Hoje a LG apresentou suas novidades para o ano. É um evento gigante, onde aspiradores bacanas dividem espaço com celulares 3D e máquinas de lavar inteligentes. Os grandes destaques foram as TVs, com a segunda geração das telas grandes com 3D Passivo que, segundo a LG, caíram no gosto do público brasileiro.

Segundo a empresa coreana, as TVs da linha “Cinema”, que chegaram no segundo semestre de 2011, foram muito bem na temporada de compras do Natal e abocanharam 48% das vendas na categoria de TVs capazes de exibir conteúdo em 3D — ultrapassando os outros coreanos, que tem óculos ativos. Nós já avaliamos de maneira mais aprofundada a tecnologia por trás do 3D passivo aqui e aqui, e no geral acho que ela não deu grandes passos em relação ao ano passado. As TVs de LCD com iluminação por LED continuam mandando bem na programação normal e bem boas para o conteúdo 3D, com óculos leves e que não tiram tanto o brilho da imagem (adoro o clip-on no óculos) e têm ótima definição se você não ficar colado na tela. A linha 2012, que já havíamos avistado pela CES, tem como diferencial um design mais bonito, melhorias na função “Smart” (mais abaixo) e a topo de linha é tipo topo de linha mesmo.

São 15 modelos no total, a maioria chega a partir de julho — torcemos para que a tempo das Olimpíadas! — e estes são os modelos mais interessantes:

 

Cinema 3D Smart TV LM9600

É a TV do topo do post Ela é a mais bonita da série — praticamente sem bordas — e também a com tecnologia mais incrível de imagem das LEDs a aparecerem no Brasil. Em vez de usar os LEDs na borda da tela, a LM9600 tem tecnologias como o “backlight dimming”, “Micro Pixel Control” e “NANO Full LED” (nada de nome de tecnologia em português, sorry). Basicamente as luzinhas são menores, ficam atrás da tela, são mais numerosas e controladas individualmente, com mais rapidez. O resultado é um contraste bem maior, e esta aqui está ali no nível das melhores plasmas. Há um processador de imagens mais esperto, ajudado por um dual-core e GPU Mali 400 (a mesma do Samsung S II) Como todo o resto da linha, a LM9600 traz outros opcionais de fábrica importantes, como o Wi-Fi integrado e Dual Play, aquela tecnologia bacana que permite que um jogo de videogame que “divide a tela” projete duas imagens diferentes para dois jogadores, que “separam” com o uso dos óculos (como vimos que a Philips fez, ano passado). Há ainda um “Magic Remote” com giroscópio e que entende buscas por voz (mais adiante). Ela chega no “segundo semestre”, preço a definir, mas espere algo na casa dos R$ 8.000, pelo menos.

 

Cinema 3D LM6700

Essa será a segunda linha mais barata da LG Cinema 3D e manterá o design lindão da outra: ainda temos a LM6400, com tamanhos menores, como 32”, mas vamos combinar: conteúdo 3D só faz sentido em uma TV grandinha. A LM6700 vem em 42”, 47” e 55”, e ficará no meio do caminho em termos de preço — ainda não definido, a ser anunciado no segundo semestre. Ela traz os mesmos opcionais da top de linha, inclusive os 4 óculos, o que é legal. Além da iluminação por LED lateral, o outro downgrade em relação à LM9600 é o controle remoto “mágico”, que não tem suporte a buscas por voz, mas é bom o suficiente.

