Hoje, a Índia testou o Agni-V, um míssil balístico intercontinental (ICBM) de longo alcance capaz de levar uma ogiva nuclear. O míssil tem alcance superior a 5.000km, e poderia atingir até Pequim ou Xangai, na China. Isto não é bom.

Muitos especialistas em defesa acreditam que a Índia desenvolveu este míssil para equiparar seu poderio militar ao da China, que há tempos tem mísseis capazes de acertar a Índia e qualquer outro alvo em um raio de 10.000km. Os dois países, apesar de estarem em paz entre si, têm uma história de disputa em suas fronteiras. Desenvolver um míssil que poderia atingir as grandes cidades da China serviria como um instrumento de barganha numa possível disputa futura. É também mais um desenvolvimento em uma região que pode servir de palco para conflitos.

O Agni-V

O míssil em si tem 17,5m de comprimento, pesa cerca de 50 toneladas, pode atingir uma altitude de 700km e custou cerca de US$48 milhões para ser desenvolvido. Mesmo que o teste tenha sido um sucesso, atingindo um alvo predeterminado no Oceano Índico, o Agni-V só estará operacional – isto é, com uma bomba nuclear na ponta – em 2014.

Agni, em hindi, quer dizer “fogo”.

A nova corrida armamentista

O desenvolvimento do Agni-V marca a continuação da “corrida armamentista” que está acontecendo na Ásia. Todo grande país está se armando. A China está aumentando continuamente seus gastos em recursos militares; a Coreia do Sul tem mísseis que podem atingir a Coreia do Norte; a Coreia do Norte fracassou com seu míssil, mas vai continuar tentando; e a Índia se tornou a maior compradora de armas do mundo. E, claro, eles estão bem orgulhosos de seu mais novo míssil, capaz de conter uma ogiva nuclear. A situação parece calma na Ásia, mas todos já se preparam para quando a tensão aumentar.

E surpreendentemente, o país na região menos afetado pela existência do Agni-V é o Paquistão – com quem a Índia vem brigando há tempos. Os dois lutam pela região intermediária da Caxemira, e muitos acreditam que uma guerra entre os dois não é apenas uma possibilidade: é questão de tempo. Mas como o Paquistão é bem menor e os países são próximos, os outros mísseis de longo alcance da Índia (Agni-I, II e III) já são capazes de alcançar o país; o alcance maior do Agni-V não muda muita coisa, só deixa a Índia mais à frente do Paquistão – cujos mísseis têm alcance de até 1.200km.

Bem-vinda ao clube

Ao construir o Agni-V, a Índia se junta à elite nuclear dos EUA, Rússia, China, Reino Unido e França – todos eles têm mísseis de longo alcance (mas o alcance é bem maior). Sentar a esta mesa é uma conquista, e a Índia está comemorando, brindando aos cientistas e dizendo que o míssil é um “sucesso imaculado“. A boa notícia: mesmo que a Índia esteja na elite nuclear, ela ainda mantém uma política apenas de retaliação – não de ser a primeira a usar. A má notícia é que tudo isso pode se encaminhar de uma guerra fria para uma nova Guerra Mundial. [Times of IndiaWSJNY TimesBBC]