Na noite desta quarta-feira (13), se o tempo permitir, você poderá olhar para o céu e ver uma das chuvas de meteoros mais brilhantes do ano, a Gemínidas. E agora, graças a uma nova pesquisa, você pode ter um entendimento melhor de por que, às vezes, eles explodem e fazem aqueles flashes espetaculares.

Talvez você se lembre do incrível meteoro Chelyabinsk explodindo sobre a Rússia em 2013. Depois entrar na atmosfera da Terra, a maior parte da massa do corpo celeste parecia ter desaparecido — cientistas descobriram apenas fragmentos minúsculos. Um novo modelo feito por pesquisadores da Universidade Purdue sugere um mecanismo nunca antes observado: um que levou à explosão do meteoro e que explica os pedaços perdidos:

“Acreditamos que a fragmentação intensa que viu a sobrevivência de apenas pedaços pequenos (do meteoro) possa ter acontecido por causa de um mecanismo antes não reconhecido ou um processo de penetração de ar nos vazios (rachaduras e poros) no meteoro em queda”, escreveram os autores no estudo, publicado nessa segunda-feira (11) na Meteoritics and Planetary Science.

Em outras palavras, meteoros explodem de dentro para fora.

Trabalhos anteriores de outros estudos implicam que os asteroides são muito menos densos e, provavelmente, muito mais porosos do que imaginamos. Os cientistas construíram um modelo de computador desses meteoros entrando na atmosfera, permitindo que a porosidade mudasse durante seu percurso. Isso permitiria que a quantidade de ar entrando no asteroide crescesse “dramaticamente”. Eles combinaram isso com análises da pressão de ar em torno da rocha em velocidade, como os pontos de baixa pressão que ela deixou em seu rastro.

O resultado disso? O meteoro começava a se quebrar antes de entrar na atmosfera, conforme as pressões internas cresciam mais cedo. Isso pode explicar por que tão poucos fragmentos do Chelyabins foram encontrados, de acordo com a pesquisa apresentada nesta segunda-feira no encontro da American Geophysical Union de 2017.

Como esse foi apenas um modelo, ele tem suas limitações. Os autores basicamente ignoraram o efeito da evaporação de calor no meteoro entrando na atmosfera, já que esperavam apenas ter uma compreensão melhor do papel de sua nova ideia de penetração de ar. Eles focam apenas nos estágios iniciais do meteoro se partindo, o que poderia levar à evaporação posterior do meteoro.

“Não fazemos aqui nenhuma alegação de ter modelado todos os aspectos do processo de entrada (na atmosfera), o que será uma empreitada muito maior”, eles escrevem.

Então, se você conseguir observar a chuva de meteoros Gemínidas amanhã, considere estas duas coisas: primeiro, você não precisa se preocupar com um impacto. E, segundo, esses meteoritos brilhantes no céu são governados por um processo complexo que os cientistas ainda estão tentando compreender.

[Meteoritics and Planetary Science]

Imagem do topo: John Flannery/Flickr