 

TV OLED EM9600

Um problema comum entre pessoas que ganham na loteria é não saber qual TV comprar. A LG resolverá este problema com a primeira TV grande em OLED a ser comercializada em larga escala. Os executivos prometeram o lançamento para este ano, mas ainda não está definido qual modelo de carro será equivalente ao preço dessa belezura. Ela é uma TV de OLED. Sabe aquela tela lindona do Galaxy S II da Samsung, com pretos-buraco-negro e cores bem mais bonitas que a realidade? Então, é isso, só que bem grande. Há uma tecnologia incrível por trás, desde o design (4 mm de espessura, 7,5 kg), até o próprio sistema de pixels multi-coloridos (em 4 cores), que garantem melhor fidelidade das cores e menos consumo de energia. O tempo de resposta do OLED é maior que qualquer outra tecnologia, e além de tudo ela é 3D, Smart, processador rápido e todo o resto da LM9600. Ela ganhou vários prêmios na CES e é realmente embasbacante. Se você não comprar uma, vale uma visita a uma Fast Shop da vida para vê-la em funcionamento, de verdade.

 

A “nova” Smart TV

A LG diz que conseguiu conquistar a “propriedade” do 3D no Brasil, com boas vendas da sua linha Cinema, e agora quer focar na parte “Smart”. A empresa diz que tem a maior quantidade de apps para TVs do mercado, 500 (cerca de 100 em PT-BR), e achei que este ano a navegação entre eles está melhor, com a interface bem parecida com a da skin que a LG coloca sobre seus Androids. Entre os que vimos, há os de sempre que todo mundo vai usar: Netflix, Terra TV, Net Movies, Youtube e alguns de notícias, como UOL e iG. Entre os conteúdos exclusivos, há coisas que eu não vejo muito sentido, como Banco do Brasil, Caras, Hello Kitty e outro sobre o Ronaldo Fenômeno, e um que pode ser bem interessante: o acordo com a Disney para aluguel de filmes em 3D sob demanda. É interessante ver a LG buscando parceiros e desenvolvedores para fazer coisas relevantes nacionais. A ideia é fazer da tela grande da sala um substituto do computador para todo tipo de conteúdo. Há apps como o “Detonados PS3” que traz guias de jogos e um caprichado app de receitas.

Mas honestamente eu não me vejo muito usando essas coisas fora as locadoras de filmes. Isso porque mesmo nas TVs com processador dual-core a navegação é mais lenta do que em qualquer outro dispositivo potencialmente ligável à TV com funções semelhantes, como o Xbox, Apple TV ou o smartphone que estiver no seu colo. O controle remoto também não ajuda muito. Apesar de ser bacana a ideia de fazê-lo minimalista, com poucos botões, a função “wiimote” não é muito precisa, e os botões pequenos na tela não ajudam muito. Os modelos mais high-end tem uma função de busca por voz, que funciona bem: fora nomes em inglês, ela reconheceu perfeitamente o que falei. Mas ela não busca “entre aspas”, então uma busca por “Curtindo a vida adoidado” resultou não apenas no vídeo do Youtube do filme, mas em todos os apps e conteúdos que tinham “vida”, por exemplo. Os resultados também não são muito organizados, e não adiantam muito fora do Youtube. Lá fora, as TVs a cabo e Google TVs são mais conectadas à experiência, então a busca por um filme resulta não só em vídeos no Youtube, mas em canais que estejam passando. Não temos isso aqui ainda.

A melhor coisa “Smart” dessas novas TVs é que essas buscas por voz permitem caçar conteúdos nos computadores ligados na mesma rede que a TV. Então basta falar “Big Bang Theory” (eu testei) que ela vai atrás dos .mkvs no seu computador e toca. Bem prático.

Em resumo, a nova linha 2012 (que não está à venda) é bem, bem boa. Design bacana, imagem boa e a tecnologia 3D mais aceitável do momento. Esperamos que a parte “Smart” fique mais esperta, mas com processadores bons e Wi-Fi integrado achamos que é só uma questão de update de firmware. Vamos testá-las com mais calma antes de elas começarem a ser vendidas, mas vale colocar na listinha de telonas a serem consideradas, especialmente considerando que a marca não é das mais careiras. Nas próximas semanas conheceremos melhor os lançamentos das concorrentes, e veremos como vai ficar a briga para dominar a sala de estar.