamente visualizar a lista de aplicativos em destaque.

O pagamento para os aplicativos pagos é ainda mais desajeitado, como observa Walt Mossberg – você precisa interligá-lo a uma conta no PayPal. Dito isto, o BlackBerry não tem já esperando por ele um iTunes para obter um sistema simplificado, como a Apple tem. Seria muito legal se o pagamento pudesse ser ligado a uma conta, digamos, da Amazon, onde eu posso pagar facilmente por aplicativos junto com músicas, filmes, livros e qualquer outra coisa que eles vendam digitalmente.

Baixar e instalar aplicativos gratuitos é algo bem simples e não tem nenhum problema. Basta você clicar e pronto, você já está baixando. Daí você recebe a confirmação OK/Run de sempre quando ele termina o download. Baixar e instalar o aplicativo Ticketmaster por Wi-fi com uma taxa de transferência média de 5Mbps de acordo com o Speedtest – um mero aplicativo de 171KB – levou aproximadamente 45 segundos. O Google Talk de 1,2MB levou mais ou menos 1 minuto para baixar e outros 20 segundos para instalar. Usando EDGE, eu levei na cara alguns timeouts ao tentar baixar um aplicativo maior como o Facebook.

A tela de gerenciamento de aplicativo na verdade se parece bastante com o gerenciador de downloads do Firefox. Alguns aplicativos prendem o seu telefone enquanto estão sendo instalados (pelo menos no nosso Curve 8900 de teste), mas geralmente não é por muito tempo. No entanto, desinstalar aplicativos – ou instalar uma nova versão para substituir uma versão antiga – é um pé no saco. Quando eu desinstalei o aplicativo do Facebook, eu tive que reiniciar o telefone! E quando eu instalei uma nova versão do Google Talk, eu tive que reiniciar de novo! Que mundo bizarro é este, Windows 98?

Outros Tormentos
Alguns dos aplicativos mais proeminentes do BlackBerry também parecem não estar na loja – entre os mais notáveis, o TwitterBerry. Presumo que isto mudará com o tempo conforme mais aplicativos surjam e a App World se torne o principal centro para aplicativos de BlackBerry.

A interface com o usuário também poderia se utilizar de uns fogos de artifício no seu bojo entupido – na maior parte das vezes, eu gosto da interface com o usuário do BlackBerry, mas eu sinto que ela precisa de um estilo mais dinâmico para tornar a compra de aplicativos uma atividade divertida. Eles querem que a gente gaste dinheiro, não é isso? (Facilitar literalmente o gasto de dinheiro também ajudaria neste aspecto.) Ah, e sim, uma versão para desktop também seria legal – um problema que também tínhamos com o Android.

Em geral, a loja funciona suficientemente bem – ela é definitivamente mais fácil do que percorrer recantos distantes da Internet para encontrar os aplicativos que você procurar, contanto que eles estejam na App World. Mas há definitivamente bastante espaço para ela se tornar uma experiência única, mais sexy e mais fácil de usar. [BlackBerry]