A Fórmula 1 tem uma regra esquisitinha. As piores equipes do ano anterior recebem os menores boxes. A Brawn GP, que nem existia em 2008, tem o menor espaço no pitlane de Interlagos. O suficiente para arrumar um carro para Barrichello conseguir uma pole histórica. Ela tem bastante a ver com o braço do veterano piloto brasileiro, mas há uma quantidade de informações que não podem ser esquecidas: algo como 6 a 8 giga de dados brutos, mais precisamente que são gerados por um carro de F1 todo fim de semana. Fui ao autódromo ver como funciona.

O pessoal da AT&T Williams (provável equipe de Barrichello ano que vem) nos convidou para ver como é a tecnologia envolvida em um F1. Não a de suspensão ativa, motores e kers, até porque não faria o menor sentido pra mim. O assunto foi, basicamente, coleta e transmissão de dados (especialidade da AT&T, afinal). Cada carro tem ao menos 100 sensores, que coletam e repassam informações para os engenheiros verem como o carro está se comportando em tempo real, nos mínimos detalhes, em cada trecho do circuito. Na temporada de testes, o número de sensores pode chegar a 300, para que sejam percebidas mínimas variações de comportamento aerodinâmico.

Atrás da parte onde ficam os carros há uma salinha com 14 monitores, onde dois "engenheiros de dados" tentam fazer algum sentido daquele tanto de números e passar os achados ao engenheiro-chefe. Falei um pouco com Nico Rosberg, talentoso piloto da escuderia, que disse só entender aquilo "por alto". Nico muda as configurações aerodinâmicas a cada curva, baseada nas informações compiladas e repassadas por seu engenheiro, além do que sente no volante.

Toda a informação é transmitida por frequência de rádio (há receptores espalhados pelo circuito) através de uma rede segura (VPN). O carro tem uma caixa preta disso tudo, um HDzinho de 4 GB de dados puros, mas com uma capacidade de escrever dados assombrosa. Isso deve aumentar bastante: a quantidade de informações gerada e transmitida por um F1 dobra a cada dois anos.

Com a mudança de regulamento pra próxima temporada, que prevê uma diminuição das equipes em cada corrida (atualmente a AT&T Williams leva 60 a 70 pessoas para cada circuito), a virtualização será cada vez mais importante. Hoje já há uma conexão dedicada e segura ligando os boxes de Interlagos com o pessoal com o QG da equipe inglesa. Não demorará muito para conversas na Inglaterra afetarem diretamente, on the fly, uma corrida em Cingapura.

E nunca torci tanto para que chovesse em um domingo que amanheceu relativamente ensolarado. Eu acredito em você, Barrichello.

 

(foto Associated Press/Terra)

PS1: Como eu não estava com credencial de fotógrafo, não posso publicar as fotos que eu tirei lá – só uso pessoal. Mas elas ficaram bacanas, e você pode vê-las aqui.

PS2: O Henrique Martin, do Zumo, esteve comigo lá no autódromo e tem algumas informações adicionais.

PS3: Tá meio de lado, mas vou reativá-lo com o Uncharted 2.