O ano passado trouxe algumas boas e raras notícias sobre preservação: a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), a entidade que determina quais espécies estão em extinção, promoveu a categoria dos pandas de em extinção para vulneráveis. É um sinal que os esforços de conservação para reverter os efeitos das atividades humanas que extinguiram o habitat natural dos pandas funcionou. E faz sentido, acho, já que jornalistas científicos passaram boa parte do ano passado falando da vida sexual dos pandas.

Mas como a vida é injusta, a vida destes animais continua um tanto ferrada.

Um novo artigo que fez uso de dados remotos do governo chinês chegou a uma desagradável conclusão: o panda gigante continua ferrado. Claro, a população do animal cresceu, de acordo com recentes pesquisas, mas o habitat dele está pior do que era no passado.

“Novos e detalhados dados GIS e uma análise aplicada consistentemente sobre as últimas quatro décadas mostram que o habitat dos pandas cobria menos áreas e estava mais fragmentado em 2013 do que em 1988, quando o animal era categorizado como extinto”, escrevem os autores do novo estudo publicado hoje na Nature Ecology & Evolution.

Os modelos dos autores incluem dados sobre a “elevação, inclinação e cobertura da floresta” coletados remotamente (ou seja, por aviões ou satélites) por todas as áreas que os pandas vivem. Ao todo, habitats dos pandas diminuiu em 1.7% entre 1988 e 2013, e o tamanho padrão de cada lote individual de habitat diminuiu em 13.3%. Em outras palavras, há muito mais fragmentação – nossos hábitos humanos quebraram os lotes de bambu em setores menores.

A diminuição dos habitats é devido a uma complexa mistura de fatores, nem todos causados por humanos. É claro, existe a constante ameaça de mudança climática, e a fragmentação por pavimentação de caminhos (pandas não cruzam a rua). Mas o terremoto Wenchuan, um forte tremor que atingiu a China em 2008, matou quase 90.000 pessoas e também serve como um dos fatores. O modelo dos autores afirma que o terremoto sozinho é responsável por quase 70% da perca do habitat.

Mas é claro, essa pesquisa é apenas baseada em modelos, e a população de pandas parece ter crescido mesmo com a diminuição de seu habitat. Pedimos ao IUCN que comentasse o artigo. Mas, de qualquer forma, preservação é um esforço constante. Os autores sugerem que limites deveriam ser especificamente definidos para proibir novas perturbações de humanos, e a floresta deveria ser administrada pelo estado para que não fosse derrubada. Eles também sugerem a criação de corredores para conectar os habitats fragmentados (talvez algo como isto?), construindo túneis em vez de ruas e estabelecendo novos parques nacionais para os pandas.

Desculpa, pandas, mas parece que vocês terão de cruzar as próprias patas e esperar que os estúpidos humanos continuem a tentar o seu melhor.

[Nature Ecology & Evolution]