Eu sempre fiquei fascinado por lentes pancake. Para mim, é incrível que algo tão pequeno possa realmente funcionar. Como eu mencionei em um post anterior, nós estamos abrindo coisas para determinar onde e como (e às vezes se) as lentes podem ser ajustadas opticamente. Então, eu decidi colocar duas lentes estilo panqueca para câmeras mirrorless lado a lado para ver as diferenças entre elas (a Sony 16mm f/2.8 E mount e a Olympus 17mm f/2.8 micro 4/3). Eu não tinha certeza que haveria muito o que pudéssemos fazer com as lentes pancake (e não havia), mas ainda assim achei o visual por dentro bem interessante.

Nota: Clique nas imagens abaixo para visualizá-las em toda a sua glória.

Os competidores de hoje: as adoráveis e talentosas lentes pancake Sony 16mm f/2.8 e Olympus 17mm f/2.8.

Já que todo mundo aparentemente curtiu olhar por dentro de uma câmera mirrorless NEX, eu decidi tirar mais fotos enquanto fazia a desmontagem de hoje.

Opticamente eu esperava que ambas as lentes fossem bastante simples: a Sony tem 5 elementos, a Olympus 6 elementos em 4 grupos, e ambas tem o diafragma mais ou menos no centro dos elementos das lentes. Elas parecem muito similares conforme nós começamos a abrir as traseiras: ambas tem 3 parafusos segurando um defletor de luz/tampa de proteção, e 4 parafusos prendendo a armação das lentes, bem como a maioria das outras lentes.

As lentes Olympus (esquerda) e Sony com as traseiras removidas.

Existem algumas diferenças mínimas: a Olympus usa apenas 1 parafuso pequeno para prender seu conector eletrônico à armação, enquanto a Sony usa dois. É neste ponto que encontramos o primeiro (e aparentemente único) ajuste óptico. A Olympus usa calços de precisão tipo arruelas, enquanto a Sony usa alguns calços de precisão de 90 graus (as peças preto e branco na foto) para separar a interface entre as lentes e a armação.

Remover as placas é mais do mesmo, novamente a Sony usa 3 parafusos (eu não tenho ideia do motivo, ninguém mais faz isso) para segurar a placa no lugar, enquanto a Olympus opta pelo parafuso único que é mais comum.

Desmontagem da Olympus

Neste ponto, a desmontagem das duas lentes fica um pouco diferente. Fica óbvio na figura acima que a Olympus tem vários parafusos segurando a montagem óptica na case. Tire isso e a case…

Vire, tire o anel plástico frontal, remova alguns parafusos revelados abaixo do anel de plástico…

…e o resto dos anéis frontais sai, deixando o núcleo das lentes completamente exposto.

Lente pancake da Olympus praticamente desmontada (visão traseira). Note o motor focal abaixo e as engrenagens dentadas do anel de foco manual. Um motor menor acima à esquerda é o motor de controle da abertura.

Dois parafusos removem o foco manual. O motor de controle de abertura sai e seu flex desconecta, e agora os elementos ópticos são separados de maior parte das lentes. O design da Olympus coloca os elementos ópticos no centro de uma peça de plástico de três braços que conecta o anel das lentes. Os elementos ópticos e arranjo da Olympus, com o motor da abertura removido. Você pode reconhecer o anel roxo e ver a abertura com cinco lâminas, mas é basicamente só isso que permite que você saiba que essa era a Olympus.

Todo o conjunto óptico desliza para frente e para trás em três braços dentro do anel exterior para focar. Com lentes primárias tão pequenas não há necessidade de separar o elemento para focar.

O suporte de plástico do núcleo das lentes tinha algumas marcas do fabricante nele. Eu esperava que elas estivessem associadas com calços de ajuste ou algo assim, como geralmente é o caso, mas eu certamente não consegui encontrar nenhum. Se as marcas são algum tipo de orientação para a montagem, a assinatura de alguém ou um graffiti aleatório eu não sei. Talvez algum de vocês possa me contar?

Desmontagem da Sony

Inicialmente a desmontagem da Sony foi menos óbvia. Depois da placa ser removida eu esperava que o anel de plástico frontal saísse também como a maioria, mas ele não estava se movendo. Mesmo após reexaminar eu não descobri nenhuma outra maneira, então eu tentei tirar o anel frontal com um pouco mais de força. Isto meio que funcionou, apesar de ter arruinado o anel. Acontece que a Sony prende isso com uma tonelada de cola, ao invés das guias de plástico como a maioria das lentes. Ah, bem, na próxima vez eu saberei que preciso usar removedor de cola. Mas uma vez que o anel foi removido, as peças começaram a sair da lente.

