A resposta ao relatório das condições de trabalho na Foxconn feito pela Fair Labor Association foi rápida: a empresa anunciou um corte generoso na quantidade máxima de horas-extras que os funcionários responsáveis pela fabricação de iPads e iPhones poderão fazer, de 60 para até 36 por mês, adequando-se à lei trabalhista chinesa. Só que quem deveria estar mais feliz com isso, os próprios funcionários, reagiram negativamente à mudança. Como!?

A Reuters colheu diversos relatos de funcionários da Foxconn na casa dos vinte e poucos anos temerosos em relação a possíveis cortes salariais. A Foxconn, junto com o anúncio da redução da jornada, garantiu que compensará as possíveis perdas oriundas da mudança, ou seja, mesmo trabalhando menos, todo mundo continuará ganhando a mesma coisa. Com o apoio da Apple, que tem muita grana em caixa, isso é bem possível, mas parece não ser o suficiente para acalmar os trabalhadores, a maioria vinda de vilarejos extremamente pobres do interior da China.

Sem opções de lazer (há pouca coisa nos arredores da Foxconn) e querendo ganhar e ganhar e ganhar, muitos parecem comungar da opinião de Chen Yamei, de 25 anos, que recebe ~US$ 634/mês. À Reuters ele disse que “estamos aqui para trabalhar, não para brincar, então nosso salário é muito importante.”

A chuva de críticas que cai em cima de Apple e Foxconn é crescente, mas como pondera o Verge, não seria o caso de inserir nas análises da Foxconn a cultura trabalhista do local, no caso a China, antes de condená-la com base na que temos aqui no ocidente? Ou ser humano é ser humano em qualquer lugar e as condições de trabalho devem ter um padrão mínimo, universal? É uma questão delicadíssima que envolve hábitos culturais, direitos humanos e outros tantos pontos subjetivos que dão muito pano pra manga — os comentários, aliás, estão aí para isso. [Reuters, The Verge]