Ontem na coletiva da Samsung vimos celulares com Android, Windows Mobile e com sistemas proprietários. Ano que vem a empresa coreana despejará no Brasil smartphones com Symbian e Linux Mobile (que não é o Maemo). É uma estratégia diferente dos concorrentes, que normalmente apostam em alguma plataforma específica. Não seria arriscado? Os executivos da empresa acham que é dessa forma que conseguirão ficar em primeiro lugar em vendas de celulares no Brasil (a Samsung está em 3º, quase empatada com a LG atrás da Nokia). Como diz o Garrincha, "só falta combinar com a concorrência", brincou Silvio Stagni, VP da Divisão de Telecom da Samsung.

Até ontem a Samsung era uma operadora de telefones bonitinhos, mas nada demais, com algumas boas jogadas e outros #fails completos. Seus featurephones caros como o Omnia foram um certo fiasco e eu custo a crer que MP3 Players bombados como o Beat DJ vendam muito. Mais cedo este ano a empresa trouxe o Star e depois o Scrapy, dois sucessos de venda entre essa galerinha que se mete em altas confusões e/ou pessoas que queriam um touch barato, mas não gostavam de cookies. Com esses dois aparelhos e meia dúzia de basicões bonitinhos, a Samsung aumentou sua participação no mercado brasileiro de 10% há um ano para 23% em agosto.

Mas pelo mundo a grana está rolando forte no setor de smartphones, divisão em que a Samsung tinha virtualmente zero de participação. Ontem os coreanos fizeram a estréia com chapa nos peito e soco no coração. Enquanto boa parte dos aparelhos concorrentes lançados em 2009 batem a casa dos R$ 2.000, a Samsung trouxe dois ótimos telefones Android (um com possivelmente o melhor custo/benefício) e um Windows Phone cheio de recursos por R$ 799.

Mas será que seus telefones não competirão entre si? A tese de Silvio Stagni: "Oferecemos tudo. Deixamos a guerra para os provedores de sistemas e os consumidores". É uma boa postura que poderia ser seguida por mais gente. Eu queria muito que a Nokia apostasse mais no Android e Maemo em vez de gastar quase tudo com o falido Symbian, por exemplo.

Para a Samsung (ou outras empresas) ganharem mais dinheiro com o mercado de smartphones no Brasil, vai ser preciso conversar bastante com as operadoras. Menos de 3% dos telefones vendidos no Brasil têm 3G, e interessa muito a Vivo, Claro, TIM e Oi aumentar esse mercado vendendo aparelhos cheios de recursos a preços baratos, atrelados aos planos de dados. Eu, por exemplo, pago uns R$ 250 por mês de conta no celular, mas meu E71 saiu por R$ 199 na Vivo. E o celular tem que vir por esse preço – mas isso só vai rolar mesmo quando as pessoas começarem a usar planos de dados. É lógico que os planos ainda estão caríssimos, mas eles continuarão nesse preço enquanto for algo para bem poucos. Mais gente usando, mais barato ficará.

E eu acharia o máximo se a Anatel liberasse, por exemplo, planos de fidelização por mais de um ano. A essa altura do campeonato todo mundo já teve tempo de experimentar diversas operadoras. Seria bom se pudéssemos escolher uma, marcar um relacionamento de longo prazo e desfrutar de aparelhos baratos. Eu toparia fácil um plano de dois anos acessível com quase qualquer uma se me oferecessem um iPhone 3GS a 199 dólares, como lá nos EUA (AT&T é de dois anos).

E eu estou perdendo o foco. O fato é que a Samsung está forte, e quer aumentar o mercado de smartphones apostando no que é mais importante ao brasileiro: preço. Que outras sigam o exemplo.