Diagnosticar uma doença frequentemente requer analisar e detectar células individuais com testes de laboratórios que custam centenas de dólares. Hospitais em países pobres afetados por doenças epidêmicas como o HIV ou a malária podem simplesmente não ter os fundos para fazer todos esses testes, e cientistas estão buscando uma opção mais barata.

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Uma equipe de pesquisadores de Stanford criaram o que pode ser a solução mais simples e barata até agora: um microchip injetado que pode realizar vários testes em apenas 20 minutos e custa US$ 0,01 para ser feito. Caso não esteja óbvio, isso é muito barato.

“Reunir um laboratório em um chip em 20 minutos, por menos de um centavo, é um verdadeiro avanço”, contou ao Gizmodo Eric Topol, diretor do Scripps Translational Science Institute, de San Diego, e que não esteve envolvido no estudo. “E eu não uso essa palavra tão liberalmente.”

Testes de diagnóstico geralmente exigem a triagem de tipos de células para encontrar aquelas culpadas pela doença, com equipamentos de laboratório como centrífugas volumosas giratórias, membranas ou ímãs. Os laboratórios-em-um-chip são uma tentativa de simplificar o processo, usando gotas de um líquido com um milionésimo do volume de um litro de soda, passando por um sensor capaz de isolar e manipular células raras individualmente, buscando por drogas ou detectando proteínas individuais.

Esse chip é realmente uma pilha de multicamadas: uma de partículas condutoras impressas em uma superfície de plástico flexível, usando uma impressora a jato de tinta e uma seção de silicone para segurar a amostra. A mudança de corrente elétrica coloca força sobre as partículas e as faz se moverem, permitindo a triagem e a manipulação para vários tipos de testes. A equipe executou uma série de testes em seu chip e conseguiu capturar e isolar células de levedura e de câncer sem matá-las, além de conseguir isolar partículas minúsculas de plástico. Os pesquisadores publicaram seu estudo nesta segunda-feira (6), na Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Notavelmente, é rápido adaptar nossa plataforma para uma variedade de biopartículas e células de diferentes tamanhos e propriedades, simplesmente bastando variar a configuração das aberturas eletrônicas e reotimizando-as para as células que interessam”, escreveram os pesquisadores.

Só de ouvirem falar em testes simples de laboratório pode causar pânico em profissionais da saúde — talvez você se lembre da controvérsia da Theranos, no ano passado. Naquele caso, o disruptor oferecia um teste de laboratório de agulha no dedo, embora, no fim das contas, de acordo com reportagem do New York Times, a empresa fazia seus testes sem revisão de pares. Algo completamente diferente do caso do laboratório-em-um-chip, que não é um produto proprietário. Em vez disso, a equipe de Stanford produziu a tecnologia e fez vários testes com ela, que foram revisados por outros cientistas e publicados para que qualquer um pudesse ver.

Em outras palavras, isso provavelmente é pra valer, embora ainda não esteja claro quando a tecnologia estará disponível para ser amplamente utilizada.

“Como eles mostram no estudo, desde a captura de células individuais, a triagem, há uma quantidade incrível de usos para isso”, afirmou Topol. “E pensar que isso pode ser feito de modo tão barato, nada supera isso.”

[PNAS]

Imagem do topo: Zahra Koochak/Stanford School of Medicine