Um mosquito consegue detectar o dióxido de carbono que emana de um banquete em potencial a dezenas de metros. O Kite Patch, um pequeno adesivo atóxico que você cola na roupa, consegue desorientar o radar de CO2 dos mosquitos. Cole um, diz o criador do adereço, e você ficará invisível aos sugadores de sangue por até 48 horas.

O Kite Patch foi desenvolvido por Grey Frandsen, Michelle Brown e Torrey Tayanaja dos Laboratórios Olfactor e, de acordo com a página de perguntas e respostas, é baseado nas descobertas do pesquisador Anandasankar Ray e seus colegas na Universidade da California, em Riverside. Se tivéssemos que adivinhar, diríamos que a página se refere a este estudo, publicado por Ray e sua equipe na edição de junho de 2011 da Nature, no qual os pesquisadores identificaram três grupos químicos que podem quebrar os receptores de dióxido de carbono dos mosquitos. Escrevemos sobre a descoberta na época, e aqui está um pequeno trecho:

“Cada grupo químico funciona de forma levemente diferente para confundir seu alvo. O primeiro imita, de fato, o dióxido de carbono, e pode ser usado para atrair mosquitos para longe dos seus alvos humanos, direto para armadilhas de insetos. O segundo previne que os mosquitos detectem o dióxido de carbono. E o terceiro efetivamente desorienta o mecanismo de detecção de CO2 dos mosquitos, sobrecarregando-os até levá-los à confusão.”

Em um projeto atualmente em busca de financiamento no indiegogo, a equipe espera desempenhar testes de campo para o adesivo em Uganda, “uma das áreas mais complicadas que existem”:

“Com a sua ajuda, testes de larga escala em Uganda oferecerão, simultaneamente, um milhão de horas de proteção durante um grande teste de campo para famílias que sofrem com infecções de malária em taxas acima de 60% e nos permitirá otimizar o Kite antes de começarmos a distribuição em escala global.

Os resultados nos ajudarão a finalizar a formulação e qualquer mudança de última hora no produto. Uma vez que a formulação seja finalizada, daremos início ao processo de registro na EPA para os EUA. Quando formos aprovados lá, poderemos expandir a produção para distribui-la em mais locais, a mercados sensíveis — especialmente aqueles onde mosquitos podem determinar a vida ou a morte.”

O Kite Patch é o que se conhece nos círculos epidemiológicos por repelentes espaciais. Em uma análise publicada ano passado no Malaria Journal, pesquisadores notaram que repelentes espaciais se mostraram muito promissores na luta contra doenças transmissíveis por vetores como mosquitos, mas que ainda precisavam ser incorporados a programas de controles de doenças multi-laterais. Um dos motivos para a falta de dados epidemiológicos que suportem sua eficácia:

“Existe uma necessidade crítica pra testes em comunidades Fase III integrando simultaneamente o monitoramento de incidentes de infecção com métricas da população de vetores… Estudos de confirmação do tipo exigem medidas entomológicas inequívocas da repelência vs. irritação e/ou efeitos colaterais na redução da entrada de vetores em um dado espaço interior ou área externa, bem como reduções das densidades de picadas dos vetores (para incluir o redirecionamento potencial a espaços não tratados com hospedeiros humanos) concomitantes à transmissão patógena reduzida. O desafio se mostra quando a projeção de um estudo de impacto garante fins entomológicos e parasitológicos correlacionados com efeitos de repelência comprovados.”

Quão rigorosos serão os testes de campo do Kite Patch é algo que resta ser observado, mas trata-se de um projeto com esse potencial para oferecer toneladas de dados, ao mesmo tempo em que ajuda as pessoas que mais precisam de algo assim. Cruzem os dedos pelo progresso, pessoal.

Leia mais sobre o Kite Patch na página do projeto no indiegogo. [Laughing Squid]

Sem Kite Patch, com Kite Patch.