Linus Torvalds é conhecido por (quase) todo mundo por ter criado o Linux, sistema operacional que por mais que você odeie ou diga que não usa, está mais e mais presente no seu dia-a-dia, de smartphones a servidores web dos seus sites favoritos, passando (timidamente, é verdade) por alguns desktops. Mas além de ter criado e manter o kernel do projeto open source mais bem sucedido da história, Linus é pai de três, tem uma Mercedes amarela, mora numa casa cheia de pinguins, adora mergulhar e pode dizer que já recusou uma oferta de emprego de Steve Jobs.

Robert McMillan, da Wired, bateu um papo com Linus para conhecer melhor o homem por trás do kernel. Em Portland, ele mora com a sua esposa Tove e seus três filhos, que têm uma bela dedicatória na placa da sua Mercedes SLK conversível amarela — “Dad of 3”, lê-se nela, ao lado dos dizeres “Mr. Linux — King of Geeks”. Amarela é, aliás, a mesma cor da casa e não por acaso, a favorita de Linus.

Linus é um cara pragmático, do tipo que prefere escrever código para solucionar dado problema do que debatê-lo à exaustão com outras pessoas. Ele também é extremamente detalhista e focado no que faz, o que o torna um pouco cabeça-dura na tomada de certas decisões, mas ainda assim um líder bastante admirado pelo pulso firme. Essas características ele compartilha com um ex-CEO de uma certa empresa com nome de fruta…

Os caminhos de Linus Torvalds e Steve Jobs se cruzaram em 2000. Na época, Linus estava há pouco nos EUA (ele é finlandês) e trabalhava na Transmeta, uma fabricante de chips, quando foi chamado por Jobs para dar um pulo em Cupertino. A oferta de emprego foi feita às vésperas do Mac OS X e tinha como chamariz ser o trabalho no “UNIX para as massas”. A condição, porém, era severa: abandonar o desenvolvimento do Linux. Jobs o queria em coisas não relacionadas ao Linux na Apple. Linus disse não. No mais, ele nunca gosto do kernel Mach mesmo, admite.

Linus tomando café espresso.

Linus faturou muito com ações que tem da Red Hat, empresa prestes a se tornar a primeira baseada em open source a bater o valor de US$ 1 bilhão, e atualmente é pago pela Linux Foundation para cuidar do kernel do Linux, trabalho que, pelas palavras dele, é de mera manutenção. Em outro trecho da entrevista, ele diz que hoje é bem menos aberto a mudanças radicais no kernel, que só as executa se for por uma excelente razão. Vez ou outra ele escapa da sua casa, que tem um monte de pinguins de pelúcia na decoração, para dar palestras e marcar presença em eventos relacionados ao Linux e ao open source, tudo custeado pela Linux Foundation. E é assim que o cara que criou o Linux, a base do Android, o que move meia web e dá poder e flexibilidade a desenvolvedores do mundo inteiro, vive. A reportagem completa assinada por Robert McMillan está no link ao lado e vale muito. [Wired]