A Microsoft quer ajudar a acelerar a web. A empresa planeja enviar uma proposta para um protocolo de Internet mais rápido para os responsáveis pela criação do HTTP 2.0.

Não por coincidência, o grupo responsável, o Internet Engineering Task Force (IETF), está reunido nesta semana para discutir o futuro do venerável HyperText Transfer Protocol, mais conhecido como HTTP. No cronograma está a criação do HTTP 2.0, uma abordagem mais moderna e veloz da comunicação via Internet.

Um candidato a HTTP 2.0 é o protocolo SPDY, do Google. Lido como “speedy” (“rápido”, em inglês), a proposta do Google substituiria o protocolo HTTP — a linguagem atualmente usada quando um navegador conversa com um servidor web. Quando você requisita uma página ou arquivo de um servidor, o que geralmente acontece é o seu navegador fazer esse pedido usando HTTP. O servidor responde usando HTTP também. É por isso que o “http” aparece no começo da maioria dos endereços web.

O protocolo SPDY dá conta das mesmas tarefas do HTTP, mas o SPDY é capaz de fazer todas 50% mais rápido. Chrome e Firefox já suporta o SPDY e muitos sites grandes, incluindo Google e Twitter, já servem páginas via SPDY quando é possível.

Parte do cronograma do IETF nessa semana é discutir a proposta do SPDY e a possibilidade de torná-lo um padrão.

Agora, porém, a Microsoft está enviando outra proposta para o IETF considerar.

O HTTP Speed+Mobility da Microsoft carece de um nome bacana, mas aparece para cobrir basicamente o mesmo território demarcado pelo SPDY. Detalhes sobre as especificidades do HTTP Speed+Mobility ainda são escassos, mas a julgar pelo post que o anunciou, o HTTP Speed+Mobility se assemelha ao SPDY mas também inclui melhorias tiradas do trabalho com as APIs WebSockets do HTML5. A ênfase não fica restrita à web e navegadores, mas também a aplicativos móveis.

“Achamos que apps — e não só navegadores — deveriam ser mais rápidos”, escreveu Jean Paoli, Gerente Geral de Estratégia de Interoperabilidade da Microsoft.

Para conseguir isso, o HTTP Speed+Mobility da Microsoft “parte de ambos os trabalhos do Google no protocolo SPDY e do trabalho que a indústria tem realizad em torno dos WebSockets.” O que não fica claro nesse post inicial é para onde o HTTP Speed+Mobility vai a partir desse ponto de entrada híbrido.

Fica claro, porém, que a Microsoft não se opõe ao SPDY. “O SPDY tem feito um grande trabalho de sensibilização quanto ao desempenho web e ao partir para uma abordagem ‘limpa’ para melhorar o HTTP”, escreveu Paoli. “As maiores falhas do SPDY estão em suprir as necessidades de dispositivos e aplicativos móveis.”

O coinventor do SPDY Mike Belshe escreveu no Google+ que os esforços da Microsoft são bem-vindos e se antecipa para “métricas de desempenho no mundo real e implementações abertas de modo que possamos todos avaliá-las.”

Belshe também nota que os comentários da Microsoft de que o SPDY não é otimizado para o mobile “não são verdade.” Belshe diz que há evidências de que os desenvolvedores estão, no geral, contentes com o uso do SPDY em apps móveis, “mas isso sempre pode melhorar, claro.”

O processo de criação do substituto mais rápido do HTTP não significa simplesmente escolher um dos candidatos e torná-lo padrão. Com sorte o IETF pegará as melhores ideias de todos os lados e as combinarão em um protocolo único capaz de acelerar a web. Os detalhes exatos — e quaisquer ganhos potenciais em velocidade — do HTTP Speed+Mobility da Microsoft  ainda precisam ser vistos, mas quanto mais sugestões o IETF receber, melhor o HTTP 2.0 será. [Webmonkey. Foto: Lindsey Turner/Flickr]

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