Quando o assunto é supercomputação, o Brasil não é muito famoso por ter máquinas que ocupam várias salas e geram números absurdos. Mas o Inpe decidiu mudar isso, ao adquirir um XT6, da Cray, por cerca de 50 milhões de reais. E no que essa mente brilhante, que atinge 244 teraflops, irá trabalhar? Em previsão do tempo, oras.

A compra foi feita com apoio da Fapesp e do Ministério de Ciência e Tecnologia. A máquina chegou ontem em Cachoeira Paulista, São Paulo, onde se hospedará por longos anos. Foram necessários caminhões climatizados para entregar os 84 pedaços do supercomputador, que vieram direto da fábrica da Cray, em Winsconsin – será preciso um mês para a instalação de hardware e software do novo monstro. Ele deve ficar parecido com a máquina da foto acima, do Oak Ridge National Laboratory, em Tennessee, que também trabalha com previsões climáticas e adquiriu um XT6.

A máquina será usada para aumentar a capacidade de prever situações climáticas de todos os tipos. Será mais fácil prever geadas, secas e chuvas intensas. Mas para muitos, a notícia principal é que os erros das previsões do tempo devem diminuir, já que o nível de detalhamento das mudanças climáticas aumentará em 5 quilômetros nos céus da América do Sul. Mas o Inpe também está feliz com outra marca da supermáquina: “com esse equipamento, estaremos entre os cinco maiores centros de climatologia do mundo em capacidade de processamento”, disse Luiz Augusto Toledo Machado à Agência Fapesp.

Nós já tínhamos contado que o único supercomputador brasileiro a figurar entre os 500 mais rápidos do mundo ficava na UFRJ, dentro do Núcleo de Atendimento em Computação de Alto Desempenho. Marcando 64 teraflops por segundo, era a 84ª máquina mais rápida do mundo. Pelo jeito, temos um novo campeão, já que o supercomputador do Inpe, com 13 gabinetes, atinge 244 teraflops. A máquina antiga do Inpe atingia humildes 6 teraflops, e sem dúvida está com o rabo entre as pernas e morrendo de inveja. O mais novo supercomputador brasileiro deve começar a rodar suas previsões climáticas no início de 2011, e espero que essa bola de cristal saiba bem se vai cair ou não um pé d’água nos feriados do próximo ano. [Agência Fapesp]