Eis aqui a frente das lentes pancake da Sony com a maior parte do barril removido. Um anel destruído e o resíduo de plástico em volta das lentes mostra que esta obviamente foi minha primeira tentativa de abrir uma dessas.

O núcleo das lentes sai da case e é possível ver três parafusos implorando para serem removidos…

…o que nos permite remover o núcleo óptico central daquele suporte em volta.

Depois de passar pelo anel frontal, a desmontagem da Sony foi rápida e fácil.

Após remover todas as partes da lente exceto as ópticas, as duas lentes pareciam bem diferentes: a Sony tem um conjunto óptico pequeno e contido enquanto a montagem da Olympus é feita em cima de três braços de deslizam por um anel externo.

Os núcleos ópticos da Olympus (esquerda) e Sony (direita).

Entretanto, os grupos ópticos de ambas as lentes podem ser separados em componentes frontais e traseiros ao remover alguns parafusos.  Com as lentes da Sony, remover os parafusos visíveis na foto acima permite que o diafragma saia como uma peça separada (lado esquerdo de cada um na imagem abaixo) imprensada entre os elementos de vidro da parte da frente (imagem acima) e a parte de trás da lente (imagem abaixo).

O diafragma das lentes da Sony, com os componentes ópticos da frente (acima) e de trás (abaixo).

Com a Olympus, remover os parafusos permite que a maior parte dos elementos ópticos se desconectem em um grupo, com apenas um elemento sobrando no centro dos braços de plástico.

Eu esperava ver um calço ou algum ajuste aqui, mas não havia nenhum. Nem na Sony. Então o melhor que eu posso determinar é que ambas as lentes pancake não tem ajustes ópticos reais além de calços de precisão na armação das lentes. Mas normalmente não se espera que lentes pancake sejam realmente nítidas.

As partes que sobraram da seção óptica da Olympus (lado esquerdo da imagem acima) podem ser separadas organizadamente em duas metades da abertura Diferente da Sony, a unidade de abertura não é contida, ao invés disso fica em cima de um grupo na parte de trás. Isso permitiu uma bela demonstração de como as lâminas da abertura são montadas (caso você nunca tenha visto isso antes). A direita da imagem abaixo mostra os dois anéis do mecanismo de abertura, com pinos de montagem tanto no anel exterior quanto no interior. As lâminas de abertura (aquelas acima das lentes na direita da imagem) encaixam um pequeno buraco no pino do anel exterior e uma fenda encaixa no pino do anel interior. Conforme o anel interior é rotacionado em relação ao anel exterior, o pino se move pela fenda, abrindo ou fechando a abertura.

Imagens finais

Claro, eu preciso postar as imagens das lentes desmontadas, primeiro a Olympus e depois a Sony:

Lente pancake Olympus 17mm f/2.8 m4/3 completamente desmontada.

 

 

 

 

 

 

Lente pancake Sony 16mm f/2.8 E-mount completamente desmontada.

Estas são as menores e mais simples lentes que eu já dissequei. O elemento frontal de uma lente 70-200 f/2,8 é maior e mais pesado do que qualquer uma destas. O tamanho pequeno dos elementos de vidro é realmente chocante: mesmo o elemento traseiro de uma lente, digamos, 50mm f/1,4 contém mais vidro do que qualquer um dos elementos em qualquer uma destas. Apesar do fato que tem que cobrir um sensor maior, os elementos nas lentes Sony obviamente não são maiores do que aqueles na Olympus.

A simplicidade do design mostra porque estas lentes raramente quebram. E já que ajustes ópticos aparentemente não são uma opção, não tem muito motivo para que eu faça isso novamente. O que é na verdade bem chato. É uma desmontagem simples e bacana, com um design interno simples.

E antes que alguém pergunte: sim, eu posso montá-las de novo.

Dr. Roger Cicala é o fundador do Lensrentals.com. Já que a empresa há muito tempo já superou sua capacidade de gerencia-la, ele agora é o Diretor de Pesquisa e Controle de Qualidade da Lensrentals, o que significa que ele passa o dia inteiro desmontando coisas de fotografia e descobrindo como elas funcionam.