O governo chileno encerrou, neste fim de semana, o estado de emergência acionado no mês passado em resposta à pior temporada de incêndios florestais da história do país. O fogo, que agora parece estar apagando, queimou mais de 366 mil hectares — aproximadamente quatro vezes a área da cidade de Nova York, por exemplo — desde 15 de janeiro.

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Incêndios florestais fazem parte do verão quente e seco do Chile, mas, neste ano, as chamas foram excepcionalmente ferozes e destrutivas. Desde janeiro, mais de 100 incêndios queimaram florestas, destruíram plantações e vinhedos, arrasaram cidades inteiras e mataram ao menos 11 pessoas no centro e ao sul do país, de acordo com o governo e o que foi noticiado pela imprensa local. “O Chile está vivendo o maior desastre florestal de sua história”, afirmou a presidente Michelle Bachelet, acrescentando que o país “praticamente exaustou sua capacidade de combater as chamas”, segundo noticiou a BBC em 22 de janeiro.

Uma combinação de uma longa seca com temperaturas altas históricas prepararam o terreno para a péssima temporada de incêndio neste verão. Mas especialistas citam diversos outros fatores, incluindo alterações na utilização das terras, recursos de combate a incêndios inadequados, planejamento ruim e ação humana. Mais de 40 pessoas foram presas e acusadas de incêndio culposo.

Alex Fajardo, ecologista florestal na Universidade de Concepción, na região de Bío-Bío, contou ao Gizmodo que a propagação de plantações grandes de monocultura de eucalipto altamente inflamável e pinheiros estão tornando os incêndios maiores e mais intensos do que costumam ser historicamente. As brigadas de bombeiros parecem concordar.

“É muito mais fácil controlar um incêndio em uma floresta nativa — elas são mais úmidas, e, portanto, o incêndio se espalha mais devagar”, contou Gustavo de la Fuente Ortiz, chefe de bombeiros em Chillan, ao jornal Guardian. Outros bombeiros expressaram sua frustração com a incapacidade de domar as chamas que rapidamente se espalham em plantações, normalmente localizadas próximas a comunidades. Aviões de bombardeamento de água dos Estados Unidos e de outros países foram levados até o Chile para ajudar no esforço contra os incêndios no mês passado.

Com sorte, após se multiplicar por semanas, as chamas parecem estar diminuindo com a chegada de temperaturas mais baixas e uma tão esperado chuva nas regiões afetadas. No sábado (4), Bachelet disse que os incêndios remanescentes estão, em sua maioria, sob controle, segundo noticia a Associated Press. “Porém, isso não significa que estamos baixando a guarda”, acrescentou a presidente.

Com a expectativa de que as mudanças climáticas tragam dias de verão mais quentes e secos ao centro e ao sul do Chile — e de que as alterações na utilização de terras produzam novas e vastas faixas de terrenos inflamáveis a cada ano — muitos sentem que o governo deveria tomar medidas para garantir que as brigadas de bombeiros estejam melhor equipadas. O Chile não é o único país pego por uma temporada recorde de incêndios nos últimos anos, é claro: partes do sul e do oeste dos Estados Unidos, Canadá e Austrália também enfrentaram uma devastação pirotécnica antes inimaginável.

Em todo o mundo, as temporadas de incêndio têm sido transformadas pelos seres humanos. Claramente, é hora de começarmos a nos adaptar.

[The Guardian, Reuters, Associated Press, BBC]

Imagem do topo: AP Photo/Esteban Felix




O governo chileno encerrou, neste fim de semana, o estado de emergência acionado no mês passado em resposta à pior temporada de incêndios florestais da história do país. O fogo, que agora parece estar apagando, queimou mais de 366.000 hectares — aproximadamente quatro vezes a área da cidade de Nova York, por exemplo — desde 15 de janeiro. Saiba mais aqui.