Esta semana o Motorola Dext chega oficialmente às lojas da Claro, com planos bem interessantes. Alguns dias antes o Samsung Galaxy e o HTC Magic começaram a ser vendidos na TIM. Depois de mexer nos três aparelhos e pesquisar os preços e planos de cada um, dá pra dizer tranquilamente que, por R$ 699, o Motorola Dext é não só a maneira mais barata e interessante de conhecer o sistema operacional para celulares amigo do Google, como é facilmente um dos melhores smartphones no mercado brasileiro hoje, mesmo com suas imperfeições.

Minha opinião, que fique claro, é relativamente parcial: testei o HTC e o Samsung por alguns minutos, e estou há 4 dias com o Moto Dext. Uso bastante Twitter, consulto meu e-mail compulsivamente e trabalho com o celular – portanto gosto do teclado físico para digitar coisas mais longas. Logo, o Dext faz bem mais sentido pra mim do que seus concorrentes diretos. Mais sobre ele na ótima resenha que nossos amigos do Giz US fizeram.

Se você não conhece o Android, sistema operacional originalmente concebido pelo Google, entenda um pouco por que ele aparece em cada vez mais celulares (além dos 3 que citamos, chegará em pelo menos outros 4 no Brasil até o fim do ano) e como ele vai dominar o mundo lendo este post aqui. Se você quer uma visão brasileira sobre a coisa, um vídeo-resuminho do Moto Dext e Android para leigos que fiz ontem:

Por que ele é tão legal mesmo?

Volte e assista o vídeo. Se você for como eu e usou celulares da Nokia ou Sony Ericsson a vida inteira, usar um celular com Android é uma revelação. Para usuários do iPhone, a experiência é semelhante, com a vantagem que no Android há melhor integração com os serviços do Google. Mas o que é essa revelação? A diferença dos bons celulares com Android e o iPhone para todo o resto dos smartphones é que mexer no celular é legal, divertido e fácil. Você tem vontade de baixar os aplicativos pra ver como só um toquinho na tela já ativa o que você quer, para ver como checar e-mail e responder é rápido, todas as telas são absolutamente customizáveis.

É difícil explicar facilmente, até porque muita gente compara os celulares como se fossem computadores, com base nas especificações técnicas. E eu sei que é difícil para muita gente entender, mas interface é tudo. Por isso malhamos os novos celulares da Nokia (com exceção do N900): você se esforça para fazer coisas, é difícil. Aqui, não.

Nem tudo são flores, é claro. O que não é legal no Dext: a bateria, como era de se esperar para os telefones da Motorola, não aguenta esse monte de funcionalidade. Se você deixar o motoblur ligado pelo 3G, o celular vai se conectar e receber dados o tempo inteiro. Adicione alguns minutos de navegação na internet e ligações e, nos dias que usei ele sem dó a bateria foi pro saco em 7 horas. SETE horas. A boa notícia é que ele se carrega ligando-se no computador pela saída mini-USB. O cabinho andará no seu bolso. 

Mas isso é "culpa" em grande parte, do fato de ser legal mexer no celular o tempo inteiro. No dia que usei ele o mesmo tanto que uso o E71, mais moderadamente, desligando o acesso contínuo aos dados, a bateria durou o dia inteiro. Ainda assim, ela poderia ser melhor.

O design é legal, mas meio grosso. Há uma folguinha no teclado slide que me faz temer pela integridade dele depois de muito tempo em uso. A posição das teclas é legal, mas elas poderiam ser um pouco mais altas para facilitar a digitação – que é um tanto melhor que o N97, pelo menos. O GPS também fica bem abaixo da média, em comparação aos celulares da Nokia e o HTC Magic, pelo que testei.

E com tanta coisa rolando na tela, é justo querer duas coisas: que ela seja um pouquinho maior, como dos concorrentes diretos, e que o processador seja mais parrudo. O Android raramente fecha de fato um programa, e à medida que você vai instalando e abrindo coisas ele vai ficando um bocadinho mais lento durante o dia. É 30 vezes mais rápido que o Nokia 5800 sem qualquer programa aberto, por exemplo, mas falta o fator clicou/apareceu do iPhone 3GS.

Mas pelo preço e pelo fato de ser a primeira geração de Androids brasileiros, é um celular fantástico. Até a câmera de 5 MP (sem flash) produziu coisas bacaninhas (com luz natural, obviamente), apesar de ser meio lenta:

 

Os preços dos robôs

A Claro resolveu fazer algum barulho para o lançamento do Dext – a exclusividade do aparelho dura cerca de três meses – enquanto a TIM lançou seus Androids de maneira mais silenciosa. Isso é refletido um pouco nos preços: o Dext sai por R$ 699 com o plano Claro 120 + 250 MB de dados por mês (à velocidade de 300 kbps). O plano sai R$ 144,80 mensais. Desbloqueado, o smartphone custa R$ 1.399.

Aqui em São Paulo, o Samsung Galaxy custa R$ 949 no TIM Infinity 120 (que você paga só o primeiro minuto) com um pacote de dados ilimitado a velocidade de 300 kbps. O plano sai R$ 164,80 por mês. No mesmo plano, o HTC Magic custa R$ 1.799. Se você quiser gastar R$ 300 em um plano melhor (mais velocidade e mais ligações, no plano Liberty 200), o Galaxy da TIM sai por R$ 449 e o Magic por R$ 1.299. Desbloqueados, os aparelhos saem R$ 1.499 (Galaxy) e inacreditáveis R$ 2.299 (Magic).

 

Vale comprar agora?

Por enquanto, como falei lá em cima, o Dext é o melhor se você escreve um bocado no celular. O Galaxy tem uma tela maior e de AMOLED, além de ser mais fininho, e se você tiver um desconto legal, é uma boa opção. O HTC Magic é legal e a interface é ótima, mas é caro demais sem ter muito de diferente a oferecer para entrar na briga, honestamente. Em breve receberemos os outros Androids para testes, e podemos fazer uma comparação melhor, mas, com um plano mais atraente, a predileção pelo Dext é justificada. Se você comprá-lo dificilmente se arrependerá.

Mas talvez esperar um pouquinho possa valer a pena. Ainda estão para chegar os smartphones com Android da Dell, da LG, o Galaxy Lite (o mais barato), o da Huawei e o Motorola Milestone, o primeiro com o Android 2.0. Se você quiser um smartphone bacana e dinheiro não é exatamente um problema, aguente um mês e compre o Milestone. Se for, vá de Dext ou espere mais um pouquinho para compararmos todos os outros.

Mas a verdade é que em um mês o cenário de smartphones no Brasil mudou completamente, para o bem. Graças a um simpático robozinho.