Algumas semanas atrás, o estereótipo do programador nerdão e do sexo masculino – uma generalização que já vai mal das pernas há um tempo -, levou um golpe. Ainda não foi o combo breaker que essa ideia ultrapassada (ruim tanto para homens quanto para mulheres) precisa levar pra ser enterrada de vez, mas já é alguma coisa: diversas publicações e sites divulgaram perfis e entrevistas com Lyndsey Scott, uma moça que, além de programadora, já trabalhou como modelo para grandes marcas, como Calvin Klein, Gucci, Louis Vuitton, Prada e Victoria Secrets.

As mulheres já deixaram de ser uma raridade na área de TI: de acordo com o PNAD 2009, as mulheres já perfazem 19% dos profissionais de TI no Brasil. Mas eu trabalhei por um tempo na área e pude ver de perto que a chegada (ou a possível chegada; até mesmo a probabilidade remota de chegada) de uma garota na equipe ainda é motivo para uma mistura de susto, comemoração e desconfiança das habilidades femininas no campo da tecnologia.

Lyndsey é formada em Ciência da Computação e Teatro e, embora seu trabalho principal seja como modelo, ela continua sendo programadora nas horas vagas. A garota é quase uma celebridade no Stack Overflow e gosta de usar o Quoraaqui você pode ler uma resposta muito legal dela sobre como é se tornar atraente. Ela tem habilidades em C++ e Java, mas a linguagem do coração dela é o Python.

Como tudo começou

A paixão de Lyndsey pela programação começou no colegial, com a criação de joguinhos numa calculadora TI-89, e avançou até a universidade. No entanto, apesar da pressão da família, Lyndsey nunca pensou em trabalhar com tecnologia em tempo integral. Ela saiu da universidade desejando se tornar atriz, mas acabou virando modelo.

Unindo o útil ao agradável, Lindsay criou um app que serve para que modelos e atores criem portfólios online a partir de uma necessidade que ela tinha: sair por aí carregando um imenso book de modelo é uma chateação. Ela também desenvolveu um aplicativo para que as pessoas possam doar dinheiro para a educação de jovens estudantes africanos. Obviamente, não faltaram pessoas pra dizer que criar aplicativos não é complexo o suficiente. Isso não é verdade, mas aqui cabe dizer que Lyndsey já mexeu com MIPS – quer coisa mais roots do que programar em Assembly?

A modelo não costuma contar ao pessoal do mundo da moda que tem uma vida dupla e não é difícil imaginar o motivo:

“A indústria [da moda] faz um esforço para reduzir a modelo e, de certa forma, simplificar as coisas. Eles várias vezes me venderam como uma pessoa mais jovem do que eu realmente sou. Eles não falariam sobre a minha educação, não falariam sobre mim… de certo modo, eu até entendo. [Nesse meio] a juventude vale mais do que a faculdade que você fez”, disse ela para o Pando Daily.

A história de Lyndsay é interessante porque balança ao menos dois arquétipos bobos de uma só vez: o do programador homem e nerd e o da modelo que não é muita coisa além de bonita, alta e magra.

Aqui no Brasil temos algumas iniciativas para aproximar as garotas do mercado de trabalhado em tecnologia:

O rodAda hacker é uma oficina de programação que auxilia garotas que desejam fazer projetos web.
O Girl Geek Dinners Brazil une garotas em jantares e happy hours para discutir tecnologia.
O Mulheres na Tecnologia é um que discute o universo dos empregos para garotas na área de TI.
O Linux Chix é uma lista de emails de garotas que usam o sistema operacional.

Felizmente, o mercado de TI está mudando aos poucos. Torçamos para que o universo de mulheres trabalhando com tecnologia não pare de aumentar: Ada Lovelace, a mãe da programação, agradece.

[Via Pando Daily e Business Insider]