O Google anunciou, ontem de noite, que está desenvolvendo um novo sistema operacional, o Google Chrome OS, voltado inicialmente para netbooks e com foco em atividades online, que deve ser lançado ainda este ano para desenvolvedores e no fim de 2010 para o público em geral. Hoje o Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil, explicou melhor essa história. O que isso significa para você?

Segundo Ximenes, no lançamento do navegador Chrome, o Google mencionou que, assim como os outros navegadores não são desenvolvidos para os dias de hoje, os sistemas operacionais também não são. Falta, no mercado de PCs, uma alternativa leve, rápida e que gire de fato em torno da internet. Afinal, as atividades da maioria dos usuários são checar e-mails, participar de redes sociais e ler notícias. Mesmo outras atividades, como ouvir música e editar texto e imagens, já são possíveis de forma online.

Pensando nisso, o Google está desenvolvendo o Chrome OS, um sistema operacional criado em torno do navegador Chrome. Eles deixam claro que ele é um projeto separado do Android, outro sistema operacional do Google, porque será voltado para atividades online e pensado para netbooks, notebooks e PCs de mesa — e não para smartphones, por exemplo.

Segundo o Google, o foco do novo sistema operacional será em simplicidade, velocidade e segurança. Será simples, porque a interface será minimalista (assim como a do Chrome) e os programas usados serão baseados na "nuvem" — o Google aposta no cloud computing com seu novo OS. Os programas do Chrome OS serão criados para a web, ou seja: você pode usá-los de qualquer sistema operacional. Todos os programas que já rodam em plataforma web funcionarão por tabela no Chrome OS.

Será rápido porque o OS será enxuto, ou seja: o boot vai levar poucos segundos. Fora que aplicativos web não requerem muito do seu PC, o que deve significar que ele  vai rodar liso em netbooks — além de economizar energia. Isso tudo, é claro, é promessa e análise. Como o Google ainda está desenvolvendo o sistema, não há requisitos mínimos por enquanto.

E o Google diz que vai repensar a questão da segurança no Chrome OS, pra evitar que os usuários lidem com vírus ou mesmo tenham que baixar constantemente atualizações de segurança. O Google Brasil diz que o sistema não será 100% protegido, mas com um sistema mais enxuto, as chances de vulnerabilidade são menores.

O sistema terá um kernel baseado no Linux (não disseram qual distribuição), logo terá código aberto e será gratuito. O Chrome OS será lançado apenas para desenvolvedores no fim deste ano; para o público em geral, só em 2010. O Google deve falar mais sobre seu novo OS "a partir de setembro".

O sistema será compatível com processadores x86 e ARM. Ou seja, poderá ser instalado não só em netbooks: na verdade, o Google pretende expandir o foco do Chrome OS para notebooks e computadores de mesa. Já estão conversando hoje com fabricantes de PCs na Ásia (cujos nomes o Google ainda não pode divulgar UPDATE: já foi divulgada a lista), para lançar o sistema operacional em netbooks no final de 2010. A ideia é seguir o modelo de negócios do Android: desenvolver o OS para os fabricantes, que pode ser alterado de acordo com o gosto deles, sem cobrar por isso nem inserir anúncios no sistema operacional.

Mas e no Brasil? Ximenes explica que depende dos fabricantes; mas acredita que, pelo tamanho do nosso mercado de PCs, o País não deve ficar para trás.

Restam, no entanto, algumas dúvidas. Não será um choque para o usuário ter que se acostumar com mais outra interface do sistema operacional? Para Ximenes, não: quantos celulares com diferentes sistemas operacionais você já teve? Não é traumático se acostumar com um OS novo. A comparação é válida porque celulares têm uma função básica: fazer ligações. Qual a função básica do Chrome OS? Internet. O Windows tem uma função básica? Fora que os programas do novo sistema operacional serão baseados na web: se você já usa o Google Docs, por exemplo, vai usá-lo da mesma forma no Chrome OS.

Mas posso usar outro navegador, que não o Chrome, no Chrome OS? Segundo Ximenes, nada impede isso, dado que o sistema é livre (tem código aberto). Se um fabricante quiser incluir outro navegador, por exemplo, é possível. Da mesma forma, se o fabricante quiser vender seus PCs com o Chrome OS e outro sistema operacional, também pode — só depende do fabricante.

E se o computador, por não ter rede ou por falha de serviço, não conseguir acessar a internet? Ximenes não conseguiu explicar como o sistema funcionaria. Hoje, por exemplo com o Windows, dá pra fazer alguma coisa: ouvir música, jogar Paciência, editar arquivos etc. O Google Docs, por exemplo, já tem funcionalidade offline (ainda que limitada). Afinal: como você usará seu netbook se estiver offline? Não sabemos, mas ainda é muito cedo para se pensar nisso.

Este passo do Google, ainda que não exatamente inesperado, é importante. Primeiro porque mostra a intenção da empresa de se tornar onipresente no que tange à web: já entrou nos PCs de bilhões, agora está avançando nos smartphones, e logo deve facilitar a vida de quem usa netbooks. Segundo porque entra no espaço onde a Microsoft mais ganha dinheiro — no mercado de sistemas operacionais. Se a Microsoft achava que o Windows 7 seria sua salvação, terá que pensar de novo: tem muita gente usando PCs para funções básicas, e a menos que você seja um usuário avançado ou gamer, trocar para o Chrome OS não será difícil — como não é difícil trocar do PC para o Mac, por exemplo.

E, por útlimo, porque o Chrome OS estimulará o desenvolvimento e a popularização de aplicativos para a web. Isso incentiva não só o Google a melhorar sua oferta de aplicativos (convenhamos que, hoje, o Google Docs não preocupa tanto a Microsoft), como outros desenvolvedores a criar alternativas que funcionam em qualquer computador ligado à internet — um alcance entre plataformas enorme. E tudo com velocidade. Você liga o computador e, em segundos, seu e-mail, feeds RSS, Google Docs e o Giz abrirão sem demora.

Espero por isso há muito tempo.